Setor estima gasto de R$ 1,4 trilhão em três décadas com compras externas e defende ampliar a produção nacional de insumos agrícolas
Fertilizantes em um galpão
Fertilizantes em um galpão. Foto: Wenderson Araujo

O Brasil importa cerca de 90% dos nutrientes necessários para a agricultura, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert). Diante dessa dependência, a indústria cobra investimentos para ampliar a produção nacional de fertilizantes, fortalecer o abastecimento e reduzir a exposição do agronegócio às crises internacionais.

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Em carta aberta divulgada em 13 de outubro, durante o Dia Mundial dos Fertilizantes, a entidade apresentou cinco compromissos para impulsionar a reindustrialização brasileira. O documento destaca os riscos da dependência externa e defende medidas para ampliar a capacidade produtiva, estimular a inovação e tornar a cadeia industrial mais sustentável.

Embora o Brasil esteja entre os principais produtores de alimentos do mundo, a necessidade de importar grande parte dos fertilizantes deixa o setor agrícola vulnerável a conflitos geopolíticos, sanções econômicas e restrições de abastecimento. Por isso, o sindicato considera estratégico fortalecer a indústria nacional.

Importação de fertilizantes movimenta cifras bilionárias

Segundo estimativa apresentada pelo Sinprifert, o Brasil acumulou aproximadamente R$ 1,4 trilhão em gastos com fertilizantes importados ao longo de três décadas, em valores atualizados.

Para a entidade, esse montante evidencia a dimensão econômica da questão e a oportunidade de ampliar os investimentos industriais no país. O fortalecimento da produção interna pode estimular a geração de empregos, renda e tecnologia, além de ampliar a participação brasileira na cadeia de valor dos fertilizantes.

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Esses insumos fornecem nutrientes essenciais ao desenvolvimento das plantas e contribuem para a produtividade das lavouras. Consequentemente, problemas de abastecimento e aumentos de preços podem elevar os custos de produção agrícola e pressionar a rentabilidade dos produtores rurais.

Os efeitos também alcançam outras atividades, como a pecuária, que utiliza grãos na fabricação de rações, e a produção de biocombustíveis e celulose. Dessa forma, o acesso aos fertilizantes influencia diferentes segmentos do agronegócio e integra o debate sobre a segurança alimentar.

Além disso, o Sinprifert aponta oportunidades para a indústria em áreas como terras raras, fabricação de baterias e desenvolvimento do hidrogênio verde. Para aproveitar esse potencial, o Brasil precisa ampliar os investimentos e desenvolver tecnologias competitivas.

Dependência externa expõe o agronegócio a riscos

A necessidade de importar fertilizantes deixa o Brasil sujeito às oscilações do mercado internacional. Quando conflitos, sanções ou dificuldades logísticas afetam os fornecedores, o país pode enfrentar pressões sobre os preços e riscos para o abastecimento.

Nesse cenário, os produtores rurais precisam considerar os custos dos insumos no planejamento das safras. Afinal, os fertilizantes representam um componente importante do investimento necessário para manter a produtividade das lavouras.

Entretanto, ampliar a fabricação de fertilizantes no Brasil exige mais do que construir novas unidades industriais. O país também precisa investir em pesquisa, infraestrutura, tecnologia e eficiência no uso dos nutrientes.

Ao mesmo tempo, o desenvolvimento de soluções adaptadas aos solos e ao clima brasileiros pode contribuir para melhorar o aproveitamento dos fertilizantes. Assim, o setor poderá buscar maior eficiência produtiva e reduzir desperdícios.

Sinprifert apresenta cinco compromissos para o Brasil

A carta aberta do Sinprifert reúne cinco compromissos para fortalecer a indústria brasileira de fertilizantes e ampliar sua contribuição para a economia nacional.

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1. Ampliar os investimentos internos

O primeiro compromisso busca transformar os recursos naturais brasileiros em produtos de maior valor agregado no próprio país. A proposta prevê estimular fábricas, empregos, renda e desenvolvimento tecnológico nas regiões onde as empresas atuam.

2. Recuperar a fertilidade dos solos

A segunda frente propõe desenvolver soluções para os solos, o clima e os desafios específicos da agricultura brasileira. Entre as prioridades estão a recuperação de pastagens degradadas e o aumento da eficiência produtiva no campo.

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3. Reduzir os impactos ambientais

O terceiro compromisso busca diminuir a pegada ambiental da cadeia de fertilizantes. Para isso, a entidade destaca o uso de energia renovável na produção de amônia, o aproveitamento de subprodutos, como biometano e fosfogesso, e a melhoria da logística.

4. Avançar nas tecnologias de nutrição agrícola

A quarta proposta pretende consolidar o Brasil também como referência em tecnologias de nutrição vegetal. A intenção é aproveitar a experiência nacional em agricultura tropical para desenvolver soluções inovadoras e melhorar a eficiência no uso dos insumos.

5. Concretizar as diretrizes do Plano Nacional de Fertilizantes

O quinto compromisso reafirma a defesa da industrialização nacional e da implementação das diretrizes do Plano Nacional de Fertilizantes. Estabelecido pelo Decreto nº 10.991/2022, o plano orienta ações para reduzir a dependência externa e desenvolver a cadeia brasileira de fertilizantes.

Produção nacional exige investimentos e planejamento

Fortalecer a indústria brasileira pode ajudar a reduzir a exposição do agronegócio às oscilações internacionais. No entanto, ampliar a produção interna depende de investimentos, viabilidade econômica, inovação tecnológica e condições favoráveis para a implantação e a operação de unidades industriais.

Além disso, a expansão da oferta nacional não garante automaticamente fertilizantes mais baratos. Os preços também dependem dos custos de produção, da logística, da concorrência e das condições do mercado internacional.

Por isso, a estratégia defendida pelo setor combina ampliação da capacidade industrial, desenvolvimento tecnológico e sustentabilidade. Essas frentes podem contribuir para melhorar a segurança do abastecimento e fortalecer a competitividade agrícola.

Ao apresentar os cinco compromissos, o Sinprifert também pede a união da sociedade e dos setores produtivos em torno de uma estratégia de longo prazo. A entidade defende que o país amplie sua capacidade de produzir insumos e gere mais valor dentro do território nacional.

Para o agronegócio brasileiro, o desafio é conciliar o acesso aos fertilizantes, custos competitivos e produtividade. Nesse contexto, reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros é uma das metas defendidas pela indústria para fortalecer a produção agrícola nacional.