Resumo da notícia
- O atum bluefin é o peixe mais caro do mundo, com exemplar de 275,7 kg vendido por US$ 1,3 milhão em leilão no Mercado Toyosu, Tóquio, destacando seu valor na alta gastronomia.
- Conhecido pela textura macia e alto teor de gordura, o bluefin possui cortes nobres como otoro, muito valorizados por chefs e restaurantes de luxo em todo o mundo.
- A espécie habita o Atlântico Norte e o Mediterrâneo, cresce lentamente e é capturada por métodos tradicionais que garantem qualidade e sustentabilidade, como praticado no Japão.
O atum bluefin, também conhecido como atum azul ou atum-rabilho, conquistou o título de peixe mais caro do mundo. Um exemplar de 275,7 kg alcançou US$ 1,3 milhão em leilão tradicional no Mercado Toyosu, em Tóquio, no ano passado. Esse valor representa aproximadamente R$ 8 milhões e demonstra o prestígio que a espécie alcançou na alta gastronomia internacional.
O peixe se destaca pelo porte robusto, podendo atingir até 3 metros de comprimento e pesar mais de 600 quilos. Chefs renomados e restaurantes de alto padrão disputam essa iguaria por causa da textura macia, da cor intensa e do alto teor de gordura da carne.
O que torna o Bluefin tão especial
A carne do bluefin possui textura que derrete na boca e teor de gordura mais elevado que outros atuns, o que intensifica o sabor e confere acidez sutil à experiência culinária. Especialistas comparam o peixe ao wagyu bovino, famoso pela gordura entremeada e suculência.
O Thunnus thynnus acumula gordura principalmente na barriga. O corte conhecido como otoro apresenta marmoreio intenso e coloração rosada. Esse “pneuzinho” representa o corte mais nobre e cobiçado do peixe inteiro.
Outros cortes também atraem consumidores. O akami, localizado próximo à espinha dorsal, apresenta cor vermelha intensa e menos gordura. Já o chutoro oferece equilíbrio entre gordura e carne magra, com características intermediárias.
Onde o atum azul vive e como se comporta
A espécie habita o Atlântico Norte e o Mar Mediterrâneo, sendo que a população do Mar Negro está extinta. O peixe prefere águas com temperaturas em torno dos 20°C, mas suporta variações entre 5°C e 30°C.
O atum-rabilho se agrega em cardumes pequenos, geralmente em águas pouco profundas, e desce a maiores profundidades durante o dia. Os peixes se movem em altas velocidades, com registros de 80 a 90 km/h durante curtos períodos.
A espécie cresce lentamente e possui vida longa, de até 20 anos ou mais. Os peixes geralmente só desovam aos 8 anos de idade, entre meados de abril e junho, principalmente no Golfo do México. As fêmeas podem produzir até 10 milhões de ovos por ano.
Leilões históricos e recordes de valor
Os leilões japoneses transformaram o bluefin em símbolo de status. Em 2019, a rede de restaurantes Onodera arrematou um exemplar de 278 kg por US$ 3,1 milhões, estabelecendo o recorde desde o início dos leilões em 1999.
O pescador Masahiro Takeuchi, de 73 anos, capturou o exemplar de 2025 usando métodos tradicionais de pesca com vara e linha. Ele relatou que o atum estava “tão gordo quanto uma vaca”. O método artesanal preserva a qualidade do peixe e é considerado sustentável.
O atum azul do Pacífico capturado em Oma é especialmente procurado por sua dieta única de lula e peixe saury gordo, combinada com as águas frias da região.
Quanto custa o bluefin no Brasil
No mercado brasileiro, o bluefin chega por valores mais acessíveis, mas ainda elevados. No restaurante Atsui, no Jardim Paulista, em São Paulo, o sashimi de barriga de bluefin custa R$ 56 por fatia. E no Aima, no shopping Iguatemi, o par de sushis com o mesmo corte sai por R$ 136.
Já no varejo, o filé de atum bluefin da barriga em bandeja com 900 gramas custa R$ 639. O lombo deve chegar ao consumidor final por R$ 550 o quilo, enquanto a barriga custa cerca de R$ 900 o quilo.
A importação da Espanha representa a principal fonte de bluefin para o Brasil. Restaurantes de luxo oferecem o peixe em porções pequenas. O alto custo e a dificuldade de acesso explicam essa exclusividade.
A situação ambiental preocupa especialistas
O atum bluefin está classificado como espécie vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Práticas de pesca intensiva, especialmente com redes de cerco, reduziram drasticamente as populações globais.
Em 2017, o Japão e outros países pesqueiros impuseram cotas rigorosas após a sobrepesca reduzir a população a menos de 3% dos níveis históricos. Em 2022, a população havia se recuperado para quase 25% dos níveis sem pesca, superando a meta de 20% estabelecida para 2034.
A Comissão Internacional para Conservação dos Tunídeos do Atlântico (ICCAT) determina cotas anuais para cada país e fiscaliza a pesca no Mediterrâneo. No Brasil, uma portaria de 2014 do Ministério do Meio Ambiente proíbe a pesca do bluefin do Atlântico por regulamentação interna.
A diferença entre bluefin e outros atuns
Enquanto o salmão mantém popularidade no consumo diário, o atum bluefin ocupa patamar diferente. No Brasil, as espécies yellowfin e mebachi (big-eyed) dominam o mercado de restaurantes japoneses por oferecerem qualidade com preços mais acessíveis.
Especialistas alertam que fraudes são comuns no mercado, já que o produto chega ao consumidor final em pedaços cortados parecidos com outros atuns. A identificação verdadeira do bluefin é fácil apenas no caso da barriga, pelo marmoreio único.
O bluefin representa sofisticação, raridade e valores que poucos consumidores conseguem pagar. A espécie transformou-se em ícone da culinária mundial, disputada em leilões milionários e valorizada pela textura incomparável.