Brasil embarca 229,3 mil toneladas no mês, enquanto receita acumulada no ano cresce 14,1% e chega a US$ 14,17 bilhões
Foto: divulgação - Agência Brasil

As exportações brasileiras de carne bovina caíram 35,1% em setembro, na comparação anual. O país embarcou 229,3 mil toneladas no mês. Em setembro de 2025, o volume exportado havia alcançado 353,1 mil toneladas. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). A entidade compilou informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

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A receita das exportações também recuou em setembro. O faturamento somou US$ 1,38 bilhão, queda de 27,6%. Na comparação com agosto, o volume exportado caiu 1,8%. A receita, porém, aumentou 1,1%. A redução dos embarques está relacionada principalmente à queda das vendas para a China. O país asiático atingiu a cota de importação de carne bovina brasileira no fim de setembro.

Vendas para a China despencam

O Brasil exportou 12,9 mil toneladas de carne bovina para a China em setembro. O volume caiu 93,2% em relação ao mesmo mês de 2025. A receita dessas vendas somou US$ 75,2 milhões, recuo de 92,9% na mesma comparação.

Segundo a Abiec, a redução dos embarques reflete a salvaguarda aplicada pela China. A medida estabeleceu uma cota para as importações brasileiras de carne bovina. Os volumes que ultrapassam o limite estão sujeitos a uma sobretaxa. A cota chinesa foi atingida em 29 de setembro. A partir de 1º de outubro, passou a valer uma sobretaxa de 55% sobre os volumes excedentes. A tarifa adicional se soma à alíquota de importação já existente no mercado chinês.

O efeito sobre as exportações brasileiras já aparecia nos meses anteriores. Em junho, o Brasil exportou 317 mil toneladas de carne bovina. O volume caiu para 264 mil toneladas em julho. Em agosto, os embarques recuaram para 233 mil toneladas. Em setembro, chegaram a 229,3 mil toneladas.

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O presidente da Abiec, Roberto Perosa, havia relacionado a redução dos embarques à China em coletiva realizada em setembro. “Temos alguns alentos em outros mercados, mas eles ainda não são capazes de substituir automaticamente a demanda chinesa”, afirmou Perosa na ocasião.

Estados Unidos ampliam compras

A retração chinesa ocorreu ao mesmo tempo em que outros mercados aumentaram as compras de carne bovina brasileira. Os Estados Unidos receberam 48,3 mil toneladas em setembro. O volume cresceu 389% em relação ao mesmo mês de 2025. A receita com as vendas aos americanos alcançou US$ 313,8 milhões. O resultado representa alta de 333,8%.

O Chile também ampliou as compras. Os embarques chegaram a 19,4 mil toneladas, aumento de 87,2%. A receita para o mercado chileno somou US$ 117,5 milhões, alta de 107,7%. A Rússia recebeu 13,1 mil toneladas de carne bovina brasileira. O volume cresceu 20,5% em um ano. As vendas ao mercado russo geraram US$ 66,5 milhões. A receita aumentou 40,2%.

A União Europeia comprou 20 mil toneladas em setembro, alta de 29,7%. A receita chegou a US$ 178,7 milhões, avanço de 34,7%. No entanto, a Abiec informou que a União Europeia interrompeu os embarques de carnes e outros produtos de origem animal em setembro. A interrupção ocorreu após a entrada em vigor de novas exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos.

Receita acumulada ainda cresce

Apesar da queda registrada em setembro, o resultado acumulado do ano permanece próximo ao de 2025 em volume. Entre janeiro e setembro, o Brasil exportou 2,43 milhões de toneladas de carne bovina. O volume representa recuo de 0,5% ante as 2,44 milhões de toneladas de igual período de 2025. A receita, por outro lado, cresceu 14,1%. O faturamento acumulado chegou a US$ 14,17 bilhões.

A China continua como principal destino da carne bovina brasileira no acumulado do ano. Entre janeiro e setembro, o país recebeu 912 mil toneladas. O volume caiu 20,9% em relação ao mesmo período de 2025. A receita com as vendas para a China chegou a US$ 5,59 bilhões. O resultado representa queda de 7,8%. O mercado chinês respondeu por 37,5% do volume exportado pelo Brasil no período. Também representou 39,4% da receita obtida com as vendas externas.

Outros mercados ganham espaço

Os Estados Unidos receberam 317,4 mil toneladas de carne bovina brasileira entre janeiro e setembro. O volume aumentou 45% na comparação anual. A receita chegou a US$ 2,08 bilhões, alta de 60,8%.

O Chile recebeu 126,7 mil toneladas no período. O volume cresceu 38,2%, enquanto a receita aumentou 54,4%, para US$ 768 milhões. A Rússia importou 109,4 mil toneladas de carne bovina brasileira. O volume cresceu 28,6% e a receita avançou 45,7%, para US$ 531,8 milhões.

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A União Europeia acumulou compras de 107,1 mil toneladas entre janeiro e setembro.  A receita chegou a US$ 942,8 milhões. Os resultados representam altas de 27% e 37,9%, respectivamente. O acumulado europeu inclui, porém, o período anterior à interrupção dos embarques em setembro.

A Indonésia também ampliou as compras. O país recebeu 64,7 mil toneladas, alta de 294,8%. A receita com o mercado indonésio chegou a US$ 179,7 milhões, crescimento de 136,1%. Arábia Saudita, Argentina, Turquia e Jordânia também registraram crescimento nas compras acumuladas até setembro.

Indústria se prepara para próxima cota

Com a aproximação do fim do ano, a indústria brasileira começa a se preparar para negociações destinadas ao próximo ciclo da cota chinesa. Segundo Roberto Perosa, as empresas devem iniciar a programação das vendas entre outubro e novembro. “Este ano nós já sabemos das cotas e as empresas começam a se programar para vender para a China em meados de outubro e novembro, a depender dos contratos com os navios, para que o produto chegue no próximo ciclo”, disse Perosa.

A Abiec também defende a distribuição dos embarques ao longo do ano. “No começo do ano, discutimos com o governo uma forma de diluir os embarques ao longo do período. Essa conversa continua, porque, do ponto de vista de negócio, o melhor seria distribuir essas vendas ao longo do ano.”

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Carne in natura lidera embarques

A carne bovina in natura representou 85,1% do volume exportado pelo Brasil em setembro. Foram embarcadas 195,2 mil toneladas, com receita de US$ 1,23 bilhão. Os miúdos somaram 16,3 mil toneladas e US$ 39,2 milhões.

Os produtos industrializados responderam por 9 mil toneladas e US$ 85,3 milhões. As exportações de gorduras totalizaram 5,3 mil toneladas e US$ 12 milhões. As tripas somaram 3 mil toneladas e US$ 10,7 milhões. Já as carnes salgadas representaram 474 toneladas e geraram US$ 3,6 milhões.