Resumo da notícia
- A Masterclass em Bento Gonçalves reuniu 100 especialistas que degustaram 20 vinhos premiados com Grande Ouro, destacando a expansão da vitivinicultura brasileira além da Serra Gaúcha.
- Com nota mínima de 94 pontos para Grande Ouro, o Brazil Wine Challenge 2026 premiou 61 rótulos, 28 brasileiros de diversas regiões, evidenciando a alta qualidade e inovação em diferentes terroirs nacionais.
- Técnicas como dupla poda e ciclo invertido permitem colheitas no inverno, aprimorando a maturação das uvas e consolidando a produção de vinhos premiados em regiões tropicais e de altitude do Brasil.
A expansão da vitivinicultura brasileira para além da Serra Gaúcha demonstrou sua força em Bento Gonçalves (RS). Durante uma Masterclass, 100 especialistas degustaram 20 dos rótulos premiados com a medalha Grande Ouro no Brazil Wine Challenge 2026. Consequentemente, a amostragem provou que a busca por alta qualidade orienta produtores em diversas regiões do país, fruto de inovações constantes no manejo agrícola e da adaptação de castas a novos solos.
Paralelamente, o evento funcionou como uma vitrine da consolidação técnica nacional, comprovando que a excelência deixou de ser um privilégio exclusivo do Sul. De fato, a chancela dessa evolução veio acompanhada de uma mudança significativa nas regras de avaliação do próprio setor.
Avaliações rigorosas revelam novos terroirs pelo Brasil
Nesta 13ª edição do concurso, 89 jurados de nove nacionalidades avaliaram 1.127 amostras vindas de 19 países. Em contrapartida, a organização aumentou a exigência ao fixar em 94 pontos a nota mínima para a medalha Grande Ouro. Como resultado direto desse critério rigoroso, apenas 61 vinhos atingiram o patamar máximo, sendo 28 brasileiros.
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De fato, a seleção incluiu rótulos do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal, confirmando que diferentes latitudes e sistemas de cultivo vêm entregando alta qualidade sensorial e consistência técnica às taças. Por sua vez, a presença de regiões não tradicionais nesse pódio reflete a aplicação prática de pesquisas agronômicas avançadas.
Dupla poda e tecnologia transformam o manejo nos vinhedos
Por meio da dupla poda e do cultivo em ciclo invertido, os viticultores transferem a colheita para o inverno em regiões tropicais e de altitude. Nesse período, tanto a baixa incidência de chuvas quanto a amplitude térmica ideal favorecem a maturação perfeita dos frutos, garantindo uvas mais sadias e com excelente concentração de açúcares.
Por essa razão, a adaptação de variedades redefiniu a geografia vitivinícola nacional, fazendo com que o Cerrado e as serras do Sudeste elaborem rótulos premiados internacionalmente. No entanto, levar toda essa inovação científica do vinhedo até o consumidor exige uma ponte qualificada no mercado final.
Profissionalização do sommelier fortalece a comercialização da cadeia
Durante o encontro promovido pela ABS-RS e ABE, os participantes debateram a relevância estratégica do sommelier, a quem cabe traduzir o conhecimento técnico do campo para o consumidor final. Ao explicar a origem e o manejo de cada rótulo, ele conecta diretamente a inovação do vinhedo ao setor de restauração.
Dessa forma, essa mediação contribui para superar preconceitos e agregar valor ao produto brasileiro, antecipando as celebrações do Dia Nacional do Sommelier, comemorado em 29 de agosto. Como amostra dessa convergência entre técnica, terroir e serviço, alguns rótulos do concurso merecem destaque pela pontuação máxima atingida.
Rótulos de destaque premiados com pontuação máxima
- Valmarino Blanc de Noir Brut 2021 (Vinícola Valmarino): Em primeiro lugar, a vinícola elabora este espumante pelo método tradicional em Pinto Bandeira (RS). O rótulo utiliza exclusivamente uvas Pinot Noir de vinhedos próprios e passa por 22 meses de maturação.
- Battistello Reserva Cabernet Franc 2020 (Vinícola Battistello): Produzido no Vale dos Vinhedos (RS), este tinto resulta da conversão dos vinhedos para o sistema de espaldeira. Em virtude desse manejo, o vinho garante aromas intensos de frutas vermelhas, violeta e cedro.
- Monumental Syrah 2023 (Vinícola Brasília): Cultivado no PAD-DF, em pleno Cerrado de Altitude, o rótulo utiliza a dupla poda para a colheita de inverno. Por isso, o vinho atinge maturação ideal e estagia por 12 meses em barricas de carvalho francês.
- Gazzaro Passaporte Check-in (Vinícola Gazzaro): A vinícola de Flores da Cunha (RS) elabora este corte com uvas Marselan, Touriga Nacional e Cabernet Franc. As uvas vêm da Serra e da Campanha Gaúcha, e, posteriormente, o vinho envelhece por 12 meses em carvalho.
- Aliança Espumante Moscatel Rosé 2026 (Nova Aliança): Para concluir, a cooperativa gaúcha conquistou a medalha Grande Ouro com este espumante aromático. O exemplar destaca-se pelo perfil equilibrado, unindo frescor marcante e notas de frutas vermelhas.