Resumo da notícia
- O cultivo integrado de cacau com outras culturas no interior paulista se consolida como alternativa para diversificação de renda e aumento da rentabilidade nas propriedades rurais.
- Produtores visitaram propriedades em Mendonça e Adolfo, conhecendo modelos produtivos que combinam cacau com banana e seringueira, além da produção artesanal de chocolate.
- O sistema integrado ILF, com suporte técnico e capacitação, mostra viabilidade econômica, sustentabilidade ambiental e potencial para expandir a cacauicultura na região.
O cultivo de cacau em sistema de produção integrada já se consolida como alternativa viável para diversificação de renda no interior paulista. Durante Dia de Campo promovido pela CATI Regional São José do Rio Preto, em parceria com a Rede ILPF e a Embrapa, produtores conheceram, na prática, modelos produtivos que combinam cacau com outras culturas e ampliam a rentabilidade das propriedades.

O evento reuniu mais de 50 participantes de diferentes regiões do estado, como Jaboticabal, Jales, Votuporanga, Mogi Mirim e São José do Rio Preto. A programação incluiu visitas técnicas nos municípios de Mendonça e Adolfo, onde produtores acompanham resultados concretos do Projeto Cacau SP em áreas consideradas não tradicionais para a cultura.
Em Mendonça, o destaque foi o Rancho do Cacau, propriedade da família Persegil. O produtor Diego Persegil adotou o cultivo de cacau integrado com banana e avançou para a produção de chocolate artesanal com matéria-prima própria. O modelo combina inovação, agregação de valor e geração de renda no campo.
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Transformação
Segundo Diego, o projeto transformou a realidade da propriedade. A atividade, que começou como teste, hoje sustenta a família e abre novos nichos de mercado, incluindo o turismo rural e a venda de produtos com identidade local.
Para o engenheiro agrônomo Eusébio Persegil, da CATI, o caso demonstra o potencial da cacauicultura no estado. Ele destaca que o sucesso envolve manejo técnico, capacitação contínua e participação da família em todas as etapas, desde o cultivo até o processamento do chocolate.
Na sequência, em Adolfo, os participantes visitaram a Fazenda Fartura, onde o cacau é cultivado em integração com a seringueira. A área funciona como vitrine tecnológica e apresenta todas as etapas da cadeia produtiva, do plantio à pós-colheita.
O roteiro incluiu ainda a Casa da Agricultura do município, que abriga uma minifábrica de chocolate utilizada em capacitações. A estrutura permite que produtores aprendam técnicas de processamento e agregação de valor, com apoio do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital).
De acordo com o engenheiro agrônomo Fioravante Stucchi Neto, o modelo integrado facilita a adoção da cultura ao mostrar resultados práticos. Ele ressalta que o suporte técnico contínuo tem sido essencial para a expansão do cacau na região.
Sistemas integrados aumentam rentabilidade
Durante o Dia de Campo, técnicos apresentaram dados de áreas conduzidas em Integração Lavoura-Floresta (ILF), com cacau consorciado com banana e espécies florestais, como Corymbia.
A técnica da Rede ILPF, Estella Mantovani, explicou que os primeiros resultados já indicam viabilidade econômica. Em uma área implantada em 2023, a receita gerada pela banana no ciclo 2024/25 cobriu os custos de implantação do cacau e remunerou a mão de obra familiar.
Além do retorno financeiro, o sistema contribui para sustentabilidade ambiental e diversificação produtiva, fatores que reduzem riscos e fortalecem a resiliência das propriedades.
Produtores demonstram interesse crescente
O chefe da CATI Regional Jaboticabal, Oracy Schuindt Júnior, afirma que a experiência ampliou a visão dos produtores. Segundo ele, conhecer a cadeia completa — do plantio ao chocolate — aumenta a segurança para investir na cultura.
O Projeto Cacau SP também tem ampliado sua atuação no estado. De acordo com o engenheiro agrônomo Fernando Miqueletti, o trabalho envolve todas as etapas da cadeia produtiva, o que permite aos produtores acessar mercados mais rentáveis.

Ele destaca que o interesse crescente indica que o cacau deixou de ser apenas uma alternativa experimental e passou a ocupar espaço estratégico na diversificação agrícola paulista.
Entre os participantes, o produtor Márcio Tonelli, de Campinas, afirmou que pretende investir na cultura. Após visitar as áreas e conhecer experiências práticas, ele considera o cacau uma opção promissora para propriedades familiares, especialmente em regiões tradicionalmente voltadas ao café e aos citros.
Nova fronteira agrícola em SP
Os técnicos do Grupo Cacau SP avaliam que a expansão da cultura em regiões não tradicionais confirma o potencial do cacau como nova fronteira agrícola no estado.
A combinação entre assistência técnica, pesquisa e sistemas integrados tem permitido avanços consistentes. Para produtores, o modelo representa oportunidade concreta de diversificação, aumento de renda e produção sustentável.









