Produção e exportações chinesas avançam e ampliam a concorrência com o Brasil no mercado internacional de carne de frango
China passa de grande cliente a concorrente do Brasil no mercado de frango
Foto de JK Sloan na Unsplash

A produção de frango da China ganha espaço no comércio internacional e pode ampliar a concorrência com o Brasil. O país asiático aumentou as vendas externas e vem expandindo sua capacidade produtiva, movimento que pode mudar a disputa por compradores em diferentes mercados.

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Apesar desse avanço, o Brasil mantém uma vantagem expressiva nas exportações. Em 2025, o país embarcou 5,324 milhões de toneladas de carne de frango, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

China amplia exportações de frango

A expansão chinesa já aparece nos números do comércio exterior. Segundo o Serviço de Agricultura Estrangeira do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a China exportou 546 mil toneladas de carne de frango entre janeiro e maio de 2026, alta de 51% em relação ao mesmo período de 2025.

O relatório também projeta que a produção chinesa alcance 19 milhões de toneladas em 2027. Esse volume representa uma previsão, e não um resultado já registrado. Segundo a análise do USDA, o aumento da produção supera o crescimento da demanda interna, o que favorece as exportações e reduz a necessidade de importações.

Com mais carne disponível, a China pode ampliar sua presença em mercados atendidos por fornecedores tradicionais. Ainda assim, esse avanço não significa que o país esteja prestes a superar o Brasil.

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Brasil mantém liderança nas exportações

Os dados da ABPA confirmam a força da avicultura brasileira. Em setembro de 2026, o país exportou 500,3 mil toneladas de carne de frango. No acumulado de janeiro a setembro, os embarques chegaram a 4,421 milhões de toneladas.

Esses números reforçam a dimensão da presença brasileira no mercado internacional. Além da escala produtiva, o país conta com uma rede consolidada de compradores e atende a diferentes regiões.

Por isso, embora a expansão chinesa mereça atenção, a diferença entre os volumes exportados permanece expressiva. O desafio para o Brasil será preservar sua competitividade diante de um concorrente que amplia gradualmente a oferta e busca novos mercados.

Diferenças no consumo mantêm oportunidades comerciais

As preferências por diferentes cortes ajudam a explicar a relação entre os dois países. A reportagem de referência destaca a demanda chinesa por pés e asas, enquanto outros cortes encontram oportunidades em mercados externos.

Essa diferença pode favorecer o comércio internacional, já que a procura varia conforme os hábitos alimentares e as características de cada mercado. Dessa forma, o aumento da produção chinesa não elimina automaticamente a necessidade de importar todos os tipos de cortes.

Além disso, os preços, os custos de produção e as exigências sanitárias influenciam a escolha dos fornecedores. Portanto, a competitividade depende não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de atender às necessidades dos compradores.

Concorrência exige atenção dos exportadores brasileiros

Com a ampliação das exportações chinesas, os frigoríficos brasileiros poderão enfrentar uma disputa maior por clientes internacionais. O impacto dependerá do ritmo de crescimento da oferta asiática, da demanda mundial e dos preços praticados pelos dois países.

Nesse cenário, a avicultura brasileira precisa manter a eficiência produtiva e fortalecer sua presença em diferentes destinos. A diversificação comercial também ajuda a reduzir a dependência de compradores específicos e oferece alternativas quando a demanda de determinado mercado diminui.

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A China, entretanto, ainda não representa uma ameaça comprovada à liderança brasileira no curto prazo. O Brasil mantém volumes expressivos de exportação, enquanto a demanda chinesa continua abrindo oportunidades para a proteína nacional.

Assim, o crescimento chinês deve ser visto como um possível fator de intensificação da concorrência, e não como uma substituição iminente do Brasil. A evolução desse cenário dependerá da produção, do consumo e da capacidade de conquistar compradores no mercado internacional.