Resumo da notícia
- A incidência do greening no cinturão citrícola de SP e Triângulo Mineiro teve o menor avanço em nove anos, subindo apenas 0,45 ponto em 2026, mas a doença ainda permanece em níveis elevados, exigindo controle contínuo.
- Em 2025, foram inspecionadas 222,7 milhões de plantas cítricas e eliminadas 4,42 milhões, enquanto novas regras obrigam cadastro e monitoramento das propriedades para conter a disseminação do greening no Estado.
- O Governo de SP oferece crédito de R$ 30 milhões para renovação ou mudança de cultura por citricultores afetados, e a pesquisa segue com investimentos de R$ 90 milhões para desenvolver tecnologias contra a doença.
O greening teve em 2026 o menor avanço em nove anos no cinturão citrícola de SP e do Triângulo/Sudoeste Mineiro. Segundo o Fundecitrus, a incidência subiu de 47,63% em 2025 para 48,08%, alta de apenas 0,45 ponto, bem abaixo dos 3,28 pontos do levantamento anterior.
A entidade alerta que a incidência segue elevada e que a severidade, principalmente em árvores mais velhas, exige continuidade no controle.
O que os números mostram
O avanço de 0,45 ponto em 2026 contrasta com os 3,28 pontos de 2025 e os 6,27 de 2024, segundo o Fundecitrus. Além disso, São Paulo responde por cerca de 80% da produção brasileira de laranja e, em 2025, o grupo de sucos foi o terceiro principal segmento das exportações do agronegócio paulista, com US$ 2,98 bilhões, dos quais 97,9% em suco de laranja.
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Para o setor, o resultado indica que manejo e fiscalização podem estar contendo a velocidade de disseminação, mas não revertem a pressão da doença no parque citrícola.
Fiscalização, regras e eliminação de plantas
Em 2025, a Defesa Agropecuária inspecionou aproximadamente 222,7 milhões de plantas e eliminou 4,42 milhões; entre 2023 e 2025, foram 667 milhões inspecionadas e 14,1 milhões eliminadas. Paralelamente, em 2025, o Estado proibiu em todo o território paulista a produção, o plantio, o comércio, o transporte e o uso ornamental da murta (Murraya paniculata), planta hospedeira da bactéria e do psilídeo.
Em maio de 2026, uma nova resolução tornou obrigatório o cadastro das propriedades com plantas cítricas e estabeleceu regras de monitoramento e controle. A legislação diferencia os municípios pela incidência do greening e mantém o controle do psilídeo obrigatório em todo o Estado.
Crédito para renovar pomar ou mudar de cultura
O Governo de SP disponibiliza crédito aos citricultores por meio do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP). No ciclo 2026/27, a linha Produção Vegetal Sustentável Paulista contempla investimentos para implantação e renovação de pomares cítricos, incluindo despesas com erradicação de áreas atingidas pelo greening ou em final de ciclo produtivo.
Além disso, o financiamento atende tanto o produtor que pretende permanecer na citricultura, renovando ou implantando um novo pomar, quanto quem precisa erradicar área comprometida e optar por outra cultura. A linha integra o novo ciclo do FEAP, lançado em 2026, e conta com R$ 30 milhões destinados à Produção Vegetal Sustentável Paulista.
Pesquisa e inovação
A pesquisa é outro eixo permanente do enfrentamento ao greening em São Paulo, reunindo instituições públicas, universidades e setor privado na busca por novas tecnologias e alternativas de manejo. Entre as iniciativas está o Centro de Pesquisa Aplicada em Citros (CPA Citros), que mobiliza cerca de R$ 90 milhões em investimentos públicos e privados, com participação do Centro de Citricultura “Sylvio Moreira”, do Instituto Agronômico (IAC), em Cordeirópolis.
Outrossim, o trabalho envolve ainda Fapesp, universidades, Fundecitrus, CitrusBR e outros representantes da cadeia para integrar pesquisa genética, manejo e sanidade vegetal no enfrentamento ao HLB.
Período crítico e alerta de severidade
O Fundecitrus alerta que, entre agosto e novembro, o aumento das brotações favorece a alimentação, a multiplicação e a migração do psilídeo, elevando o risco de disseminação do greening. Por isso, recomenda redobrar os cuidados nesse período.
Segundo a entidade, a menor evolução da doença em 2026 está associada à melhora no controle do psilídeo, à renovação dos pomares e a condições climáticas menos favoráveis. Mesmo com a desaceleração, a incidência permanece elevada e a severidade em alta exige continuidade das medidas de controle.