Novas autorizações comerciais alcançam 99 destinos desde 2023; governo projeta expansão das vendas internacionais nos próximos anos
Contêineres e navio cargueiro em porto brasileiro representam a expansão das exportações do agronegócio.
Foto: divulgação - Porto de Santos

O agronegócio brasileiro alcançou a marca de 700 aberturas de mercados internacionais desde janeiro de 2023, distribuídas entre 99 destinos. Segundo estimativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o país já exportou US$ 5,8 bilhões para os mercados que passaram a receber produtos nacionais nesse período.

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O governo federal apresentou os números nesta terça-feira (13), durante cerimônia no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em Brasília. As autorizações abrangem diferentes produtos agropecuários e representam novas oportunidades comerciais para produtores, cooperativas e agroindústrias.

A ApexBrasil estima que as exportações para esses mercados possam alcançar US$ 80 bilhões nos próximos quatro anos. O valor representa uma projeção, não contratos de venda já confirmados.

O que representam as 700 aberturas de mercado?

Apesar do número expressivo, as 700 aberturas não significam que o Brasil passou a exportar para 700 países diferentes.

O levantamento considera autorizações para produtos específicos, concedidas por autoridades sanitárias e comerciais de outros países. Assim, um mesmo destino pode representar várias aberturas, dependendo dos produtos que passa a aceitar.

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Na prática, essas autorizações permitem que empresas brasileiras negociem mercadorias que anteriormente não tinham acesso àqueles mercados.

A abertura, entretanto, não garante vendas imediatas. Para transformar a autorização em exportações, os fornecedores precisam encontrar compradores, atender às exigências comerciais e cumprir as regras sanitárias de cada destino.

Entre as autorizações recentes está a concedida pela China para a importação de miúdos suínos brasileiros, citada pelo ministro da Agricultura, André de Paula, durante o anúncio.

Exportações para a União Europeia crescem 30,7%

O avanço comercial brasileiro também aparece nas relações com a União Europeia.

Entre maio e setembro de 2026, as exportações brasileiras para o bloco europeu cresceram 30,7% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados apresentados pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

O período coincide com os primeiros cinco meses de vigência provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que começou a valer em 1º de maio, após quase 27 anos de negociações.

De janeiro a setembro, as vendas brasileiras para a União Europeia somaram US$ 44,17 bilhões, crescimento de 20% na comparação com os nove primeiros meses do ano passado.

Os números abrangem as exportações brasileiras de diferentes setores, incluindo produtos industriais, e não apenas mercadorias agropecuárias.

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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também destacou o desempenho comercial entre os dois blocos.

“As exportações brasileiras tiveram uma alta de 10,4% em 2026. Só o acordo Mercosul-União Europeia, de maio até agora, significou uma expansão de 30% das nossas exportações”, declarou Vieira.

Segundo o chanceler, o comércio bilateral entre Mercosul e União Europeia aumentou mais de US$ 6 bilhões desde a aprovação e a entrada em vigor do tratado.

Governo projeta safra de 366 milhões de toneladas

Durante a cerimônia, André de Paula também apresentou projeções para a produção agropecuária brasileira.

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Segundo o ministro, a safra 2026/27 deve alcançar 366 milhões de toneladas.

“Planejamos chegar a 29% do PIB agropecuário neste ano. A safra 2026/27 deve ter 366 milhões de toneladas”, afirmou.

O ministro também declarou que o governo pretende encerrar 2026 com o Brasil na liderança mundial das exportações de alimentos.

“Exportamos US$ 169 bilhões no acumulado do ano, US$ 2 bilhões abaixo dos Estados Unidos, mas terminaremos o ano como maior exportador de alimentos”, declarou.

A afirmação representa uma expectativa do governo, e não uma posição já confirmada no comércio internacional.

De Paula também comparou o ritmo de abertura de mercados entre diferentes administrações federais.

“Foram 700 aberturas de mercado contra 241 do governo anterior”, afirmou.

Novos destinos ampliam alternativas para o agronegócio

A diversificação dos mercados internacionais pode reduzir a dependência de determinados compradores e ampliar as alternativas comerciais para produtos brasileiros.

Esse movimento ganha importância em um cenário de disputas tarifárias, mudanças nas exigências sanitárias e tensões comerciais entre grandes economias.

Para o produtor rural, os efeitos dependem da capacidade de cada cadeia produtiva de aproveitar as novas oportunidades. A ampliação do acesso internacional pode estimular a demanda, mas os resultados variam conforme os preços, os custos logísticos e a competitividade dos produtos.

O governo também pretende ampliar as negociações sanitárias com outros países.

Além da autorização chinesa para miúdos suínos, o Ministério da Agricultura acompanha novas possibilidades de acesso internacional para produtos agropecuários brasileiros.