Resumo da notícia
- As exportações brasileiras de frutas para a Europa cresceram 19,1% em volume e 12,8% em receita em 2025, impulsionadas pelo mercado europeu que absorve 79% do total exportado.
- O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, a ser assinado em 17 de maio, deve eliminar tarifas, aumentando a competitividade e acelerando o crescimento das exportações brasileiras.
- Manga, melão e melancia lideram as vendas para a Europa, com previsão de aumento de faturamento da fruticultura brasileira para US$ 1,8 bilhão até 2029, segundo estimativas da Apex.
O Brasil vendeu 19,1% mais frutas em volume para a Europa em 2025 na comparação com o ano anterior. A receita com essas exportações cresceu 12,8% no mesmo período, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Midic). O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, que os blocos devem assinar no sábado (17), no Paraguai, promete acelerar ainda mais esses números.
O tratado, negociado há pelo menos 25 anos, vai reduzir ou eliminar tarifas de importação entre os dois blocos e facilitar o comércio de bens agrícolas e alimentos frescos.
“O acordo entre Mercosul e União Europeia representa um divisor de águas para o agro brasileiro. A redução e a eliminação de tarifas vão ampliar a competitividade das nossas frutas no mercado europeu e criar condições para que o crescimento já observado em 2025 se acelere nos próximos anos, com mais previsibilidade, investimentos e geração de valor ao longo da cadeia produtiva”, afirma Patrícia Cesarino, engenheira agrônoma e gerente de marketing da Ascenza Brasil.
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Europa concentra 79% das frutas exportadas pelo Brasil
A União Europeia recebeu 79% das frutas que o Brasil exportou em 2025. Atualmente, produtores brasileiros pagam tarifas que variam entre 4% e 14% para vender no bloco europeu. O acordo vai reduzir e extinguir essas cobranças, o que amplia a abertura aos produtos nacionais.
“Os resultados da fruticultura brasileira na Europa mostram que o setor está preparado para dar um salto com o acordo comercial. Estamos falando de um mercado maduro, exigente e de alto valor agregado, no qual o Brasil tem espaço para crescer de forma sustentável, ampliando volumes, receita e a presença de produtos frescos de alta qualidade”, diz a executiva da Ascenza Brasil.
No total, as exportações brasileiras para a Europa cresceram 6,2% em valor e 3,4% em volume em 2025, comparado a 2024, segundo o Midic.
Faturamento pode chegar a US$ 1,8 bilhão até 2029
A Apex estima que o faturamento da fruticultura brasileira aumente 40% e alcance US$ 1,8 bilhão até 2029. Em 2025, o Brasil exportou 1,2 milhão de toneladas de frutas frescas, com receita de cerca de US$ 1,3 bilhão.
Manga, melão, limão, melancia, uva e mamão lideraram as exportações para a Europa no ano passado. Essas seis frutas geraram receita de US$ 967 milhões, contra US$ 857,6 milhões no ano anterior. Em volume, o Brasil exportou 949 mil toneladas dessas frutas para a Europa em 2025 e 796,6 mil toneladas em 2024.
Melão e manga lideram; melancia tem melhor desempenho
Agricultores brasileiros enviaram 269,5 mil toneladas de melão (US$ 221,7 milhões) e 226,3 mil toneladas de manga (US$ 262,8 milhões) para o continente europeu no ano passado. Essas frutas registraram os melhores resultados em valor absoluto.

A melancia, no entanto, teve o melhor desempenho relativo em 2025. As exportações cresceram 44,3% em volume (de 115,8 mil toneladas em 2024 para 167,1 mil toneladas em 2025) e 60,5% em receita (de US$ 68,4 milhões para US$ 109,9 milhões).
Café valoriza em receita, mas recua em volume
O café, outro importante produto agrícola que o Brasil exporta para a Europa, registrou alta de 34,2% em receita: de US$ 6,5 bilhões em 2024 para US$ 8,7 bilhões em 2025. No entanto, o volume exportado caiu de 1,6 milhão de toneladas em 2024 para 1,3 milhão de toneladas no ano passado.
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Assim, a expectativa para 2026 é de que a receita continue elevada devido aos preços internacionais. A Europa mantém-se como mercado-chave do café brasileiro, com Alemanha e Itália entre os principais importadores.
Como o acordo vai reduzir tarifas
Segundo o tratado entre os dois blocos, a tarifa sobre uvas frescas será zerada assim que o acordo entrar em vigor. Melões, melancias e limões terão as tarifas reduzidas em etapas até chegar a zero em cerca de sete anos. Mamão e manga já têm tarifas zeradas na União Europeia devido à forte dependência que o bloco tem da importação dessas frutas do Brasil.
“Após a assinatura, depois de mais de 25 anos de negociação, o acordo Mercosul-União Europeia chega em um momento estratégico. Ele fortalece o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de alimentos, amplia o acesso a um mercado que já responde pela maior parte das nossas exportações de frutas e cria uma base sólida para expansão de longo prazo, com ganhos para produtores, exportadores e consumidores”, aponta Patrícia.
Os principais concorrentes do Brasil nos envios à União Europeia, como Peru, Chile e México, já exportam frutas sem pagar tarifas. O acordo torna-se, portanto, fundamental para nivelar as condições de competição e permitir que produtores brasileiros disputem o mercado europeu em igualdade de condições.