Resumo da notícia
- O governo dos EUA lançou o programa Ranchers First Initiative para recuperar o rebanho bovino, criar seguro para retenção de novilhas e ampliar a capacidade de processamento de carne.
- Linhas de crédito serão oferecidas a frigoríficos regionais para aumentar a oferta e reduzir a dependência de importações, que tiveram isenção temporária de tarifas para até 300 mil toneladas.
- Trump criticou a concentração das grandes processadoras e anunciou medidas para que produtores possam processar sua própria carne, buscando quebrar monopólios estrangeiros no setor.
O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta segunda-feira (31/8), medidas para recuperar o rebanho bovino do país, que atingiu o menor nível em 75 anos.
Coordenado pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o programa Ranchers First Initiative também busca ampliar a capacidade de processamento de carne. O anúncio ocorre em meio à alta dos preços e às críticas de pecuaristas contra a entrada de mais produto importado.
Seguro incentiva reprodução
O pacote cria um seguro para estimular a retenção de novilhas destinadas à reprodução. Assim, o governo espera aumentar a oferta de animais e acelerar a recomposição do rebanho.
- Amendoim pode ganhar programa de incentivo à produção e exportação
- Estiagem aumenta risco de incêndios em SP, veja como evitar queimadas
Além disso, o USDA ampliará o acesso a programas de recuperação de pastagens e de infraestrutura danificadas por incêndios e outros desastres naturais.
A secretária de Agricultura, Brooke L. Rollins, disse que as medidas oferecerão ferramentas de gestão de risco aos produtores. Ela também defendeu a redução da burocracia e mais transparência no mercado de carne bovina.
Crédito chega a frigoríficos
O USDA anunciou ainda linhas de crédito para pequenos e médios frigoríficos regionais. A medida busca ampliar a capacidade de processamento e oferecer mais opções aos pecuaristas.
O governo americano apresentou o pacote após entidades do setor criticarem a liberação temporária de até 300 mil toneladas adicionais de carne bovina. A autorização vale por 90 dias e isenta de tarifas os volumes que ultrapassarem as cotas dos países fornecedores.
Joesley teria pressionado Trump
No domingo (30), o Wall Street Journal informou que Joesley Batista fez lobby com Donald Trump para reduzir as tarifas sobre a importação de carne bovina.
Segundo fontes ouvidas pelo jornal, o empresário se reuniu com Trump no Salão Oval em 20 de agosto. Eles discutiram como o aumento da oferta brasileira poderia ajudar a conter os preços nos Estados Unidos.
Na ocasião, Joesley teria defendido a retirada da tarifa de importação de 26%. No dia seguinte, Trump anunciou a entrada de até 300 mil toneladas de carne bovina sem tarifa durante 90 dias.
Presidente critica processadoras
Na sexta-feira (28), Trump disse ter autorizado a elaboração de documentos legais para permitir que agricultores e pecuaristas processem a própria produção. O presidente também criticou a concentração entre as grandes empresas do setor.
“Há anos venho ouvindo que enfrentam um problema enorme com as grandes processadoras, que muitos consideram um monopólio desonesto”, afirmou Trump.
Ele acrescentou que a medida pretende “quebrar esse poderoso monopólio”, cuja propriedade estaria, em grande parte, fora dos Estados Unidos. A JBS e a MBRF, sócia majoritária da National Beef, estão entre os grupos não americanos com operações no país.
O Wall Street Journal também citou um comunicado do governo brasileiro. Segundo o texto, Luiz Inácio Lula da Silva conversou com Trump sobre tarifas, combate ao crime organizado e conflitos globais.