Resumo da notícia
- O Brasil alcançou exportações recordes de US$ 7,25 bilhões para o Canadá em 2025, crescimento de 15% em relação a 2024, com destaque para ouro, café e carnes.
- As importações brasileiras do Canadá subiram 13%, chegando a US$ 3,14 bilhões, gerando superávit comercial de US$ 4,11 bilhões, o maior da história entre os países.
- Ouro liderou as vendas, com alta de 74%, representando 43,3% das exportações brasileiras ao Canadá; fertilizantes e turborreatores impulsionaram as importações canadenses.
O Brasil conquistou um marco histórico no comércio com o Canadá em 2025. O país exportou US$ 7,25 bilhões em produtos para o mercado canadense, crescimento de 15% em relação a 2024, segundo dados do Quick Trade Facts (QTF), estudo que a Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC) elabora.
O resultado representa o maior valor que a série histórica anual do ranking registra desde 2018, quando a Câmara iniciou o levantamento. As exportações superaram o recorde anterior em mais de US$ 900 milhões.
As importações brasileiras de produtos canadenses também avançaram. O Brasil comprou US$ 3,14 bilhões do Canadá em 2025, alta de 13% na comparação anual. O movimento gerou um superávit comercial de US$ 4,11 bilhões, o maior que os dois países já registraram.
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A corrente de comércio bilateral – soma de exportações e importações – cresceu 14% no período. A participação do Canadá nas exportações totais do Brasil subiu de 1,9% em 2024 para 2,1% em 2025. Nas importações brasileiras, a fatia canadense avançou de 1,06% para 1,12%.
“Os números de 2025 mostram que o Brasil consolidou e ampliou sua presença no mercado canadense. O avanço expressivo em ouro, café e carnes evidencia a competitividade da pauta exportadora brasileira, mesmo em um cenário de incertezas econômicas”, afirma Hilton Nascimento, diretor-presidente da CCBC.
Ouro lidera com crescimento de 74%
O setor de extração mineral comandou o desempenho recorde. As exportações de ouro em formas brutas para uso não monetário totalizaram US$ 3,14 bilhões, crescimento de 74% sobre 2024. O produto representou 43,3% de tudo que o Brasil vendeu ao Canadá no ano.

O café verde não torrado registrou expansão de 46%, com vendas de US$ 336,6 milhões. O agronegócio também se destacou nas proteínas animais: as exportações de carne bovina desossada e congelada saltaram 189%, atingindo US$ 60,5 milhões, enquanto outras carnes suínas congeladas cresceram 58%, para US$ 40,9 milhões.
Outros destaques incluem ouro em barras, fios e perfis (alta de 214%), minérios de níquel (77%), manteiga e gordura de cacau (163%) e coque de petróleo calcinado (75%).
Alguns segmentos apresentaram retração. As exportações de aeronaves caíram 52%, os açúcares de cana recuaram 25% e a alumina calcinada registrou queda de 7%.
Fertilizantes e turborreatores puxam importações
O Brasil intensificou as compras de produtos canadenses após a retração que ocorreu entre 2023 e 2024. Os fertilizantes lideraram a pauta: os cloretos de potássio somaram US$ 1,52 bilhão em importações, crescimento de 22%. O produto respondeu por 48,4% do total importado do Canadá.
Os turborreatores de empuxo superior a 25 kN avançaram 46,5%, alcançando US$ 201 milhões. Outros setores registraram crescimentos expressivos: enxofre a granel (678,3%), aparelhos para filtragem de gases (380,2%), moldes para borracha e plásticos (109,1%) e máquinas agrícolas (83,3%).
Equipamentos para colheita cresceram 69,4%, helicópteros de até 2.000 kg subiram 29,4% e medicamentos contendo compostos heterocíclicos expandiram 13,4%.
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“O Canadá continua sendo um parceiro essencial para cadeias produtivas estratégicas no Brasil, especialmente nos segmentos químico, farmacêutico e de máquinas industriais”, diz Nascimento. “O crescimento das importações em 2025 reforça a integração entre as economias”, complementa.
O desempenho comercial entre Brasil e Canadá ganhou relevância em um ano marcado por incertezas no comércio internacional, especialmente após o ‘tarifaço’ que os Estados Unidos impuseram. O fortalecimento da relação bilateral demonstra a capacidade dos dois países de expandir negócios mesmo em cenários desafiadores.