Resumo da notícia
- A eficiência da adubação depende da textura e características do solo, que influenciam a retenção, movimentação e disponibilidade dos nutrientes para as plantas.
- Em solos arenosos, o risco de perdas por lixiviação de nitrogênio e potássio é maior, recomendando o fracionamento da adubação para melhorar o aproveitamento.
- Solos argilosos apresentam desafio na disponibilidade de fósforo, que fica preso em óxidos e argilas; a correção do pH com calagem facilita sua absorção pelas plantas.
A eficiência da adubação não depende só da quantidade de nutrientes. Ela varia, principalmente, conforme a textura e as características do solo, que definem quanto do nutriente fica disponível para as plantas. Segundo o engenheiro agrônomo Guilherme Ceccherini, o tipo de solo influencia a retenção, a movimentação e a disponibilidade dos nutrientes.
Em solos arenosos, a retenção de água é menor e a CTC (capacidade de troca catiônica) costuma ser mais baixa. Por isso, há maior risco de perdas por lixiviação, especialmente de nitrogênio (N) e potássio (K). Em solos argilosos, por outro lado, a superfície específica e a CTC são maiores, o que favorece a retenção, mas pode fixar fortemente o fósforo (P), reduzindo sua disponibilidade para as raízes. Já os solos de textura média tendem a equilibrar retenção de água, aeração e capacidade de reter nutrientes.
“Nesse contexto, a adubação só se transforma em nutrição quando há disponibilidade e absorção adequadas”, resume Ceccherini.
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Solos arenosos: parcelar N e K
Solos arenosos são comuns em partes do Cerrado, do Oeste da Bahia, do Mato Grosso e de áreas de pastagem no Centro-Oeste. Nesses solos, a recomendação é fracionar a adubação nitrogenada e potássica. Dessa forma, é possível evitar lixiviação e aumentar o aproveitamento pelas plantas.
Manuais de adubação e calagem de estados como Pará e Rio Grande do Sul/Santa Catarina indicam parcelar o potássio em solos arenosos, junto com o nitrogênio, na implantação e em coberturas. Além disso, a Embrapa alerta que, em solos com baixa CTC, podem ocorrer perdas de K por lixiviação e sugere parcelar a adubação de cobertura.
Na prática, para soja e milho safrinha, técnicos orientam aplicar parte do K no sulco de plantio, respeitando limites para não elevar a salinidade, e o restante em cobertura, entre V2 e V3. Para o nitrogênio, da mesma forma, a regra é parcelar: uma parte no sulco, na semeadura, e o restante em cobertura, conforme o estádio da planta.
Solos argilosos: atenção ao P e ao pH
Solos argilosos, típicos do Sul, Sudeste e do Cerrado sob latossolos, têm como desafio principal o fósforo. Esse nutriente tem movimentação restrita e, em solos mais argilosos e ácidos, fica adsorvido a óxidos de ferro e alumínio e a argilominerais, formando frações pouco disponíveis.
Boletins de adubação e calagem indicam que, em solos argilosos, os limites de disponibilidade de P são mais baixos que em solos arenosos. Por isso, é preciso interpretar a análise considerando a textura . A correção do pH com calagem, por sua vez, melhora a disponibilidade de P em solos ácidos. Ao elevar o pH para próximo de 6,5, íons hidroxilados podem deslocar o P adsorvido, tornando-o disponível às raízes.
Manuais recomendam aplicar calcário com 60 a 90 dias de antecedência, incorporando na camada de 0–20 cm. Em solos de Cerrado, são comuns adubações corretivas com 60 a 400 kg/ha de P₂O₅, conforme o teor inicial de P e a textura.
Matéria orgânica e pH
A textura, no entanto, não atua sozinha. pH, matéria orgânica, CTC, umidade e aeração também interferem na dinâmica dos nutrientes. Solos com baixa matéria orgânica e pH ácido retêm menos cátions (K, Ca, Mg) e fixam mais P, o que reduz a eficiência da adubação. Assim, manuais indicam aumentar a dose de N à medida que diminui a matéria orgânica . Para hortaliças, além disso, pH corrigido (6,0–6,5), matéria orgânica elevada e adubação parcelada são essenciais.
Para o produtor, a mesma dose de fertilizante pode ter retornos muito diferentes, dependendo do solo e do manejo. Em solos arenosos, aplicar N e K de uma vez, sem parcelamento, aumenta perdas. Em contrapartida, em solos argilosos, ignorar a correção do pH e a baixa mobilidade do P leva a aplicações repetidas sem ganho de produtividade.
“É justamente a interação entre solo, nutriente e manejo que define o resultado final”, explica Ceccherini. Por isso, a análise de solo é indispensável. Da mesma forma, a interpretação correta dos resultados, considerando textura, pH e matéria orgânica, e o ajuste do manejo por cultura e região são fundamentais para transformar adubação em nutrição efetiva.