Resumo da notícia
- O pescador e influencer Rony Dronov flagrou uma sucuri esmagando um peixe armal às margens do rio Dourado, mostrando a interação entre o maior predador aquático do Pantanal e uma presa com defesas poderosas.
- A sucuri, que mata por constrição, enfrenta risco ao capturar o armal, um peixe blindado com placas e ferrões capazes de perfurar órgãos internos, já causando mortes de serpentes na região.
- O rio Dourado, no sul de Mato Grosso do Sul, é parte da bacia do Pantanal e abriga grande diversidade de fauna aquática, onde esses encontros raros entre predadores e presas defensivas ocorrem.
Um flagrante raro da natureza chamou atenção nas redes sociais: o pescador, guia de pesca e influencer Rony Dronov registrou o momento em que uma sucuri esmagava um peixe armal às margens do rio Dourado, na região de Porto Vilma, município de Deodápolis, no Mato Grosso do Sul. As imagens mostram a serpente em plena ação de caça. E revelam um duelo que poucos esperariam ver: o maior predador aquático do Pantanal frente a frente com um peixe de defesas poderosas o suficiente para matar.
A sucuri pertence ao gênero Eunectes e figura entre as maiores serpentes do mundo em massa corporal. Sem peçonha, ela mata por constrição: prende a presa com os dentes, envolve o corpo ao redor dela e aumenta a pressão até causar parada cardíaca. A sucuri-verde, espécie mais comum e estudada, pode atingir até sete metros de comprimento e pesar mais de 130 quilos, embora animais com mais de cinco metros sejam raros de se encontrar.
No cardápio habitual dessa serpente entram peixes grandes, aves aquáticas, capivaras e até jacarés jovens. A sucuri gigante ocupa o topo da cadeia alimentar nos rios, corixos e áreas alagadas do Pantanal, com estratégia de caça baseada na emboscada: o animal permanece quase totalmente submerso, ataca com rapidez e envolve a presa com o corpo.
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Mas o armal não é uma presa qualquer.
O peixe pré-histórico blindado
Conhecido cientificamente como Pterodoras granulosus, o armal, também chamado de abotoado, armado ou bacu-pedra, pertence à família dos Doradídeos e aparece em vários rios brasileiros. Nos rios de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, habita poços fundos e pode atingir 70 cm de comprimento.

O armal possui uma capa protetora na cabeça, dois ferrões laterais e um ferrão dorsal, características raras entre as espécies de peixes brasileiros. Os ferrões e o dorsal podem causar lesões graves em pessoas desavisadas ou que manuseiem o peixe de forma inadequada.
Essas defesas físicas funcionam de maneira passiva. As placas endurecidas se projetam para fora do corpo e os ferrões são capazes de causar perfurações profundas, sem que o peixe precise reagir ativamente. O risco para predadores está justamente na possibilidade de cortes e perfurações internas ao engolir o animal.
Em casos já documentados na região, essa armadura se mostrou fatal para a própria sucuri. Registros anteriores no rio Dourado mostram que sucuris morreram após engolir um armal inteiro, com o abdômen excessivamente inchado e os órgãos internos perfurados pelas placas e ferrões da presa. O episódio flagrado por Rony Dronov mostra exatamente esse risco: a serpente em ação contra um dos poucos peixes capazes de virar o jogo.
O rio Dourado e a fauna do Pantanal sul-mato-grossense
O rio Dourado, que corta a região de Deodápolis e Naviraí no sul de Mato Grosso do Sul, integra a bacia hidrográfica do Pantanal e concentra grande diversidade de fauna aquática e semiaquática. A área de Porto Vilma, onde Rony Dronov fez as imagens, é ponto frequentado por pescadores esportivos justamente pela riqueza de espécies.
Avistamentos de sucuris de grande porte às margens do rio Dourado não são incomuns. Recentemente, outra sucuri chamou atenção de pescadores ao aparecer descansando na margem do rio, aparentemente em processo de digestão após se alimentar. A presença constante desses animais reforça a preservação do ecossistema na região.
Preservar é essencial
Especialistas reforçam que é um mito que sucuris atacam pessoas. Não há registros históricos comprovados de sucuris que tenham comido humanos no Brasil. E esses animais, apesar do tamanho, têm temperamento tranquilo e preferem fugir a atacar.
Sucuris, como qualquer animal silvestre, não devem ser mortas. Ao preservar a fauna e a flora, é possível continuar a prática da pesca como a conhecemos. A Lei nº 9.605/1998 prevê detenção de 6 meses a 1 ano, além de multa, para quem matar, perseguir, caçar ou apanhar espécimes da fauna silvestre.
O flagrante de Rony Dronov, além de render imagens impressionantes, serve como lembrete do que o Pantanal esconde: disputas silenciosas, predadores imponentes e presas que surpreendem. A natureza, como sempre, não precisa de roteiro.