Resumo da notícia
- Um vídeo no Pantanal mostra um urubu-de-cabeça-preta tentando se equilibrar sobre a carcaça de um jacaré boiando no Rio Cuiabá, girando junto com o réptil enquanto tenta se alimentar.
- O urubu gira devido à instabilidade da carcaça inchada do jacaré, dificultando seu equilíbrio, já que o couro espesso do réptil impede o acesso fácil à carne.
- Urubus são essenciais para o Pantanal, pois aceleram a decomposição de animais mortos, evitando a disseminação de doenças e reciclando nutrientes no ecossistema.
Um vídeo gravado no Pantanal chamou atenção nas redes sociais ao mostrar um urubu-de-cabeça-preta (Coragyps atratus) tentando se equilibrar sobre a carcaça de um jacaré que boiava no Rio Cuiabá. Enquanto tentava se alimentar, a ave girava junto com o réptil.
O flagrante foi feito durante um passeio turístico conduzido pelo guia Mateus Filipe Rauber, de 33 anos.
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Segundo ele, o grupo procurava onças-pintadas quando se deparou com o comportamento incomum da ave.
“O que me chamou a atenção foi o urubu não conseguir se equilibrar sobre o jacaré já inchado, criando uma cena curiosa e divertida”, relatou.
Apesar do aspecto inusitado, especialistas explicam que a situação faz parte do ciclo natural do Pantanal.
Por que a ave girava sobre o animal?
De acordo com o ornitólogo Guilherme Brito, do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC, o animal registrado é um urubu-de-cabeça-preta, uma das aves necrófagas mais comuns do Brasil.
Segundo o pesquisador, o movimento não foi provocado intencionalmente pelo animal. A instabilidade da carcaça fez com que o urubu girasse repetidamente enquanto tentava iniciar a alimentação.
Urubus têm dificuldade para comer jacarés
Embora sejam especialistas em localizar animais mortos, os urubus enfrentam um desafio quando encontram jacarés, já que couro espesso do réptil impede que a ave consiga romper a pele para alcançar a carne.
Por isso, normalmente a alimentação começa por regiões mais vulneráveis, como olhos, narinas, boca ou região cloacal. Além disso, outra possibilidade é aguardar que a decomposição rompa naturalmente a pele da carcaça.
Segundo Guilherme Brito, apenas o urubu-rei possui força suficiente para abrir carcaças mais resistentes.
Fundamental para o equilíbrio ecológico
Apesar da aparência que costuma causar estranhamento, os urubus desempenham uma função essencial nos ecossistemas.
Ao consumir animais mortos, essas aves aceleram a decomposição da matéria orgânica, reduzem a disseminação de patógenos e ajudam na reciclagem de nutrientes da natureza.
Segundo Guilherme Brito, a espécie desenvolveu adaptações ao longo da evolução para consumir carne em avançado estado de decomposição sem sofrer prejuízos à saúde.
Essas aves possuem sistema imunológico altamente eficiente e secreções estomacais extremamente ácidas, capazes de eliminar diversos microrganismos presentes nas carcaças.








