Setor produz 1,4 milhão de toneladas e exporta US$ 476 milhões; governo e empresa discutem acesso à União Europeia, tarifas americanas e impacto da reforma tributária
Peixes. Foto: Wenderson Araujo/Trilux/CNA Brasil

O pescado brasileiro foi excluído das tarifas definidas pelos Estados Unidos após articulação do setor, segundo Jairo Gund, CEO da Abipesca. A entidade argumentou que o pescado representa apenas 1% das importações brasileiras pelos EUA. 

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“Inicialmente fomos beneficiados com a exportação de camarão, mas a situação se reverteu. Como entidade, conseguimos abrir espaço para apresentar o contraponto, pois o peixe é 1% do importado do Brasil pelos EUA. Nossa argumentação valeu a exclusão da tarifa”, disse Gund durante a Seafood Show Latin America 2026, em São Paulo. 

 Porém, mesmo com essa retirada, o dirigente afirmou não ser possível definir cenários para 2027, em um ambiente marcado por disputas comerciais e tarifas 

Meta de acesso à União Europeia

O ministro da Pesca e Aquicultura, Rivetla Edipo Araujo Cruz, afirmou que a conquista do mercado da União Europeia está “muito próxima de ser alcançada”. A declaração foi feita na abertura da quinta edição da Seafood Show Latin America, no Distrito Anhembi, evento que segue até quinta-feira (22/10).

De acordo com o ministro, as exportações brasileiras de pescado somam US$ 476 milhões, resultado da diversidade de produção e do acesso a 700 novos mercados. Mas também, ele também afirmou que a cadeia reúne 1,7 milhão de pescadores, 35 mil aquicultores e mais de mil indústrias e frigoríficos, com produção de 1,4 milhão de toneladas.

“Avançou muito, mas há um enorme potencial a ser explorado”, declarou Cruz.

Além disso, entre as ações citadas pelo ministro, estão a retirada de impostos incidentes sobre a ração, a desburocratização do licenciamento ambiental e a inclusão do pescado na básica e na merenda escolar.

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Reforma tributária preocupa setor

A reforma tributária apareceu como uma das principais preocupações do setor. A alíquota prevista é de 26,5%, com implementação gradual até 2033. Assim, o segmento pretende incluir o pescado na cesta básica nacional para zerar a alíquota do IVA Dual. 

Pablo Barahona, diretor internacional do Consejo del Salmón, apresentou a informação durante o debate sobre geopolítica, tarifas e comércio internacional. Também participaram Jairo Gund, da Abipesca e Eduardo Sfoglia, assessor internacional do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA).  

Barahona destacou a importância do Brasil para o Chile, maior produtor mundial de salmão, com 35% da produção global. O Brasil é o segundo mercado de destino do produto chileno.

 “Há diferença de hábitos de consumo porque enquanto no Japão o salmão é consumido no café da manhã e nos Estados Unidos, em pratos específicos, no Brasil a força está no sushi, em especial nos grandes centros, com São Paulo respondendo por 24% do total comercializado”, afirmou. 

Comércio internacional em disputa

Eduardo Sfoglia, do MPA, avaliou que a polarização entre Estados Unidos e China passou a marcar as relações comerciais globais. Para ele, além das barreiras tarifárias, surgem barreiras menos usuais, com aspectos discriminatórios diversos.

 Segundo o assessor, a estratégia do governo brasileiro tem sido a negociação. Na relação com o Chile, ele defendeu o equilíbrio entre interesses dos dois países e apontou complementaridade comercial.

“Equilíbrio do que é bom para os dois países e vê complementaridade, pois não faltam oportunidades”, recomendou Sfoglia. 

Marca para exportação

Durante o evento, Eduardo Lobo, presidente da Câmara Setorial da Produção e Indústria do Pescado do Ministério da Agricultura e Pecuária, apresentou a marca Brazil Natural Seafood, desenvolvida com apoio da Apex para ampliar o alcance do pescado brasileiro em novos mercados.

Ademais, a feira também reúne ações de gastronomia e qualificação. Nesta quarta-feira (21), começa a disputa do Campeonato Brasileiro de Sushi, com 22 sushichefs de diversas regiões do Brasil dividido em duas baterias de 11 competidores.

“Eles vão apresentar suas técnicas para juízes japoneses, que vieram especialmente para a disputa”, afirmou Hiro Ozono, organizador do campeonato. 

Os dez finalistas apresentam, na quinta-feira (22), a partir das 14h, o sushi criativo, dentro da técnica Edomae. O vencedor ganhará uma viagem para participar do Campeonato Mundial de Sushi, em agosto de 2028, em Tóquio. Em suma, uma oportunidade que possibilita uma visibilidade maior ao pescado brasileiro. 

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