Resumo da notícia
- Maria de Fátima transformou a panificação artesanal em fonte de renda após apoio do projeto Renda Agricultor Familiar, que financiou equipamentos industriais para sua produção em Janiópolis (PR).
- O projeto oferece assistência técnica e investimentos para estruturar unidades produtivas familiares, promovendo geração de renda e segurança alimentar no meio rural paranaense.
- Em 10 anos, a iniciativa beneficiou mais de 11 mil pessoas, principalmente mulheres, com recursos de R$ 34 milhões para melhorar condições de vida e fortalecer atividades no campo.
Uma paixão pela panificação se transformou na principal fonte de renda da família de Maria de Fátima Nascimento dos Santos e Celino Lino da Silva, moradores da comunidade rural São Domingos, em Janiópolis (PR). Após problemas de saúde do marido afetarem a estabilidade financeira da casa, Maria de Fátima encontrou nos pães e bolachas artesanais um caminho promissor. No entanto, equipamentos profissionais seguiam um sonho distante, até a família conhecer o projeto Renda Agricultor Familiar.

A iniciativa, que completa uma década em 2025, alia assistência técnica especializada a investimentos financeiros para estruturar unidades produtivas familiares no campo. O objetivo central é gerar renda e melhorar a segurança alimentar de famílias em situação de vulnerabilidade social.
Sonho equipado: do cilindro ao forno industrial
Com o apoio do extensionista do IDR-Paraná em Janiópolis, José Carlos Denck, a família elaborou um plano de investimento para a pequena panificação. Os recursos do projeto permitiram a aquisição de um cilindro de massas e uma amassadeira industrial. Uma segunda parcela, somada a economias próprias, viabilizou a compra de um forno refratário industrial.
- Brasil registra 77,8 milhões de raios por ano
- Só muda o tamanho: onças-pintadas miam como gatos no Parque do Iguaçu
“As condições financeiras da família não permitiam realizar esse sonho sozinhos”, conta Maria de Fátima. “O projeto foi a realização de algo maravilhoso. Agora, tenho mais velocidade, praticidade, higiene e qualidade nos meus produtos”, celebra a produtora.
Os resultados chegaram rapidamente. Apenas no primeiro mês utilizando os novos equipamentos, em dezembro de 2025, as vendas cresceram entre 10% e 15% em relação a novembro. O próximo passo, com apoio técnico contínuo, é mapear os custos reais de produção e elaborar um plano de negócios para expandir as vendas, inclusive para o mercado da merenda escolar.
Como o projeto renda agricultor familiar funciona
O Renda Agricultor Familiar atua em três frentes principais para fortalecer as famílias no campo:
- Saneamento Básico: melhoria de banheiros, proteção de fontes de água e destinação adequada de resíduos.
- Produção para Autoconsumo: incentivo a hortas, pomares e criação de pequenos animais para a própria alimentação.
- Geração de Renda: apoio a atividades agrícolas e não-agrícolas, como artesanato, pequenos comércios e serviços.
“A ideia é promover qualquer atividade que melhore a vida das pessoas e ajude a mantê-las no meio rural”, explica Jefferson Meister, coordenador estadual do programa. Um extensionista do IDR-Paraná trabalha em conjunto com cada família para construir um projeto personalizado.
Impacto coletivo e inclusão produtiva
Em dez anos, o projeto já alcançou mais de 11 mil beneficiários em todo o Paraná, sendo 90% deles mulheres. Os investimentos somam quase R$ 34 milhões, provenientes do Tesouro do Estado, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Fundo Estadual de Combate à Pobreza (Fecop).
A iniciativa atende produtores com renda familiar per capita de até meio salário mínimo, incluindo agricultores familiares, pescadores artesanais, quilombolas, indígenas e comunidades tradicionais. Jovens acima de 18 anos que cursam colégios agrícolas também podem participar com projetos em áreas cedidas pelos pais.
Para José Carlos Denck, o extensionista que acompanha a família de Janiópolis, o resultado positivo traz realização profissional. “Saber que o IDR-Paraná colabora para melhorar a renda e a qualidade de vida dos agricultores e suas famílias é muito gratificante”, afirma.
A história de Maria de Fátima e Celino ilustra como o projeto vai além do acesso a recursos. A iniciativa promove dignidade, fortalece a economia local e impulsiona o desenvolvimento sustentável no campo paranaense, transformando sonhos individuais em realidade produtiva.