Resumo da notícia
- Pesquisadores da UFRPE retomam em julho o monitoramento de tubarões na costa de Pernambuco, usando microchips para estudar o comportamento e deslocamento das espécies locais.
- O foco será no tubarão-cabeça-chata e no tubarão-tigre, responsáveis pela maioria dos ataques recentes no estado, incluindo dois incidentes graves em maio e junho.
- Os dados coletados ajudarão a criar políticas públicas de prevenção e orientar medidas para reduzir riscos, enquanto especialistas reforçam cuidados com as condições do mar para evitar acidentes.
Pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) vão retomar, a partir de julho, o monitoramento de tubarões na costa pernambucana por meio de microchips transmissores. A iniciativa marca a volta de um projeto que havia sido interrompido há 11 anos e que agora recebeu um novo impulso.
O trabalho será conduzido pelo Núcleo de Educação Ambiental do Departamento de Pesca e Aquicultura da UFRPE e tem como principal objetivo ampliar o conhecimento sobre o comportamento e os deslocamentos das espécies que frequentam o litoral do estado.
Além disso, os dados coletados deverão contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à prevenção de incidentes com tubarões.
Duas espécies serão acompanhadas
Nesta nova etapa, os pesquisadores vão monitorar o tubarão-cabeça-chata e o tubarão-tigre, espécies associadas à maior parte dos incidentes registrados em Pernambuco.
Inclusive, os dois ataques ocorridos nesta semana envolveram justamente esses animais.

O sistema consiste na captura dos tubarões para instalação de um chip transmissor ultrassônico. Em seguida, os animais são devolvidos ao ambiente natural. Além disso, receptores serão distribuídos ao longo da costa para registrar a passagem dos indivíduos monitorados.
Dessa forma, os pesquisadores poderão acompanhar os padrões de movimentação, identificar áreas mais frequentadas e entender como essas espécies utilizam os diferentes ambientes costeiros.

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Pernambuco soma 84 incidentes desde 1992
Pernambuco registra incidentes envolvendo tubarões desde o início da década de 1990. Segundo dados do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), o estado contabilizou 84 ataques desde 1992.
Desse total, 70 ocorrências foram registradas no Grande Recife e outras 14 em Fernando de Noronha.
Além disso, dois novos incidentes ocorreram em um intervalo de pouco mais de 24 horas entre os dias 31 de maio e 1º de junho.
No primeiro caso, um menino de 11 anos foi atacado por um tubarão-cabeça-chata na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes.
Já no dia seguinte, uma jovem de 19 anos sofreu a amputação de uma perna após ser atacada por um tubarão-tigre de aproximadamente três metros de comprimento na praia de Boa Viagem, no Recife.
Apesar da proximidade temporal, os dois ataques foram provocados por espécies diferentes e ocorreram em locais separados por menos de 10 quilômetros.
Especialistas reforçam medidas de prevenção
Além do monitoramento científico, especialistas do Núcleo de Educação Ambiental da UFRPE destacam a importância de medidas preventivas para reduzir os riscos de incidentes.
Entre as recomendações está a atenção às condições do mar. Águas turvas, por exemplo, reduzem a visibilidade, enquanto a maré alta favorece a circulação de animais.
Outro ponto importante é priorizar áreas protegidas pelos arrecifes naturais. Segundo os especialistas, essa barreira funciona melhor durante a maré baixa, quando os arrecifes permanecem aparentes ou próximos da superfície.
Por outro lado, quando a maré está cheia e os arrecifes ficam totalmente submersos, os tubarões conseguem ultrapassar a barreira natural com mais facilidade, aumentando as chances de aproximação da área de banho.
Além disso, os pesquisadores recomendam que os frequentadores das praias respeitem a sinalização instalada nos locais e sigam as orientações dos guarda-vidas.









