Subtítulo: Água, nutrição e sanidade da lavoura definem o pegamento das flores
Foto: divulgação - CNA

O manejo da florada do café decide o rumo da safra seguinte. Entre setembro e novembro, regiões como Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rondônia e São Paulo entram nessa fase. Nesse momento, água, nutrição e sanidade da lavoura definem quantas flores se transformam em fruto.

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O cafeeiro percorre uma sequência de etapas até transformar os botões florais em chumbinhos, os frutos jovens. Por isso, o produtor precisa preparar a lavoura antes da abertura das flores. Além disso, ele deve manter atenção constante nas semanas seguintes, já que estresses hídricos, nutricionais ou fitossanitários podem provocar abortamento.

Como a florada se forma

A planta forma os botões florais durante o período seco do inverno, quando reduz o crescimento vegetativo. Em seguida, ela mantém os botões nas axilas das folhas até receber o estímulo para abrir geralmente, a primeira chuva forte ou uma lâmina de irrigação.

As flores nascem brancas e, na maioria dos casos, realizam a autofecundação. Poucos dias depois de abrir, elas secam e dão origem aos chumbinhos. Justamente nesse intervalo, a planta fica mais sensível: qualquer estresse forte após a fecundação pode comprometer o pegamento dos frutos.

Água é o fator mais sensível

Um período seco moderado favorece a indução floral. Porém, a falta de água prolongada depois da florada aumenta o risco de perda de chumbinhos. Quando as chuvas chegam em pequenos pulsos, ou quando a irrigação falha no ajuste, a lavoura produz floradas espaçadas. Consequentemente, a colheita fica mais difícil de planejar e a qualidade pode cair.

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Por outro lado, uma seca prolongada após uma grande florada tende a causar abortamento, já que a planta não consegue sustentar todos os frutos novos. Nas lavouras irrigadas, o produtor pode reduzir levemente a lâmina antes da florada e, depois, aplicar uma lâmina maior para concentrar a abertura das flores. Já nas áreas de sequeiro, a cobertura morta e o terraceamento ajudam a reter a umidade disponível no solo.

Nutrição prepara a planta

O nitrogênio sustenta o crescimento das folhas e alimenta a fotossíntese. Em excesso, no entanto, ele estimula demais o crescimento vegetativo e compete com a produção. Já o potássio regula o balanço hídrico e ajuda a planta a suportar variações de água e temperatura.

Foto: Agência Agro em Campo

O cálcio fortalece os tecidos reprodutivos, e sua falta aumenta o abortamento de flores e frutos jovens. O boro, por sua vez, garante a fixação do fruto, enquanto o zinco influencia o desenvolvimento dos ramos produtivos. Por isso, o produtor deve basear as correções em análises de solo e foliar.

Poda e sanidade também pesam

O cafeeiro precisa chegar à florada com ramos bem formados e boa área foliar. Para isso, o produtor deve planejar com cuidado as podas de condução, já que podas muito drásticas reduzem os ramos disponíveis na safra seguinte.

Doenças como ferrugem e cercosporiose, além de pragas como bicho-mineiro e ácaros, reduzem a área foliar e derrubam botões e chumbinhos. Além disso, plantas que produziram uma safra muito alta podem entrar em estresse e render menos no ciclo seguinte, fenômeno conhecido como bienalidade.

O que observar na lavoura

Antes da florada, o produtor deve avaliar os ramos produtivos, verificar o desenvolvimento dos botões e identificar sinais de desfolha ou deficiência nutricional. Também precisa checar se a lavoura sofreu estresse hídrico excessivo durante o inverno.

Durante e após a florada, a uniformidade da abertura facilita o manejo seguinte. Ao mesmo tempo, a umidade do solo exige atenção redobrada em áreas arenosas. Depois, o acompanhamento da formação dos chumbinhos permite ajustar o manejo conforme a necessidade.

O manejo da florada depende de um conjunto de ações: correção do solo, adubação, poda, irrigação e controle fitossanitário planejados ao longo do ciclo. Assim, o produtor evita o déficit hídrico forte após a florada e impede o encharcamento das raízes.

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As doses de insumos variam conforme o solo, o clima e o histórico da lavoura. Por isso, o produtor deve tomar as decisões com o acompanhamento de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) e respeitar as recomendações de rótulo, bula e receituário agronômico.