Resumo da notícia
- As exportações brasileiras para os EUA caíram 23,2% no início de 2026, com sete meses consecutivos de queda, impactadas por sobretaxas de até 50% impostas desde agosto de 2025.
- A Suprema Corte dos EUA eliminou as sobretaxas de 40% e 50%, substituindo-as por uma tarifa global de 10%, cujos efeitos nas exportações brasileiras devem aparecer a partir de março.
- Setores isentos das tarifas, como petróleo e café, também tiveram quedas significativas, e o déficit comercial bilateral do Brasil com os EUA aumentou 142,3%, chegando a US$ 900 milhões no bimestre.
As exportações brasileiras para os Estados Unidos enfrentam um dos momentos mais desafiadores dos últimos anos. Segundo dados inéditos do Monitor do Comércio Brasil–EUA, divulgado pela Amcham Brasil, o valor embarcado para o país norte-americano no primeiro bimestre de 2026 foi o menor para o período desde 2023.
Entre janeiro e fevereiro, as vendas externas para os EUA totalizaram US$ 4,9 bilhões, uma queda expressiva de 23,2% em comparação com o mesmo intervalo de 2025. A retração representa US$ 812 milhões a menos na balança comercial bilateral.
Somente em fevereiro, o recuo foi de 20,3% na comparação anual, atingindo US$ 2,5 bilhões. Com esse resultado, o fluxo de exportações para o mercado americano acumula agora sete meses consecutivos de queda livre. Um movimento iniciado em agosto de 2025, quando os EUA impuseram sobretaxas de importação que variaram entre 40% e 50% para uma vasta gama de produtos brasileiros.
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O efeito das tarifas e a virada na corte americana
É importante ressaltar que os números divulgados ainda não refletem a recente reviravolta judicial. No final de fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu pôr fim às sobretaxas de 40% e 50%. Substituindo-as por uma nova tarifa global de 10%. Como a decisão saiu apenas no fim do mês, os seus efeitos práticos no comércio bilateral devem começar a ser percebidos nas estatísticas a partir de março.
“Os dados de fevereiro ainda não capturam os efeitos da redução das sobretaxas decorrente da decisão da Suprema Corte. Será importante acompanhar, nos próximos meses, em que medida essa mudança contribuirá para melhorar o desempenho das exportações”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
Petróleo e café puxam queda, mesmo sem tarifas
A pressão sobre a pauta exportadora em fevereiro veio, surpreendentemente, de setores que não estavam sujeitos às tarifas. O petróleo bruto, principal item da pauta, sofreu uma queda abrupta de 80,7% nas vendas. Os combustíveis derivados também recuaram 42,2%, influenciados por questões conjunturais de mercado.
Outro destaque negativo foi o café, que, apesar de isento das sobretaxas desde novembro, viu suas exportações caírem 40% em relação a fevereiro do ano passado, contribuindo significativamente para o resultado negativo.
Já os produtos que estavam sob o guarda-chuva das tarifas mais pesadas (entre 40% e 50%) registraram uma queda de 27,4% no mês. Itens de madeira, enquadrados nas tarifas da Seção 232, tiveram retração ainda mais severa.
Déficit comercial explode
A situação é agravada pela dinâmica das importações. Embora as compras brasileiras de produtos americanos também tenham caído em fevereiro (-16,5%), a retração foi menos intensa do que a das exportações. Como resultado, o déficit do Brasil no comércio bilateral com os EUA saltou para US$ 900 milhões no bimestre. Um aumento colossal de 142,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Portanto, com esse movimento, os Estados Unidos perderam uma posição no ranking de fornecedores do Brasil, caindo para o terceiro lugar, atrás de China e Coreia do Sul.
Enquanto o mercado aguarda para ver se a nova tarifa global de 10% amenizará o impacto sobre os produtos brasileiros, a Amcham faz um alerta para o futuro. “É fundamental que os governos dos dois países avancem em entendimentos para evitar novas restrições comerciais. Especialmente no âmbito da investigação da Seção 301”, conclui Abrão Neto, destacando a necessidade de diálogo para evitar novos solavancos no comércio entre as duas nações.