Resumo da notícia
- Grupo multidisciplinar debateu soluções para a falta de matéria-prima no único frigorífico gaúcho que processa leite de búfala, visando ampliar a produção local e fortalecer a cadeia produtiva.
- Proposta inclui levar o tema à Câmara Setorial do Leite para criar um grupo de trabalho, com foco em facilitar o escoamento do leite e viabilizar a produção em maior escala no RS.
- Educação de pequenos produtores e técnicos é sugerida para ampliar a criação de búfalos, valorizando a produção de mozzarella, que tem mercado consolidado e preço superior ao queijo bovino.
Um grupo de diferentes áreas se reuniu nesta quarta-feira (2) para debater alternativas ao principal entrave da bubalinocultura gaúcha. Além disso, o grupo discutiu a falta de matéria-prima que atinge o único frigorífico do Rio Grande do Sul apto a processar leite de búfala. Nesse sentido, participaram do encontro representantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), da Emater/RS, da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação e Desenvolvimento Rural (Seapi) e da Associação Gaúcha de Criadores de Búfalos (Ascribu).
Como desdobramento do encontro, o grupo propôs levar o tema à Câmara Setorial do Leite. Dessa forma, pretende-se abrir um espaço de discussão permanente e, se necessário, criar um grupo de trabalho específico para a cadeia do búfalo. De acordo com o coordenador do Grupo de Estudos em Bubalinocultura (Gebu), professor Diogo Magnabosco, o objetivo é destravar a rota do leite até a gôndola e, assim, viabilizar a produção em maior escala no estado.
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Apenas um frigorífico está em operação
Atualmente, o Rio Grande do Sul tem dois frigoríficos habilitados a processar leite de búfala, mas apenas um funciona. Segundo Magnabosco, se mais produtores entrarem na cadeia, o segundo frigorífico poderia voltar a operar. Ainda de acordo com o professor, leite trazido de outros estados continua suprindo boa parte da demanda gaúcha.
Para ele, a agricultura familiar pode ampliar a produção, desde que em pequena escala e próxima das áreas onde a criação já acontece. Com isso, esse modelo reduziria a distância entre produtor e indústria e tornaria o negócio mais viável para propriedades menores.
Educação de produtores é sugerida
Durante a reunião, o grupo também propôs um trabalho de capacitação voltado a pequenos produtores e a estudantes do ensino técnico agrícola. Assim, pretende-se apresentar as vantagens da criação de búfalos como alternativa de renda no campo.
Segundo Magnabosco, o animal exige menos manejo sanitário que outras espécies. Por sua vez, ele tem um couro mais espesso, se termorregula usando água e apresenta menos casos de mastite. Dessa forma, essas características tornam a criação mais resistente sem comprometer o valor comercial do produto final.
Búfala rende mais na produção de mozzarella
O leite de búfala rende mais na fabricação de mozzarella de búfala, um dos produtos mais procurados da cadeia. Além disso, segundo Magnabosco, o processo é relativamente simples e atende a um mercado já consolidado entre restaurantes.
Por outro lado, a mozzarella de búfala costuma alcançar um preço mais elevado que a versão feita com leite bovino, o que representa um incentivo adicional à cadeia produtiva. Dessa maneira, tanto pequenos produtores quanto laticínios podem obter uma margem mais atrativa à medida que a produção local se expandir e o segundo frigorífico do estado voltar a ser ativado.