Resumo da notícia
- O Brasil exportou 38,462 milhões de sacas de café na safra 2025/26, volume 15,7% menor devido a problemas climáticos, gargalos logísticos e tarifa de 50% dos EUA, mas a receita chegou a US$ 14,595 bilhões.
- A tarifa americana causou queda de 54,9% nos embarques para os EUA entre agosto e novembro, afetando fortemente as exportações, que começaram a se recuperar após remoção do imposto, mas incertezas persistem.
- Apesar da redução no volume exportado, o preço médio da saca atingiu recorde histórico de US$ 379,48, 17,4% acima da safra anterior, refletindo a venda estratégica dos produtores capitalizados.
O Brasil exportou 38,462 milhões de sacas de café na safra 2025/26, volume 15,7% menor que o registrado no ciclo anterior. Apesar da queda nos embarques, a receita das exportações de café atingiu US$ 14,595 bilhões, o segundo maior resultado da série histórica. Os dados são do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
A redução ocorreu principalmente pela menor oferta de café, reflexo das adversidades climáticas na safra 2025. Além disso, gargalos logísticos nos portos brasileiros e a tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos também limitaram os embarques.
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Em junho, o Brasil exportou 3,060 milhões de sacas de café, alta de 16,9% sobre o mesmo mês do ano anterior. No entanto, a receita cambial caiu 6%, para US$ 972,8 milhões.
No acumulado do primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras de café somaram 17,831 milhões de sacas, recuo de 8,3% em relação ao mesmo período de 2025. A receita cambial alcançou US$ 6,534 bilhões, queda de 13,3%.
Menor oferta reduz exportações de café
Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o mercado já esperava uma redução nas exportações. Após os embarques recordes de 2024, os estoques brasileiros diminuíram significativamente. Além disso, problemas climáticos reduziram a produção da safra de café 2025 e limitaram a disponibilidade do produto.
Ferreira também afirma que a infraestrutura portuária deficiente prejudicou as exportações. Segundo ele, atrasos frequentes nos principais portos impediram o embarque de centenas de milhares de sacas. Como consequência, exportadores registraram custos extras com armazenagem, pré-stacking e detentions.
Tarifa dos EUA derruba embarques de café brasileiro
Outro fator que pressionou as exportações de café do Brasil foi a tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos durante cerca de quatro meses. Entre 6 de agosto e 21 de novembro, os embarques brasileiros para o mercado americano despencaram 54,9%. Nesse intervalo, as exportações caíram de 2,917 milhões para 1,315 milhão de sacas.
Após a retirada da tarifa para a maior parte dos cafés brasileiros, os negócios começaram a se recuperar. Entretanto, Ferreira afirma que o mercado ainda enfrenta incertezas relacionadas à política comercial dos Estados Unidos.
Produtores venderam café no melhor momento
Segundo o Cecafé, muitos produtores permaneceram capitalizados após os preços elevados registrados nos últimos anos. Dessa forma, os cafeicultores comercializaram o café de maneira mais estratégica durante a entressafra. Como resultado, o ritmo das exportações permaneceu limitado.
Mesmo com menor volume embarcado, o preço médio das exportações de café atingiu recorde histórico. A média chegou a US$ 379,48 por saca, valor 17,4% superior ao registrado na safra anterior.
De acordo com Ferreira, as cotações internacionais permaneceram elevadas entre setembro de 2025 e janeiro de 2026. Além disso, os investimentos em tecnologia, inovação e qualidade continuam agregando valor ao café brasileiro.
Mercado acompanha colheita do café arábica
O presidente do Cecafé afirma que o mercado monitora a evolução da colheita do café arábica. Segundo ele, o atraso da colheita e as incertezas climáticas reduziram as vendas antecipadas dos produtores.
Além disso, a qualidade dos grãos ainda depende dos efeitos das chuvas registradas durante a colheita. Esses fatores devem influenciar o desempenho das exportações brasileiras de café ao longo da safra 2026/27.
Alemanha supera Estados Unidos entre os maiores compradores
A Alemanha assumiu a liderança entre os principais destinos do café brasileiro. O país importou 5,188 milhões de sacas, equivalente a 13,5% das exportações nacionais.
Os Estados Unidos ficaram na segunda posição, com 4,243 milhões de sacas, volume 43,2% inferior ao registrado na safra anterior. Na sequência aparecem Itália, Bélgica e Japão.
Café arábica lidera exportações brasileiras
O café arábica manteve a liderança nas exportações brasileiras. O país embarcou 29,499 milhões de sacas, volume equivalente a 76,7% do total exportado. Já os cafés canéforas (conilon e robusta) responderam por 5,031 milhões de sacas.
O café solúvel somou 3,874 milhões de sacas, enquanto o café torrado e torrado e moído representou uma pequena parcela dos embarques.
Cafés especiais ampliam participação nas exportações
Os cafés diferenciados, que incluem cafés especiais e certificados, responderam por 19,2% das exportações brasileiras de café. O Brasil embarcou 7,388 milhões de sacas desse segmento. A receita alcançou US$ 3,160 bilhões, equivalente a 21,7% do faturamento total das exportações.
A Alemanha liderou as compras, seguida por Estados Unidos, Bélgica, Holanda e Itália.
Porto de Santos concentra exportações de café
O Porto de Santos permaneceu como principal corredor das exportações brasileiras de café. O terminal embarcou 28,859 milhões de sacas, o equivalente a 75% do total exportado pelo país. Na sequência aparecem o complexo portuário do Rio de Janeiro e o Porto de Paranaguá.









