Tecnologia avança na agricultura e aumenta a demanda por pilotos especializados e soluções digitais no campo
Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

O avanço do uso de drones na agricultura brasileira foi um dos destaques da Expodireto Cotrijal 2026, realizada entre 9 e 13 de março em Não-Me-Toque (RS). Durante a feira, empresas do setor apresentaram novos equipamentos de pulverização, soluções digitais e programas de capacitação profissional. O movimento reflete a expansão da tecnologia no manejo agrícola e a necessidade crescente de operadores qualificados para atuar no campo.

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O uso de drones vem crescendo de forma acelerada na agricultura brasileira nos últimos anos. Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Drones (ABDrone) e da Schroder Consultoria Agro, o número de equipamentos em operação no país saltou de cerca de 3 mil para aproximadamente 35 mil unidades desde a regulamentação da atividade, em 2021.

Nesse cenário, a ADS Drones apresentou na feira equipamentos voltados à pulverização agrícola e à agricultura de precisão. Entre os destaques estão os modelos T100, T70P e T25P, utilizados em diferentes escalas de produção.

Responsável pelo pós-venda da empresa no Rio Grande do Sul, Angel Mariussi explica que os drones oferecem vantagens operacionais importantes em comparação com equipamentos tradicionais.

“Entre os principais benefícios está a redução do amassamento da cultura, já que não há passagem de máquinas pela lavoura. Mesmo após chuvas mais intensas, é possível realizar aplicações com drone. Além disso, o equipamento consegue atingir melhor a parte inferior das plantas, graças ao fluxo de ar gerado pelas hélices”, afirma.

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Segundo ele, a operação também é altamente automatizada. O produtor define previamente o mapa da área e os parâmetros da aplicação. A partir dessas informações, o drone executa o trabalho de forma autônoma, enquanto o operador acompanha a operação.

Tecnologia amplia soluções no campo

Além dos drones de pulverização, a feira também apresentou equipamentos voltados ao monitoramento e à coleta de dados agrícolas. A Techno Store atua com drones da linha enterprise, que incluem câmeras termais, sensores multiespectrais e sistemas para geração de mapas de lavouras.

DJI Dock 3 – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

Consultor comercial da empresa, Luís Zenoni explica que essas tecnologias ajudam produtores a acompanhar o desenvolvimento das culturas com maior precisão.

“Hoje trabalhamos com drones voltados ao monitoramento, segurança e agricultura de precisão. Esses equipamentos permitem gerar imagens detalhadas das lavouras, o que ajuda na análise das áreas e na tomada de decisões”, afirma.

A empresa também atua na distribuição de peças originais para drones agrícolas e em outras soluções tecnológicas. Entre elas estão drones subaquáticos utilizados na inspeção de barragens e estruturas offshore, além de equipamentos autônomos voltados à manutenção de áreas verdes.

Crescimento do mercado exige formação de pilotos

Ao mesmo tempo em que a tecnologia avança, cresce também a demanda por profissionais qualificados para operar os equipamentos. A AgroAcademy atua justamente na formação de pilotos de drones agrícolas e no treinamento técnico voltado ao uso da tecnologia no campo.

De acordo com a coordenadora geral da escola, Tamara Maciel Dal Canton, o principal desafio do setor atualmente é ampliar a quantidade de operadores preparados para trabalhar com os equipamentos.

“O drone entrou no mercado como uma ferramenta nova. Muitas pessoas compram o equipamento, mas não sabem exatamente como operá-lo. O profissional precisa entender desde a parte agronômica até a legislação e o funcionamento técnico do drone”, explica.

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Segundo ela, a instituição já formou mais de 4,5 mil pilotos desde sua criação, em 2021. Ainda assim, o número é considerado pequeno diante do crescimento do mercado.

“Hoje temos cerca de 35 mil drones registrados no país. Porém, ainda faltam operadores qualificados. Nosso foco é ampliar essa formação e preparar profissionais que entendam como aplicar a tecnologia de forma correta na lavoura”, afirma.

Os cursos incluem conteúdos sobre preparo de calda, identificação de pragas e doenças, uso de equipamentos de proteção individual e operação dos drones. Além disso, os alunos recebem orientações sobre a regulamentação exigida por órgãos como ANAC e Ministério da Agricultura.

Ferramentas digitais ajudam na tomada de decisão

Outra frente de inovação envolve o desenvolvimento de softwares voltados à gestão das operações agrícolas. O hub de inovação Loop Works criou plataformas que auxiliam produtores e prestadores de serviço no uso de drones no campo.

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Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

Analista de tecnologia da empresa, José Henrique Alves de Azevedo explica que uma das ferramentas conecta produtores rurais a pilotos de drones disponíveis para realizar aplicações nas lavouras.

“O Agro Pilot funciona como uma plataforma que aproxima quem precisa da aplicação e quem possui o equipamento para realizar o serviço. Hoje já contamos com mais de 120 usuários entre pilotos e produtores”, afirma.

Além disso, outra solução utiliza dados meteorológicos para identificar o momento mais adequado para realizar aplicações agrícolas.

“A ferramenta analisa fatores como temperatura, umidade, velocidade do vento e possibilidade de chuva. Com base nessas informações, ela indica se a janela de aplicação é ideal, aceitável ou não recomendada”, explica.

Dessa forma, o produtor consegue tomar decisões com mais segurança e eficiência durante as operações no campo.

Com a expansão do uso de drones na agricultura brasileira, especialistas apontam que a tendência é de integração cada vez maior entre equipamentos, softwares e capacitação profissional. Esse conjunto de tecnologias deve ampliar a eficiência das operações agrícolas e consolidar o uso dos drones como ferramenta estratégica no campo.