Irrigação e tecnologia impulsionam a fruticultura no Vale do São Francisco e ampliam a presença brasileira no mercado internacional de frutas
Foto: Fernanda Birolo/Embrapa

A produção de manga em Petrolina, no sertão de Pernambuco, transformou a agricultura regional e colocou o Vale do São Francisco entre os principais polos brasileiros de fruticultura. Com o apoio da irrigação, da pesquisa agrícola e de novas tecnologias, os produtores desenvolveram pomares comerciais em uma região marcada pelo clima semiárido.

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Essa transformação, no entanto, não ocorreu de uma hora para outra. Ao longo das últimas décadas, investimentos em infraestrutura hídrica e conhecimento técnico ajudaram a criar condições para ampliar a produção e atender às exigências do mercado.

Irrigação mudou a agricultura no Semiárido

A disponibilidade de água do Rio São Francisco foi decisiva para a expansão da agricultura irrigada. Por meio de projetos de infraestrutura, os produtores passaram a contar com melhores condições para cultivar frutas em áreas onde a irregularidade das chuvas limita a agricultura de sequeiro.

Um dos marcos dessa trajetória foi o Projeto Bebedouro, implantado em Petrolina em 1968. A iniciativa integrou os esforços para desenvolver a agricultura no Semiárido e abriu caminho para novas experiências produtivas na região.

Posteriormente, outros perímetros de irrigação ampliaram a capacidade agrícola do Vale. Entre eles está o Projeto Senador Nilo Coelho, que fortaleceu a produção comercial e contribuiu para a expansão da fruticultura irrigada.

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Além disso, a pesquisa agrícola ajudou os produtores a aperfeiçoar o manejo dos pomares. Técnicas de irrigação, poda, nutrição das plantas e indução floral permitem planejar melhor os ciclos produtivos. Dessa maneira, a região consegue organizar colheitas em diferentes períodos do ano, conforme as condições de cultivo.

Manga brasileira conquista mercados internacionais

O desenvolvimento da fruticultura no Vale do São Francisco ampliou a participação regional no comércio de frutas frescas. A manga e a uva de mesa ganharam espaço entre os produtos destinados ao mercado externo.

Segundo estudos da Embrapa Semiárido, mais de 90% das exportações brasileiras de manga tiveram origem no Submédio do Vale do São Francisco em períodos analisados. Entretanto, esse percentual varia conforme o ano e o critério utilizado. Por isso, não deve ser tratado como um índice permanente sem a indicação do período de referência.

A presença internacional também exige planejamento. Os produtores precisam atender aos padrões de qualidade dos compradores, controlar pragas e doenças e organizar as etapas de colheita, seleção, embalagem e transporte.

Nesse processo, a logística tem papel importante. Como a fruta fresca precisa chegar ao destino em boas condições, falhas no armazenamento ou no transporte podem comprometer a qualidade dos frutos e elevar as perdas.

Ao mesmo tempo, a regularidade da oferta fortalece a posição dos agricultores diante dos compradores. Com tecnologia e planejamento, as propriedades conseguem organizar as safras de acordo com as exigências comerciais e as oportunidades de exportação de frutas.

Produção agrícola movimenta a economia regional

A expansão da atividade também contribuiu para gerar empregos e movimentar diferentes setores da economia. Além do trabalho nos pomares, a cadeia produtiva envolve unidades de beneficiamento, transportadoras, fornecedores de insumos e serviços especializados.

Dados da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) mostram a dimensão dessa atividade. Em 2024, os projetos públicos de irrigação da companhia produziram 4,42 milhões de toneladas de produtos agrícolas, com valor bruto de produção de R$ 8,15 bilhões.

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Esses números abrangem diferentes culturas e projetos, e não apenas a manga ou o município de Petrolina. Ainda assim, demonstram a relevância econômica da agricultura irrigada para as áreas atendidas.

Além da geração de renda, a atividade estimula investimentos em tecnologia e infraestrutura. Por outro lado, os resultados dependem das condições de mercado, dos custos de produção, da disponibilidade de água e das exigências dos compradores.

Uso eficiente da água é desafio para o setor

Apesar dos avanços, a continuidade do cultivo de manga exige atenção à gestão dos recursos hídricos. Em uma região de chuvas irregulares, a disponibilidade de água influencia diretamente o planejamento das safras.

Por isso, o manejo eficiente dos sistemas de irrigação e a manutenção da infraestrutura de abastecimento são fundamentais para evitar desperdícios e preservar a capacidade produtiva. O monitoramento das condições do solo e das necessidades das plantas também ajuda a orientar o uso da água.

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Ao mesmo tempo, a conservação ambiental precisa acompanhar a expansão agrícola. A Caatinga abriga espécies adaptadas às condições do Semiárido, e o planejamento territorial deve considerar a proteção dos ecossistemas naturais.

A trajetória do Vale do São Francisco mostra como infraestrutura, pesquisa e tecnologia podem transformar a agricultura regional. Hoje, a manga brasileira ocupa espaço importante no comércio internacional, enquanto Petrolina e municípios vizinhos seguem ligados ao desenvolvimento da fruticultura e à geração de oportunidades no campo.