Operação-piloto em porto do RN mira 100 mil animais/ano, caso no México mostra risco real de travar exportação
gado de corte
Foto: Wenderson Araujo - Sistema CNA Senar

O Rio Grande do Norte entra, em 2026, no mercado internacional de exportação de bovinos vivos. O estado conta com o Porto de Natal habilitado pelo Mapa e com um plano estadual que mira até 100 mil animais embarcados por ano. Essa entrada na rota comercial abre nova frente de negócios para a pecuária potiguar, mas também eleva a pressão sobre a vigilância sanitária.

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Além disso, a reabertura parcial, em agosto de 2026, das importações de gado mexicano pelos EUA, após mais de um ano de suspensão por causa da bicheira mostra como um problema sanitário pode interromper fluxos e encarecer operações.

Oportunidade no RN

O Porto de Natal já foi habilitado pelo Mapa para exportar animais vivos, e o primeiro embarque-teste prevê cerca de 3,3 mil bovinos com destino ao Líbano. O governo potiguar, por sua vez, planeja chegar a até 10% do mercado brasileiro, o que equivaleria a cerca de 100 mil animais por ano.

Para alcançar esse objetivo, a operação exige adaptação da cadeia logística. Dessa forma, serão necessários investimento em EPEs, treinamento de equipes e protocolos de rastreio, sob risco de perder mercados caso ocorram falhas sanitárias ou de bem-estar.

Regras da exportação

No Brasil, a exportação de bovinos vivos segue regras rígidas. Antes de tudo, o exportador precisa verificar as regras do país de destino. Em seguida, os animais devem passar por quarentena em Estabelecimentos de Pré-Embarque (EPE), sob fiscalização do SVO (Mapa e defesa estadual). Durante esse período, os bovinos realizam exames e recebem o Certificado Zoossanitário Internacional (CZI), além de identificação individual. Por fim, o transporte ocorre em caminhões lacrados entre EPE e porto, com GTA. No RN, atuam Idiarn e Vigiagro nesse processo.

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Caso o exportador descumpra essas normas, ele pode enfrentar barreiras comerciais, devoluções de embarques e suspensão temporária. Consequentemente, essa situação afeta a reputação do estado no mercado internacional.

Lição do México–EUA

Os EUA reabriram, em agosto de 2026, a fronteira para gado mexicano de forma escalonada. Ao mesmo tempo, as autoridades impuseram inspeções reforçadas e mantiveram o uso da técnica do inseto estéril. Entretanto, o fluxo pode ser interrompido se o quadro sanitário piorar. Segundo estimativas, uma disseminação da bicheira causaria até US$ 1 bilhão em perdas só no Texas. Por outro lado, a reabertura pode permitir ao México exportar até 200 mil bovinos em 2026, movimentando cerca de US$ 420 milhões.

Esse caso, portanto, reforça que a confiança sanitária funciona como moeda de troca no comércio internacional. Dessa maneira, países compradores monitoram indicadores de saúde animal e podem suspender importações diante de sinais de risco.

Bem-estar e pressão regulatória

Entidades como a Mercy For Animals alertam, constantemente, para riscos de estresse, doenças e mortes em viagens marítimas. Além disso, há projetos em tramitação no Congresso que buscam proibir a exportação marítima de animais vivos.

Como resultado, a pressão por padrões mais rigorosos de bem-estar tende a aumentar. Dessa forma, mercados mais exigentes, como Europa e Oriente Médio, podem passar a exigir certificações específicas para permitir o acesso de embarques.

Desafio para o RN

Se o RN pretende chegar a 100 mil bovinos exportados por ano, a infraestrutura de vigilância precisará crescer na mesma proporção. Para isso, o estado deverá expandir EPEs, reforçar equipes do Idiarn, integrar ações com o Vigiagro e aprimorar rastreio e protocolos de bem-estar.

Caso o planejamento não acompanhe o ritmo de crescimento, o estado corre o risco de criar gargalos operacionais. Consequentemente, esses gargalos podem comprometer prazos, aumentar custos e reduzir a competitividade frente a outros exportadores nacionais.