Criada nas fazendas mineiras do século 18, a receita de polvilho e queijo virou um dos salgados mais consumidos do Brasil
Foto: Tarcisio / Flickr

O Brasil celebra nesta segunda-feira (17) o Dia Nacional do Pão de Queijo. A data homenageia um dos salgados mais populares do país e movimenta padarias, cafeterias e fabricantes em todo o território nacional.

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Foto: Debora Dienstmann/Flickr

Diferentemente do que muita gente imagina, não existe uma lei federal que tenha instituído oficialmente o Dia do Pão de Queijo. A comemoração se consagrou pelo uso, abraçada ao longo dos anos por padarias, cafeterias, indústrias de alimentos e entidades do setor de panificação, como a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip). A data circula no calendário gastronômico desde 2007, quando ganhou força após um concurso promovido pela apresentadora Ana Maria Braga no programa “Mais Você”.

Alguns municípios e comércios chegam a celebrar a data em outros dias de agosto. Mas o dia 17 é o mais aceito e o que concentra a maioria das ações comerciais e promocionais ligadas ao quitute.

Das fazendas mineiras para o país inteiro

A origem do pão de queijo remonta ao século 18, nas cozinhas e fazendas de Minas Gerais. Cozinheiras da época enfrentavam a escassez de farinha de trigo de boa qualidade e passaram a substituí-la pelo polvilho, extraído da mandioca. À massa, elas acrescentavam sobras de queijo, ovos e leite, ingredientes de fácil acesso nas propriedades rurais da região.

O resultado, moldado ao longo de gerações, deu origem à receita crocante por fora e macia por dentro que hoje faz parte do cardápio de padarias em qualquer canto do Brasil. Ainda que a criação tenha nascido em Minas Gerais, o pão de queijo ultrapassou fronteiras estaduais e ganhou reconhecimento internacional. Portanto, despertando curiosidade em turistas estrangeiros e saudade em brasileiros que moram fora do país.

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Um patrimônio gastronômico que move a indústria

Segundo dados do Instituto Tecnológico de Panificação e Confeitaria, o Brasil consome cerca de 430 mil toneladas de pão de queijo por ano, volume que evidencia o peso do produto na rotina alimentar do país. O quitute permanece entre os salgados mais vendidos nas padarias brasileiras, mesmo diante da concorrência de outras opções de panificação.

Fabricantes e panificadores aproveitam a data para lançar novidades: variações recheadas, formatos diferentes, tamanhos e opções que atendem restrições alimentares, como versões sem glúten, sem lactose e veganas.

Um símbolo que ultrapassa o café da manhã

Consumido a qualquer hora do dia, no café da manhã, como lanche da tarde ou acompanhamento de jantar, o pão de queijo carrega um significado que vai além do sabor. A combinação entre a elasticidade da massa de polvilho e o toque salgado do queijo minas consolidou o produto como um dos maiores representantes da culinária brasileira dentro e fora do país.

“O pão de queijo tem uma característica muito forte de conexão com a rotina dos brasileiros. Ele combina praticidade e familiaridade, podendo estar presente em um café da manhã rápido, em uma pausa ao longo do dia ou em momentos de consumo mais indulgentes. Essa versatilidade ajuda a explicar sua presença no foodservice”, afirma Ingrid Devisate, vice-presidente executiva do Instituto Foodservice Brasil (IFB).

Para quem quiser marcar a data, a sugestão mais simples continua sendo a mais eficaz. Passar pela padaria mais próxima e aproveitar um pão de queijo fresquinho, direto do forno.