Resumo da notícia
- O trevo hospeda bactérias que capturam nitrogênio do ar e o convertem em nutriente para o solo, funcionando como um fertilizante natural de liberação lenta após a decomposição da planta.
- O trevo-branco pode fixar mais de 500 kg de nitrogênio por hectare ao ano, reduzindo a necessidade de adubação química em pastagens e jardins.
- Além de nutrir o solo, o trevo forma um gramado resistente, exige poucos cortes, inibe plantas invasoras e atrai polinizadores, sendo uma opção sustentável para jardins e agricultura.
Por trás das folhas trifoliadas que muita gente ainda associa a erva daninha, o trevo esconde um mecanismo biológico raro. A planta hospeda, em pequenos nódulos nas raízes, bactérias especializadas que capturam o nitrogênio presente no ar, um gás que a maioria das espécies vegetais não consegue aproveitar diretamente, e o convertem em uma forma que enriquece o solo.
Essas bactérias pertencem principalmente ao gênero Rhizobium e vivem em associação direta com as raízes do trevo. Em troca de fixar o nitrogênio atmosférico, elas recebem da planta açúcares produzidos pela fotossíntese, o combustível que sustenta essa parceria. Especialistas chamam esse processo de fixação biológica de nitrogênio (FBN), e ele funciona, na prática, como pequenas fábricas naturais de fertilizante instaladas debaixo da terra.
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Pesquisa publicada na Revista Brasileira de Zootecnia indica que o trevo-branco (Trifolium repens) pode fixar mais de 500 kg de nitrogênio por hectare ao ano em condições ideais. Um volume que dispensa boa parte da adubação química em pastagens e jardins.
O nitrogênio só chega ao solo depois da decomposição
O nitrogênio capturado não abastece imediatamente as plantas vizinhas. Ele permanece armazenado no próprio trevo, sustentando o crescimento da planta até que raízes, folhas caídas e aparas de grama comecem a se decompor. Nesse momento, o nutriente é liberado gradualmente no solo, funcionando como um fertilizante de liberação lenta.
Em áreas de pastagem, o ciclo se reforça quando os animais pastam o trevo e depositam esterco rico em nutrientes, o que devolve ainda mais matéria orgânica ao terreno.
Como aproveitar o trevo em casa
Para quem cuida de um jardim residencial, basta deixar as aparas de grama e trevo sobre o próprio gramado após o corte. Com o tempo, esse material se decompõe e nutre o solo sem necessidade de fertilizantes sintéticos. A quantidade exata de nitrogênio liberado varia conforme as condições do solo e a densidade das plantas. Mas o resultado tende a favorecer um ecossistema mais equilibrado.
O trevo-branco também vem sendo adotado como alternativa ao gramado tradicional. Ele cresce rasteiro, exige poucos cortes, resiste bem à seca, forma uma cobertura densa que inibe plantas invasoras. E ainda atrai polinizadores como abelhas e borboletas, vantagens que a grama convencional não oferece.
O uso de leguminosas fixadoras de nitrogênio, como trevo, soja, feijão e ervilha, é uma prática consolidada na agricultura para reduzir custos com fertilizantes nitrogenados e diminuir os impactos ambientais da produção química. Ao integrar essas espécies ao solo, produtores rurais conseguem preparar o terreno para culturas seguintes, que aproveitam o nitrogênio deixado pelas leguminosas.








