Técnica da dupla poda sustenta alta produtividade e qualidade em diferentes regiões do país
Cacho de uva
Foto: Divulgação

A safra de inverno 2026 confirma a expansão da vitivinicultura brasileira e consolida a produção de vinhos finos de alta gama fora das regiões tradicionais. Atualmente, 56 vinícolas associadas à Anprovin (Associação Nacional de Produtores de Vinho de Inverno) utilizam a técnica da dupla poda em áreas do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, estabelecendo um novo calendário agrícola e fortalecendo um modelo de negócio competitivo no agronegócio.

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Essas vinícolas somam 1,49 milhão de pés de uva e produziram cerca de 1,1 milhão de garrafas. A colheita ocorre entre junho e agosto, período marcado por clima seco e maior incidência solar, fatores que favorecem a qualidade da matéria-prima.

O setor mantém forte presença de propriedades familiares, responsáveis por 90% das vinícolas. Esse perfil estimula a diversificação produtiva em áreas antes ocupadas por café, grãos e pecuária leiteira, além de abrir espaço para a vitivinicultura de precisão como alternativa de renda e sucessão no campo.

Desenvolvida a partir de pesquisas iniciadas em 2000 pelo pesquisador Murilo Regina, a técnica da dupla poda inverte o ciclo da videira com duas podas anuais. Com isso, a maturação ocorre no inverno seco, o que garante uvas com maior sanidade e maturação fenólica completa, fatores decisivos para a produção de vinhos de alta qualidade.

Suporte estrutural e controle rigoroso

A qualidade dos vinhos também conta com suporte estrutural e controle rigoroso. O Centro de Análises e Pesquisa da Anprovin/ABDI, instalado em Brasília com investimento de R$ 3,4 milhões, atua na padronização e certificação. Além disso, o selo da Anprovin assegura informações como altitude, lote e origem, ampliando a rastreabilidade do produto.

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A adaptabilidade da dupla poda se destaca em diferentes regiões produtoras. No Centro-Oeste, estados como Goiás e o Distrito Federal realizam colheitas entre julho e agosto, com variedades como Syrah, Sauvignon Blanc, Cabernet Franc e Chardonnay. No Nordeste, a Chapada Diamantina (BA) inicia a colheita em junho, com destaque para Sauvignon Blanc, Pinot Noir e Cabernet Sauvignon. Já no Sudeste, especialmente em São Paulo e Minas Gerais, a colheita ocorre entre junho e julho, com vinhos que já ultrapassam 90 pontos em guias especializados.

O crescimento do setor também aparece nos números. Em 2025, a produção alcançou 1,49 milhão de garrafas, com destaque para a Syrah, que representou 42% do total. Na sequência, aparecem Sauvignon Blanc (17%), Cabernet Franc (12%) e Cabernet Sauvignon (10%). Outras variedades relevantes incluem Malbec, Marselan, Pinot Noir, Chardonnay e Merlot.

Para 2026, a expectativa é de crescimento de 15% na produção. A Anprovin projeta triplicar a capacidade até 2029, impulsionada pelo reconhecimento internacional dos vinhos de inverno brasileiros e pelo avanço tecnológico no campo.

Para o produtor rural, a vitivinicultura de inverno já se apresenta como uma alternativa consolidada. Em regiões com altitude adequada, solos bem drenados e inverno seco, a dupla poda oferece um sistema produtivo com suporte técnico, certificação e alta rentabilidade, ampliando as possibilidades de diversificação no agronegócio brasileiro.