Hub aproxima pesquisadores, startups e produtores em busca de soluções para os desafios do campo
Estande da APTA Hub na CIW 2026 - Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

A inovação no agronegócio também nasce nos laboratórios. No entanto, transformar uma pesquisa em uma solução capaz de chegar à propriedade rural exige mais do que conhecimento científico. Pesquisadores, startups, empresas e produtores precisam trabalhar juntos para levar novas tecnologias ao campo.

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Essa conexão esteve presente na 3ª Campinas Innovation Week. O evento reuniu empresas, startups, pesquisadores e instituições de ciência e tecnologia no Pátio Ferroviário de Campinas.

Entre os expositores estava o APTA Hub. Ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), o hub atua justamente na aproximação entre diferentes setores do ecossistema de inovação.

Segundo Stan Mesquita, analista de comunidades do APTA Hub, a proposta é criar conexões entre quem desenvolve conhecimento e quem pode transformar esse conhecimento em aplicação prática.

“O nosso intuito, o nosso grande ativo é fazer a conexão das pessoas que pensam e promovem a inovação no agro”, afirmou.

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Pesquisa encontra espaço para chegar ao campo

Na prática, o trabalho envolve diferentes institutos ligados à APTA. Entre eles estão o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Instituto Biológico (IB), Instituto de Economia Agrícola (IEA), Instituto de Pesca (IP), Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), Instituto de Zootecnia (IZ) e a APTA Regional.

Essa estrutura permite aproximar áreas diferentes do conhecimento. Assim, uma pesquisa desenvolvida dentro de um instituto pode encontrar uma startup interessada em transformá-la em produto, enquanto produtores ajudam a aproximar a solução das necessidades encontradas no campo.

“Temos os institutos. O APTA Hub fica dentro de alguns institutos da APTA, em que o pesquisador do instituto, em conjunto com a startup, o produtor rural e outros atores do ecossistema, vão desenvolver soluções e inovações”, explicou Mesquita.

Além disso, as tecnologias envolvem diferentes segmentos do agronegócio.

No ITAL, por exemplo, existem pesquisas com microencapsulados de gordura para produtos processados. Outra frente envolve tecnologias voltadas ao rastreamento de gado.

São aplicações bastante diferentes, mas que mostram como a pesquisa agropecuária ultrapassa os limites da lavoura. Ela também alcança alimentos, pecuária, gestão e outras etapas da cadeia produtiva.

“São inúmeras as tecnologias que podem auxiliar o produtor rural na melhora da produtividade e do seu produto”, disse o analista.

Programa conecta empresas e startups

Além da aproximação entre pesquisadores e produtores, o hub mantém iniciativas voltadas diretamente ao desenvolvimento de negócios.

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Uma delas é o AptaHub Conecta, programa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento em conjunto com a APTA. A execução ocorre em parceria com o Cietec e a Wylinka.

O objetivo é aproximar startups de base científico-tecnológica de grandes empresas que enfrentam problemas concretos dentro de suas operações.

O processo começa quando as empresas parceiras apresentam desafios. A partir daí, o programa procura tecnologias e startups capazes de oferecer soluções alinhadas a essas demandas.

Além da seleção, as participantes podem receber capacitação, participar de reuniões individuais e avançar para rodadas de negócios. Dessa forma, uma tecnologia que começou dentro de um laboratório ganha uma possibilidade concreta de chegar ao mercado.

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Entre os critérios está justamente o perfil científico e tecnológico da empresa ou da pesquisa. A solução também precisa apresentar contribuição relevante para a inovação do agronegócio.

Atualmente, um dos desafios envolve o monitoramento inteligente da safra de café orientado por dados. Outra frente procura tecnologias para validação da conformidade de rótulos e inspeção de produtos.

Há ainda uma demanda diretamente relacionada à suinocultura. Nesse caso, o desafio procura soluções capazes de aumentar a eficiência produtiva sem o uso de ractopamina.

Portanto, o programa não trabalha apenas com conceitos genéricos de inovação. Ele parte de problemas identificados pelo setor produtivo e busca aproximá-los de quem desenvolve tecnologia.

Tecnologia também mira a resiliência climática

Enquanto produtividade e eficiência continuam no centro das pesquisas, outro desafio ganhou importância: o clima.

A agenda de inovação inclui soluções relacionadas às mudanças climáticas e à capacidade de adaptação da produção agropecuária.

Mesquita cita as climatechs como parte desse movimento. Essas startups desenvolvem tecnologias voltadas para questões ambientais e para a resiliência climática.

Nesse cenário, aproximar ciência, tecnologia e produtor também pode acelerar a chegada de ferramentas capazes de ajudar o campo diante de secas, temperaturas extremas e outras mudanças nas condições de produção.

A presença na Campinas Innovation Week teve ainda um objetivo de divulgação. O APTA Hub buscou aproximar o público de uma visão mais tecnológica do agronegócio paulista.

“Estar aqui no Campinas Innovation Week, um evento de grande importância em que se fala de inovação, de tecnologia, trazer um pouco do agronegócio de São Paulo para o público é de grande importância”, afirmou.

Para Mesquita, apresentar esse trabalho também ajuda a mostrar que inovação e sustentabilidade já fazem parte da realidade de diferentes áreas do setor.

“Mostrar que existem pessoas que pensam que o campo não é só aquele campo raiz, que ele também pensa novas tecnologias, que está buscando por mais sustentabilidade, mais inovações, essa é a importância de estar aqui no Campinas Innovation Week”, disse.

A 3ª Campinas Innovation Week, realizada entre 14 e 18 de setembro no Pátio Ferroviário de Campinas, reuniu iniciativas ligadas à pesquisa, tecnologia, empreendedorismo e inovação.

Para o agronegócio, a participação do APTA Hub mostrou um movimento que ganha espaço no setor: aproximar o conhecimento produzido pelos institutos de pesquisa dos problemas encontrados por produtores e empresas.

Afinal, a inovação pode começar dentro de um laboratório. Mas é quando chega ao campo e resolve um problema real que a pesquisa passa a produzir impacto direto na atividade agropecuária.