Resumo da notícia
- A produção de manga em Petrolina transformou a agricultura local, tornando o Vale do São Francisco um dos principais polos de fruticultura do Brasil, graças à irrigação e tecnologias agrícolas.
- Projetos como Bebedouro e Senador Nilo Coelho ampliaram a irrigação, permitindo cultivo irrigado em clima semiárido e impulsionando a produção comercial de frutas na região.
- Mais de 90% das exportações brasileiras de manga vêm do Vale do São Francisco, que atende mercados internacionais com qualidade, controle de pragas e logística eficiente.
A produção de manga em Petrolina, no sertão de Pernambuco, transformou a agricultura regional e colocou o Vale do São Francisco entre os principais polos brasileiros de fruticultura. Com o apoio da irrigação, da pesquisa agrícola e de novas tecnologias, os produtores desenvolveram pomares comerciais em uma região marcada pelo clima semiárido.
Essa transformação, no entanto, não ocorreu de uma hora para outra. Ao longo das últimas décadas, investimentos em infraestrutura hídrica e conhecimento técnico ajudaram a criar condições para ampliar a produção e atender às exigências do mercado.
- Frio escurece manga por dentro e pode causar perdas na exportação
- Manga Tommy sobe 24% no Vale do São Francisco
Irrigação mudou a agricultura no Semiárido
A disponibilidade de água do Rio São Francisco foi decisiva para a expansão da agricultura irrigada. Por meio de projetos de infraestrutura, os produtores passaram a contar com melhores condições para cultivar frutas em áreas onde a irregularidade das chuvas limita a agricultura de sequeiro.
Um dos marcos dessa trajetória foi o Projeto Bebedouro, implantado em Petrolina em 1968. A iniciativa integrou os esforços para desenvolver a agricultura no Semiárido e abriu caminho para novas experiências produtivas na região.
Posteriormente, outros perímetros de irrigação ampliaram a capacidade agrícola do Vale. Entre eles está o Projeto Senador Nilo Coelho, que fortaleceu a produção comercial e contribuiu para a expansão da fruticultura irrigada.
Além disso, a pesquisa agrícola ajudou os produtores a aperfeiçoar o manejo dos pomares. Técnicas de irrigação, poda, nutrição das plantas e indução floral permitem planejar melhor os ciclos produtivos. Dessa maneira, a região consegue organizar colheitas em diferentes períodos do ano, conforme as condições de cultivo.
Manga brasileira conquista mercados internacionais
O desenvolvimento da fruticultura no Vale do São Francisco ampliou a participação regional no comércio de frutas frescas. A manga e a uva de mesa ganharam espaço entre os produtos destinados ao mercado externo.
Segundo estudos da Embrapa Semiárido, mais de 90% das exportações brasileiras de manga tiveram origem no Submédio do Vale do São Francisco em períodos analisados. Entretanto, esse percentual varia conforme o ano e o critério utilizado. Por isso, não deve ser tratado como um índice permanente sem a indicação do período de referência.
A presença internacional também exige planejamento. Os produtores precisam atender aos padrões de qualidade dos compradores, controlar pragas e doenças e organizar as etapas de colheita, seleção, embalagem e transporte.
Nesse processo, a logística tem papel importante. Como a fruta fresca precisa chegar ao destino em boas condições, falhas no armazenamento ou no transporte podem comprometer a qualidade dos frutos e elevar as perdas.
Ao mesmo tempo, a regularidade da oferta fortalece a posição dos agricultores diante dos compradores. Com tecnologia e planejamento, as propriedades conseguem organizar as safras de acordo com as exigências comerciais e as oportunidades de exportação de frutas.
Produção agrícola movimenta a economia regional
A expansão da atividade também contribuiu para gerar empregos e movimentar diferentes setores da economia. Além do trabalho nos pomares, a cadeia produtiva envolve unidades de beneficiamento, transportadoras, fornecedores de insumos e serviços especializados.
Dados da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) mostram a dimensão dessa atividade. Em 2024, os projetos públicos de irrigação da companhia produziram 4,42 milhões de toneladas de produtos agrícolas, com valor bruto de produção de R$ 8,15 bilhões.
Esses números abrangem diferentes culturas e projetos, e não apenas a manga ou o município de Petrolina. Ainda assim, demonstram a relevância econômica da agricultura irrigada para as áreas atendidas.
Além da geração de renda, a atividade estimula investimentos em tecnologia e infraestrutura. Por outro lado, os resultados dependem das condições de mercado, dos custos de produção, da disponibilidade de água e das exigências dos compradores.
Uso eficiente da água é desafio para o setor
Apesar dos avanços, a continuidade do cultivo de manga exige atenção à gestão dos recursos hídricos. Em uma região de chuvas irregulares, a disponibilidade de água influencia diretamente o planejamento das safras.
Por isso, o manejo eficiente dos sistemas de irrigação e a manutenção da infraestrutura de abastecimento são fundamentais para evitar desperdícios e preservar a capacidade produtiva. O monitoramento das condições do solo e das necessidades das plantas também ajuda a orientar o uso da água.
Ao mesmo tempo, a conservação ambiental precisa acompanhar a expansão agrícola. A Caatinga abriga espécies adaptadas às condições do Semiárido, e o planejamento territorial deve considerar a proteção dos ecossistemas naturais.
A trajetória do Vale do São Francisco mostra como infraestrutura, pesquisa e tecnologia podem transformar a agricultura regional. Hoje, a manga brasileira ocupa espaço importante no comércio internacional, enquanto Petrolina e municípios vizinhos seguem ligados ao desenvolvimento da fruticultura e à geração de oportunidades no campo.


