Clima adverso, juros elevados e custos altos agravam crise no campo brasileiro
foto aérea de uma fazenda com trator
Foto: Nilson Konrad/AGCO

O número de propriedades rurais levadas a leilão cresce de forma acelerada no Brasil, impulsionado pelo aumento da inadimplência no crédito rural. Dados recentes mostram que as operações problemáticas já se aproximam de um quinto do total de financiamentos no setor.

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A combinação de fatores econômicos e climáticos tem pressionado os produtores. A queda nos preços dos grãos, os juros elevados e o aumento dos custos de insumos reduzem margens e comprometem a capacidade de pagamento. Ao mesmo tempo, eventos climáticos extremos e cada vez mais imprevisíveis afetam diretamente a produtividade.

O cenário tende a se agravar com a possibilidade de um “super El Niño”, que pode impactar ainda mais as lavouras e a renda agrícola. Além disso, a alta nos preços de fertilizantes, influenciada por tensões geopolíticas, já leva produtores a reduzir investimentos e área plantada.

No Rio Grande do Sul, um dos estados mais atingidos pela inadimplência, eventos climáticos severos causaram prejuízos expressivos nos últimos anos. Enchentes recentes reforçam a vulnerabilidade da produção diante das mudanças climáticas.

O volume de dívidas problemáticas no crédito rural cresceu rapidamente e já ultrapassa R$ 170 bilhões. Esse montante inclui atrasos, inadimplência, renegociações e reestruturações. Em dois anos, a participação dessas dívidas no total de crédito saltou de pouco mais de 5% para quase 20%.

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Especialistas apontam que o setor enfrenta um momento crítico, com risco elevado de novos desequilíbrios financeiros.

Aumento dos leilões de propriedades

Instituições financeiras intensificaram a execução de garantias, o que elevou o número de imóveis rurais disponíveis em leilão. O total de propriedades leiloadas superou 14 mil em 2025, registrando crescimento expressivo em relação ao ano anterior.

Os leilões extrajudiciais, que seguem processos mais rápidos, também avançaram e quase dobraram no período recente. A tendência indica maior pressão sobre produtores endividados.

Regiões com forte presença na produção de soja e grãos concentram os maiores impactos. Nessas áreas, a combinação de custos elevados e preços mais baixos reduz a rentabilidade e amplia o risco financeiro.

O número de pedidos de recuperação judicial no agronegócio também cresce. Após forte alta em 2024, os registros voltaram a avançar em 2025, sinalizando deterioração nas condições econômicas do setor.

Clima e juros pressionam o agro

Produtores ainda tentam se recuperar de sucessivos choques econômicos e climáticos. A instabilidade do clima, com períodos de seca e excesso de chuva, compromete safras e aumenta a incerteza no planejamento agrícola.

Ao mesmo tempo, a taxa básica de juros no Brasil subiu de forma significativa nos últimos anos, encarecendo o crédito e dificultando o refinanciamento das dívidas.

A perspectiva para o curto prazo permanece desafiadora. A volatilidade dos preços das commodities e o risco de novos eventos climáticos extremos mantêm o nível de incerteza elevado no campo.

Em diversas regiões, produtores já enfrentam dificuldades para manter suas propriedades. Em alguns casos, perdas sucessivas de safra e custos financeiros elevados resultam na perda de parte ou de toda a área produtiva.

As mudanças climáticas, cada vez mais evidentes, reforçam esse cenário. A irregularidade das chuvas e o aumento de eventos extremos impactam diretamente a produção e contribuem para o agravamento da crise no setor.