Resumo da notícia
- O aumento de 1°C eleva em 4,1% as vendas de bebidas sensíveis ao clima no Brasil, com água, isotônicos e cerveja liderando o crescimento, enquanto vinho e destilados perdem espaço.
- O Super El Niño, previsto para se intensificar no segundo semestre, deve aumentar ainda mais a demanda por bebidas refrescantes, exigindo planejamento antecipado da indústria para estoques e produção.
- O impacto do calor varia entre categorias: bebidas geladas crescem até 5,7%, enquanto vinhos e destilados caem até 3,2%, mostrando que o clima influencia o consumo de forma segmentada.
O aumento de 1°C na temperatura eleva, em média, 4,1% o volume de vendas de bebidas sensíveis ao clima no Brasil. Foi o que a consultoria Scanntech, especializada em dados para o varejo, apontou em um levantamento recente. Água, isotônico e cerveja lideram essa resposta ao calor. Já vinho e destilados perdem espaço nos dias mais quentes.
O estudo tem como pano de fundo o Super El Niño, fenômeno climático que deve se intensificar ao longo do segundo semestre. Por isso, a indústria cervejeira acompanha esse cenário de perto. Afinal, o clima mais frio já comprometeu volumes de venda no passado recente, inclusive em períodos de alta demanda esperada.
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Água e isotônicos puxam a alta
O efeito do calor, porém, varia conforme a categoria de bebida. Entre os produtos associados a temperaturas elevadas, a água lidera com alta de 5,7% no volume vendido. Em seguida, aparece o isotônico, com 5,4%, seguido por cerveja (5,0%), gelo (4,9%) e energético (3,8%).
Além disso, chá pronto, suco, água de coco e refrigerante também registram crescimento, embora em ritmo mais moderado. Juntos, esses números mostram que o calor não afeta apenas um tipo de bebida. Pelo contrário, ele reorganiza o consumo em várias frentes ao mesmo tempo.
Vinho e destilados perdem espaço no calor
Na direção oposta, bebidas ligadas a climas mais frios sofrem retração quando a temperatura sobe. Vinho e conhaque lideram essa queda, ambos com retração de 3,2%. Em seguida, a tequila recua 2,4%e o licor cai 1,1%.
Cachaça, whisky e vodka seguem a mesma tendência de queda, embora com menor intensidade. Assim, esse movimento reforça que o clima não impacta o consumo de forma uniforme. Ao contrário, ele favorece certas categorias e prejudica outras, dependendo do hábito de consumo associado a cada produto.
Efeito cresce junto com a temperatura
Consequentemente, o impacto do calor se intensifica conforme a variação térmica aumenta. Um aumento de 3°C, por exemplo, eleva em cerca de 12,8% o volume das bebidas que respondem positivamente ao calor.
Segundo o levantamento, esse efeito permanece positivo em toda a faixa de temperatura analisada. No entanto, a intensidade máxima ocorre perto dos 30°C, ponto em que a resposta do consumidor ao calor fica mais evidente.
Por sua vez, estimativas oficiais indicam que o Super El Niño deve se intensificar e atingir grau muito forte entre a primavera e o início do verão. Esse cenário, portanto, reforça a importância de antecipar decisões de estoque e produção nos próximos meses.
Clima como dado de planejamento, não como imprevisto
Felipe Passarelli, diretor de inteligência de mercado da Scanntech, avalia que calendário e temperatura atuam de forma combinada sobre o consumo. Segundo ele, “os dois efeitos convivem no mesmo período do ano, e por isso precisam ser medidos separadamente”.
Além disso, a resposta ao calor tende a ser parecida entre os estados brasileiros, embora algumas regiões enfrentem variações mais intensas de temperatura. Esse detalhe, então, pode orientar estratégias regionais de distribuição e produção.
Para Passarelli, o cenário atual muda a forma como as empresas devem lidar com o clima. Segundo ele, o clima deixa de ser “um imprevisto operacional e passa a ser uma premissa de planejamento”. Isso porque uma semana mais quente altera pedidos e exposição em loja no curto prazo, enquanto temperaturas acima da média mudam, no médio prazo, produção, mix de produtos e calendário promocional.