Resumo da notícia
- O Rio Grande do Sul perdeu 65% dos produtores de leite na última década, caindo de 84 mil para 28 mil, e pode ter menos de 3 mil em 25 anos, ameaçando a sucessão familiar e pequenas propriedades.
- Apesar da redução no número de produtores, a produção anual se mantém próxima a 4 bilhões de litros, exigindo mais eficiência e investimentos em genética e manejo para quem permanece na atividade.
- Pequenas propriedades enfrentam dificuldades devido a preços baixos, eventos climáticos e falta de sucessão, enquanto campanhas valorizam o produtor para fortalecer o setor e incentivar a continuidade da atividade.
A redução do número de produtores muda o perfil da atividade leiteira e aumenta a preocupação com o futuro da produção no Rio Grande do Sul. O estado perdeu 65% dos produtores de leite na última década. Segundo a Emater/RS, o número caiu de 84 mil para 28 mil.
Se o cenário continuar, o estado poderá ter menos de 3 mil produtores em 25 anos. A redução preocupa principalmente pela dificuldade de manter pequenas propriedades e garantir a sucessão familiar.
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Produção permanece perto de 4 bilhões de litros
Apesar da queda no número de produtores, o Rio Grande do Sul mantém uma produção próxima de 4 bilhões de litros por ano. Por isso, quem permanece precisa aumentar a eficiência, com investimentos em genética, manejo e produtividade. Assim, a atividade concentra cada vez mais a produção entre os produtores que conseguem manter ou ampliar a eficiência.
Ainda assim, eventos climáticos extremos, preços baixos e falta de sucessão continuam pressionando a atividade.
Pequenas propriedades enfrentam dificuldades
A Emater/RS entrevistou 571 famílias que deixaram a produção de leite. Ao todo, 55 mil produtores abandonaram a atividade na última década. Entre os entrevistados, 40% encerraram completamente a produção e 34% tinham mais de 51 anos.
O levantamento também mostra o peso da agricultura familiar. Em média, 2,6 pessoas trabalhavam na atividade, sendo 93% familiares. Além disso, 37% dos produtores tinham propriedades de até 10 hectares, com 11 a 15 vacas e produtividade média de 18 litros por animal.
Sucessão preocupa o setor
Segundo Jaime Ries, assistente técnico regional da Emater/RS, o estado poderá ter menos de 3 mil produtores em 25 anos se não houver mudanças. A falta de novas gerações nas propriedades pode acelerar ainda mais a saída de produtores da atividade.
A redução também pode afetar municípios pequenos, onde o leite tem peso na economia e na agricultura familiar.
Genética ajuda quem permanece
Enquanto muitos deixam a atividade, outros buscam aumentar a produtividade. Na Expointer, o produtor Anderson Sipp aposta em vacas Holandesas Vermelhas. Segundo ele, os animais são mais rústicos e menos suscetíveis ao estresse térmico.
“A gente tenta escolher o que a gente acha de melhor, para fazer um comparativo para ver se a gente está no caminho certo, do melhoramento. Então, aqui é o melhor lugar para isso”, afirma Sipp.
A exposição também permite ao produtor comparar os animais e avaliar os resultados do melhoramento genético.
Campanha valoriza produtor de leite
Durante a Expointer, entidades do setor lançaram a campanha “O Lado Bom de Ser Produtor de Leite”. A iniciativa busca destacar a importância econômica e social da atividade.
Segundo Jeferson Farias, assessor executivo da Apil, o setor está mais organizado e tecnificado. Para Sipp, porém, permanecer no leite também exige paixão pela atividade.
“Tem que ser apaixonado mesmo, porque, em termos de lucratividade, de repente tu ir para uma outra área, tu sofreria menos e ganharia mais. Mas o leite, as vacas, é o que corre no sangue da gente. Então é a paixão”, afirma.