Mapa monitora suspeita de bicudo-vermelho em universidade de Taubaté
Foto: MAPA

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) instalou, na semana passada, uma armadilha de monitoramento em área da Universidade de Taubaté (Unitau), no interior de São Paulo. O objetivo é verificar a presença do Rhynchophorus ferrugineus,o bicudo-vermelho-das-palmeiras. O dispositivo permanecerá no local por três meses e receberá vistorias semanais.

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 armadilha instalada em Taubaté vai monitorar presença da praga por três meses. Foto: MAPA

A ação partiu do Departamento de Sanidade Vegetal (DSV) da Secretaria de Defesa Agropecuária, com suporte das unidades regionais do ministério em Guaratinguetá e São José do Rio Preto. O Departamento de Agronomia da Unitau acompanha os trabalhos. O local foi escolhido pela segurança do ambiente e pela presença de plantas hospedeiras da praga.

A armadilha combina atrativo sexual e alimentar para capturar possíveis exemplares. A durabilidade da isca define o prazo de três meses de monitoramento. Se outras suspeitas surgirem, o Mapa poderá instalar dispositivos semelhantes em diferentes municípios paulistas. O DSV também trabalha em um plano de contingência para viabilizar o monitoramento em larga escala e acionar medidas de controle caso a detecção seja confirmada oficialmente.

O que é o bicudo-vermelho-das-palmeiras

O Rhynchophorus ferrugineus é um gorgulho da ordem Coleoptera considerado uma das pragas mais devastadoras de palmeiras no mundo. Originário do sudeste asiático, o inseto já se espalhou para os Estados Unidos, Caribe, região do Mediterrâneo, norte da África e Uruguai, causando prejuízos econômicos estimados em dezenas de milhões de dólares anuais nos países afetados.

O ciclo de vida passa por quatro fases; ovo, larva, pupa e adulto. A fêmea deposita os ovos na zona de crescimento da coroa da palmeira. Após a eclosão, as larvas se desenvolvem no interior da planta, alimentando-se de tecidos jovens e escavando galerias no tronco. Várias gerações podem coexistir na mesma planta ao mesmo tempo, amplificando os danos. O ciclo completo ocorre em 7 a 10 semanas, o que favorece a multiplicação rápida da praga.

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As espécies vulneráveis incluem coqueiro, dendezeiro, açaizeiro, palmeira-imperial, tamareira e diversas palmeiras ornamentais. Os sintomas de infestação incluem furos no tronco com saída de seiva ou fibras mastigadas, odor forte, folhas centrais amareladas ou caídas e copa deformada. Em infestações avançadas, a praga provoca o colapso da copa e a morte da planta.

A dificuldade de controle está justamente no comportamento larval: as larvas se desenvolvem internamente no estipe, tornando a infestação praticamente invisível até estágios avançados, quando o controle se torna extremamente difícil ou impossível.

Praga ausente mas com histórico de suspeitas no Brasil

O R. ferrugineus ainda não tem registro oficial como praga estabelecida no Brasil, mas o alerta já existe há algum tempo. A praga já está presente em países vizinhos como Uruguai e Argentina, e a proximidade geográfica eleva o risco de introdução no território nacional, principalmente por meio do trânsito irregular de mudas e plantas hospedeiras.

Em dezembro de 2024, um caso suspeito foi identificado em Nova Lima, Minas Gerais, em uma palmeira Phoenix canariensis, e rapidamente motivou a mobilização de órgãos fitossanitários. A descoberta foi encaminhada ao Instituto Biológico de São Paulo para confirmação.

O bicudo-vermelho pode ser confundido com a broca-do-olho-do-coqueiro (Rhynchophorus palmarum), espécie nativa já presente no Brasil. Por isso, a confirmação de qualquer suspeita deve ser feita por profissionais do Mapa ou pelos Órgãos Estaduais de Defesa Sanitária Vegetal.