Projeto da JetBio prevê transformar etanol em combustível para transporte pesado e outros setores, com produção em São Paulo a partir de 2030
Etanol em posto de combustível
Foto: Agro em Campo

O etanol brasileiro pode ganhar um novo destino nos próximos anos. A JetBio planeja instalar em Paulínia (SP) uma unidade para transformar o biocombustível em diesel renovável e combustível sustentável de aviação (SAF).

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O projeto prevê investimento de US$ 2 bilhões. A empresa planeja iniciar a construção em 2027 e começar a produção em 2030. Antes disso, porém, ainda precisa concluir as etapas de financiamento e tomar a decisão final de investimento, prevista para março de 2027.

Novo mercado para o etanol

A proposta cria uma possibilidade de expansão para a indústria sucroenergética. Em vez de seguir apenas para os mercados tradicionais, parte da produção poderá abastecer uma cadeia voltada a combustíveis renováveis.

Nesse cenário, o etanol brasileiro passa a funcionar também como matéria-prima para produtos destinados a setores que ainda dependem fortemente do diesel e do querosene de aviação.

A JetBio pretende adaptar a produção conforme o comportamento do mercado. A mesma estrutura poderá fabricar diesel renovável ou SAF, de acordo com a demanda e as oportunidades de comercialização.

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Tecnologia transforma o biocombustível

A tecnologia da Honeywell UOP permite converter o etanol em um combustível com características semelhantes às do diesel convencional.

Segundo a JetBio, o processo poderá reduzir as emissões de gases de efeito estufa em pelo menos 65%. O resultado, no entanto, dependerá de fatores como a matéria-prima utilizada e a fonte de energia empregada durante a produção.

A rota também se diferencia do biodiesel tradicional. Enquanto esse combustível utiliza matérias-primas como óleo de soja e sebo bovino, o novo processo terá o etanol como insumo.

Assim, a iniciativa amplia as possibilidades de uso dos biocombustíveis produzidos no país.

Unidade pode consumir 1,8 bilhão de litros

A JetBio estima que a planta terá capacidade para consumir cerca de 1,8 bilhão de litros de etanol por ano na produção de diesel renovável ou SAF.

Esse volume representa uma demanda potencial relevante para o setor sucroenergético. A FS, empresa que pertence ao mesmo grupo controlador, deverá participar da originação do etanol, inclusive com compras de outros produtores.

Para as usinas, portanto, o empreendimento pode abrir uma nova frente de comercialização. Ao mesmo tempo, a dimensão do projeto exigirá planejamento para garantir o fornecimento quando a unidade entrar em operação.

Diesel renovável mira setores pesados

A empresa pretende direcionar parte do combustível para atividades que utilizam grandes volumes de diesel. Entre elas estão transporte rodoviário pesado, mineração, indústria, agricultura e geração de energia.

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A proposta também busca aproveitar equipamentos já existentes. Dessa forma, consumidores poderão utilizar o novo combustível sem necessariamente substituir máquinas e motores.

Esse fator pode favorecer a adoção em segmentos nos quais a troca de equipamentos exige investimentos elevados.

Projeto ainda depende de financiamento

Embora a JetBio já tenha apresentado o projeto, a construção da planta ainda depende da conclusão das negociações financeiras e comerciais.

A empresa estima um investimento de US$ 2 bilhões. Metade dos recursos deverá vir de financiamento, enquanto o restante ficará a cargo do Summit Agricultural Group, controlador da companhia e principal acionista da FS.

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O BNDES aparece entre as instituições avaliadas para o financiamento. De acordo com a JetBio, o banco sinalizou a possibilidade de participar da operação com até US$ 500 milhões.

Exportação está nos planos

Além do mercado brasileiro, a empresa pretende direcionar uma parcela significativa da produção ao exterior.

A estimativa da JetBio indica que cerca de 80% do volume de SAF ou diesel renovável poderá ser exportado. Para viabilizar essa estratégia, a companhia busca enquadrar a unidade como Zona de Processamento de Exportação (ZPE).

O modelo oferece benefícios para empresas voltadas ao comércio exterior e pode ajudar a melhorar a competitividade dos produtos fabricados na unidade.

Impacto pode chegar ao campo

Se o projeto avançar conforme o cronograma previsto, a nova planta poderá criar uma demanda adicional de grande escala por etanol.

Para o setor sucroenergético, isso representa uma alternativa de comercialização que vai além dos mercados tradicionais. Além disso, a presença de um comprador de grande porte pode ampliar as oportunidades para usinas e fornecedores.

A iniciativa também aproxima ainda mais agro e energia. Ao transformar uma matéria-prima agrícola em combustível de maior valor agregado, o projeto mostra como o etanol pode participar de novas cadeias dentro da transição energética.

Por enquanto, entretanto, a planta ainda depende das próximas etapas de investimento e financiamento. O impacto efetivo sobre a demanda por etanol só poderá ser medido quando o empreendimento avançar para a fase de construção e, posteriormente, iniciar a operação.