Resumo da notícia
- Queijos do Paraná conquistaram 667 medalhas em seis edições do Prêmio Queijos do Brasil, destacando a diversidade e visibilidade das agroindústrias de várias regiões do estado.
- O queijo Passionata, de Toledo, alcançou o 9º lugar no World Cheese Awards 2024, com destaque para sua produção artesanal que inclui infusão de maracujá e flores comestíveis.
- Parcerias entre IDR-Paraná e Biopark, além da assistência técnica da Adapar, são fundamentais para garantir qualidade na produção, manejo do rebanho e regularização das queijarias no estado.
Os queijos do Paraná conquistaram espaço em competições nacionais e internacionais. Ao longo de seis edições do Prêmio Queijos do Brasil, os produtores paranaenses somaram 667 medalhas, segundo a Agência Estadual de Notícias (AEN). Esse resultado, por sua vez, destaca a diversidade da produção estadual e amplia a visibilidade das agroindústrias.
Na edição de 2026, os participantes do estado conquistaram 272 medalhas no concurso. Entre os destaques, aparecem produtos de diferentes regiões, como Curitiba, Toledo, Apucarana, Ponta Grossa, Cascavel e Francisco Beltrão. Dessa maneira, a premiação mostra que o reconhecimento não se concentra em apenas uma região do Paraná.
Além dos queijos, a competição reconheceu outros derivados do leite, entre eles doce de leite, iogurte, manteiga e requeijão. Com isso, o concurso também evidencia a variedade da produção de derivados lácteos no estado e a capacidade das agroindústrias de trabalhar com diferentes produtos.
Queijo de Toledo ganha destaque internacional
Entre os exemplos desse reconhecimento está o Passionata, produzido em Toledo, no Oeste do Paraná. Em 2024, o queijo alcançou o nono lugar no World Cheese Awards, uma das principais competições internacionais do setor.
O produtor utiliza leite de vaca pasteurizado para elaborar um queijo de massa dura. Durante a maturação, a equipe responsável lava a casca com uma infusão de maracujá e acrescenta flores comestíveis, como calêndula, além de sementes da fruta. Assim, a combinação de ingredientes contribui para as características aromáticas do produto, que apresenta notas frutadas e leve acidez.
O reconhecimento, contudo, não ficou restrito a essa conquista. Em 2025, outros três queijos de Toledo, Abaporu, Saint Marcellin e Garoa Tropical, também receberam distinções na competição, realizada em Berna, na Suíça.
Esses resultados também refletem o trabalho desenvolvido no estado. Por meio de uma parceria entre o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e o Biopark de Toledo, os produtores recebem apoio para desenvolver queijos especiais e aprimorar os processos de fabricação.
Assistência técnica ajuda produtores a avançar
Embora as premiações deem visibilidade aos produtos, a qualidade dos queijos artesanais começa muito antes da fabricação. O produtor precisa cuidar do rebanho, garantir a qualidade do leite e manter boas condições de higiene e armazenamento. Ao mesmo tempo, a agroindústria deve cumprir as exigências sanitárias para comercializar seus produtos.
É nesse ponto que a assistência técnica faz diferença. O IDR-Paraná e a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) orientam os produtores em diferentes etapas, desde o manejo dos animais até a estrutura das queijarias e a regularização dos estabelecimentos.
A Queijaria Vovó Zaine, em Tomazina, no Norte Pioneiro, exemplifica essa atuação. A família recebeu orientação desde o planejamento do negócio, em 2020. A partir daí, avançou na adequação dos processos produtivos e na regularização da agroindústria.
Com o acompanhamento técnico, os produtores aprimoraram o manejo das pastagens, a nutrição dos animais e os procedimentos de armazenamento. Como consequência desse trabalho, os queijos conquistaram medalhas de prata e bronze no Prêmio Queijos do Paraná.
Em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, a produtora Janete do Rocio Fila também ampliou as oportunidades de negócio após regularizar sua queijaria com apoio técnico.
Segundo a AEN, o preço de venda do quilo do queijo passou de aproximadamente R$ 40 para R$ 55. Além desse avanço, a produtora conquistou oito medalhas em premiações e obteve cadastro no Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte do Paraná (Susaf-PR).
Os dois exemplos mostram como a orientação técnica pode contribuir para melhorar os processos de produção e abrir novas oportunidades comerciais. Ainda assim, os resultados dependem da continuidade dos cuidados com a qualidade e do cumprimento das normas sanitárias.
Agroindústria familiar amplia mercado
A regularização sanitária também favorece a expansão dos pequenos negócios rurais. De acordo com os dados divulgados pela Adapar, o número de estabelecimentos habilitados pelo Susaf-PR passou de 55, em dezembro de 2023, para 173, em maio de 2026.
No mesmo período, o número de municípios integrados ao sistema subiu de 95 para 207. Na prática, essa ampliação permite que mais produtores regularizados comercializem produtos de origem animal em diferentes municípios paranaenses, conforme as regras do programa.
Além de facilitar o acesso a novos mercados, a atividade representa uma fonte de renda para famílias rurais. Segundo a publicação da AEN, cerca de 85 famílias paranaenses vivem da produção de derivados do leite. A notícia também informa que 30 novas queijarias surgiram nos três anos anteriores à sua divulgação.
Diante desse cenário, a produção de queijos artesanais oferece oportunidades para agregar valor ao leite e diversificar a renda no campo. Para transformar esse potencial em resultados duradouros, porém, os produtores precisam investir em qualidade, capacitação e regularização sanitária.
Assim, as medalhas conquistadas pelos queijos do Paraná ajudam a divulgar os produtos estaduais. Ao mesmo tempo, o apoio técnico contribui para fortalecer as agroindústrias familiares, aprimorar a fabricação e ampliar as possibilidades de comercialização.


