Manter horários, quantidades e dieta estáveis protege a microbiota ruminal, evita acidose e garante o ganho de peso previsto no confinamento
Rebanho de gado branco em pastagem verde.
(Foto: Divulgação/Embrapa)

O boi confinado responde melhor quando encontra uma rotina estável no cocho. É o que avalia o zootecnista Danilo Millen, professor da Unesp e doutor em Nutrição de Ruminantes. Segundo ele, horários, quantidades e dieta constantes favorecem a microbiota ruminal e, assim, melhoram o desempenho.

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O especialista comparou o rúmen a um ecossistema vivo, que só entrega o máximo potencial quando encontra estabilidade. “A microbiota se adapta àquela dieta e gosta de receber aquilo todos os dias para ter máxima fermentação”, disse.

É essa consistência diária, aliás, que leva o animal à excelência e ao desempenho projetado pelo nutricionista.

Mudanças na dieta prejudicam o desempenho

Trocas frequentes de ingredientes, por sua vez, obrigam a microbiota a se reajustar continuamente. Com isso, o consumo cai e o ganho de peso trava, segundo Millen.

Por isso, um ingrediente mais barato pode sair caro: a troca derruba o consumo e em seguida, força o rúmen a se readaptar. Enquanto isso, a microbiota segue se ajustando a cada mudança e, dessa forma, o confinamento nunca alcança a fermentação máxima nem o resultado esperado.

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Planejamento reduz a necessidade de trocas

Para evitar esse problema, Millen defende comprar com antecedência e formar estoques. Dessa forma, o confinamento aproveita períodos de maior oferta no mercado sem precisar alterar a dieta no meio do ciclo.

Assim, essa previsibilidade sustenta a repetibilidade: horário, quantidade e dieta constantes, o que leva ao desempenho previsto.

Adaptação ao confinamento exige tempo mínimo

A transição do pasto para a dieta de terminação também precisa ser gradual, já que reduz o risco de acidose. Segundo Millen, esse processo não pode levar menos de duas semanas e pode se estender até 21 dias, conforme a dieta e o nível de manejo da operação. Ao longo desse período, o concentrado aumenta e o volumoso diminui aos poucos, até o animal chegar à dieta final de terminação.

Já os animais que viajam longas distâncias até o confinamento exigem mais cuidado. Nesses casos, Millen recomenda um programa de recebimento, pois o animal enfrenta dois estresses ao mesmo tempo: a troca de ambiente e a de alimentação.

Além disso, um consumo agressivo logo na chegada pode desencadear a acidose já nos primeiros dias. Um episódio assim, segundo o especialista, compromete a aceitação da dieta pelo animal durante todo o restante do ciclo.

Manejo define o quanto a dieta pode “subir de energia”

Um levantamento da equipe de Millen mostrou que, em média, os confinamentos brasileiros trabalham com cerca de 84% de concentrado e 16% de volumoso na dieta. Essa proporção, no entanto, varia bastante entre operações.

Segundo Millen, a diferença depende diretamente da qualidade do manejo de cada confinamento: quanto melhor o manejo, maior a energia que a dieta pode receber com segurança.

Por isso, o produtor precisa acompanhar todo dia alguns sinais no cocho: o consumo dos animais, aqueles que não se aproximam para comer, a condição do rúmen, as fezes e o perfil das sobras.

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Chuvas pedem ajuste na suplementação

Na chegada das chuvas, a brotação do capim aumenta a oferta de proteína solúvel e reduz a fibra da forragem. Assim, pode surgir a chamada “fezes de broto” nos animais em pastejo.

Diante desse cenário, Millen recomenda retirar a ureia da suplementação nesse momento, já que o próprio pasto novo já concentra proteína solúvel suficiente para os animais.

Para o especialista, tanto no confinamento quanto nas transições de pasto, a rotina bem planejada preserva a saúde ruminal. Assim, o boi consegue expressar todo o seu potencial de desempenho.