Resumo da notícia
- O avanço tecnológico no agro gaúcho tem ampliado a produtividade mesmo diante de desafios como estiagens, pragas e plantas daninhas, segundo Vinícius Faião, diretor da Bayer, na 49ª Expointer.
- A discussão na Expointer destacou que a inovação no campo envolve biotecnologia, agricultura digital, saúde do solo e novas variedades, oferecendo um conjunto de soluções para decisões mais precisas na produção.
- Nos últimos dez anos, a produção de soja no Rio Grande do Sul cresceu de 12,9 para 20 milhões de toneladas, graças ao manejo e uso de tecnologias, sem aumento proporcional da área cultivada.
O avanço da tecnologia no agro gaúcho tem ajudado produtores a ampliar a produtividade mesmo diante de desafios como estiagens, seca, pragas e plantas daninhas. A avaliação é de Vinícius Faião, diretor de Licenciamento de Soja da Bayer, que participou do painel “Biotecnologia e Insumos Inteligentes: Produzir mais com menor impacto”, realizado durante a 49ª Expointer, em Esteio, no Rio Grande do Sul.
O debate integrou a programação do espaço South Summit na feira e reuniu representantes de empresas e do setor produtivo. Além de Faião, participaram Mauricio Schneider, CEO da AEGRO; Leonardo Gomes, cofundador e CEO da B4A; e Murilo Teixeira, sócio-fundador da Sologen e sócio-diretor da Estância Cerro do Ouro.
Para Faião, entretanto, a discussão sobre inovação vai além de uma tecnologia específica. O objetivo é reunir diferentes ferramentas capazes de responder às necessidades do agricultor e melhorar as condições de produção.
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Tecnologia busca responder aos desafios do campo
Segundo o executivo, o espaço South Summit na Expointer permite aproximar empresas, agricultores e outros integrantes da cadeia produtiva. A proposta também é discutir os caminhos da agricultura no Rio Grande do Sul e apresentar tecnologias em desenvolvimento.
“A Bayer é uma empresa que investe, globalmente, mais de 2 bilhões de euros por ano em inovação, mas sempre com o objetivo de trazer inovações que atendam as necessidades do agricultor”, afirmou.
Entre os temas apresentados durante o encontro esteve a biotecnologia. Faião citou a Intacta 2-Extend como uma das ferramentas disponíveis aos produtores para o manejo de pragas e plantas daninhas na soja.
A estratégia, porém, não se limita à biotecnologia. O diretor também destacou a agricultura digital, a saúde do solo, produtos de proteção de cultivos e o desenvolvimento de novas variedades.
De acordo com ele, a combinação dessas tecnologias pode ajudar o produtor a tomar decisões mais precisas durante a safra. “Não temos uma bala de prata, mas um conjunto de soluções”, disse.
Nesse cenário, a genética aparece como uma das primeiras etapas para adaptar a produção às condições de cada região. A Bayer mantém duas estações no Rio Grande do Sul voltadas ao desenvolvimento de variedades e genética específicas para o Estado.
“A gente tem aqui as nossas estações buscando investir nessas tecnologias”, afirmou Faião.
Produção cresce sem avanço proporcional da área
O executivo também relacionou o uso de tecnologia ao crescimento da produção agrícola no Rio Grande do Sul. Segundo os dados apresentados por ele, o Estado passou de aproximadamente 12,9 milhões de toneladas de soja para cerca de 20 milhões de toneladas nos últimos dez anos.
Para Faião, o aumento demonstra a importância do manejo e da adoção de tecnologias no campo, já que o crescimento da produção não ocorreu apenas pela abertura de novas áreas.
“O Rio Grande do Sul não abriu muitas áreas. É muito o entendimento disso, de usar tecnologia, entender o melhor manejo”, afirmou.
A mesma relação, segundo ele, pode ser observada no Brasil. Na comparação apresentada durante o painel, a produção brasileira cresceu cerca de cinco vezes desde o fim dos anos 1990, enquanto a área avançou aproximadamente 3,6 vezes.
Assim, o aumento da produtividade está associado a uma combinação de fatores. Entre eles estão a escolha da genética, o manejo do solo, o uso adequado de produtos e a tomada de decisão baseada em informações.
“O papel da Bayer e da tecnologia é fazer com que ele produza mais e melhor”, afirmou.

Mudanças climáticas aumentam necessidade de soluções
As condições climáticas também estão entre os principais desafios para a agricultura. No Rio Grande do Sul, as últimas safras foram marcadas por situações que reforçaram a necessidade de alternativas para lidar com períodos de estiagem e seca.
Faião afirmou que o desenvolvimento de tecnologias precisa considerar as características de cada região. Nesse processo, a genética pode contribuir com variedades adaptadas a diferentes ciclos, doenças e condições específicas de produção.
A biotecnologia também entra nesse conjunto. Entre os desafios citados pelo executivo estão o controle de lagartas e de plantas daninhas de difícil manejo, como o caruru.
Além disso, práticas de conservação do solo podem contribuir para a estabilidade do sistema produtivo. O executivo citou o plantio direto, o uso de bioinsumos e o conhecimento sobre a microbiota do solo como exemplos de tecnologias e práticas utilizadas pelos agricultores.
“O agricultor brasileiro é muito conservacionista, ele conserva muito solo”, afirmou.
Para o diretor, a capacidade do produtor de testar e incorporar novas ferramentas também tem papel importante nesse processo. No caso do Rio Grande do Sul, ele destacou a trajetória de adoção da biotecnologia na soja, desde a Soja RR até a Intacta RR2 Pro e, atualmente, a Intacta 2.
Sementes certificadas entram na estratégia
Além das tecnologias desenvolvidas para o manejo da lavoura, a Bayer lançou neste ano uma campanha voltada à aquisição de sementes certificadas por agricultores do Rio Grande do Sul.
A iniciativa, segundo Faião, permite a compra de sementes certificadas de multiplicadores do Estado com descontos. O benefício informado é de R$ 40 por saco de semente e de R$ 1 mil por bag.
A proposta é auxiliar o produtor em um momento de desafios nas últimas safras e estimular o uso de sementes de qualidade desde o início do ciclo.
“É uma forma também de ajudar o agricultor gaúcho nesse momento para que ele use semente de qualidade e comece a safra de maneira certa”, afirmou.