Crescimento de 27% em três anos consolida o Brasil entre os maiores produtores globais, mas doenças fúngicas e alta nos preços preocupam o setor
Tomate tem forte alta nos preços no atacado. Leia mais e confira os dados divulgados pelos pesquisadores do Cepea.
Foto: Divulgação - Ceagesp

A produção brasileira de tomate fechou 2025 com recorde histórico: 4,7 milhões de toneladas colhidas, segundo o IBGE. O número supera o pico anterior de 4,4 milhões de toneladas registrado em 2011 e confirma o Brasil entre os dez maiores produtores do mundo.

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Em três anos, o setor avançou 27%. No ano de 2022, o país produzia 3,7 milhões de toneladas em 52,3 mil hectares. Em 2025, a área plantada chegou a 63,3 mil hectares. Uma alta de 21%, e a produtividade subiu de 71 para 74 quilos por hectare.

Clima úmido ameaça a safra de 2026

O início de 2026, no entanto, acende um alerta para os produtores. As altas temperaturas e o clima mais úmido aumentaram a incidência de doenças fúngicas e bacterianas nas lavouras. O resultado são frutos manchados, maior volume de descartes e menos produto de qualidade no mercado.

“O manejo fitossanitário precisa ser ainda mais criterioso e preventivo. O monitoramento constante da lavoura, a adoção de programas de proteção integrados, a rotação de ativos e o uso correto de defensivos registrados para a cultura são medidas que contribuem para reduzir perdas e preservar a sanidade das plantas”, afirma Hugo Centurion, head da Ascenza Brasil.

Centurion também destaca que o manejo adequado de irrigação, a ventilação do dossel e o respeito ao intervalo de aplicação aumentam a eficiência do controle e garantem frutos de melhor qualidade mesmo diante de condições climáticas adversas. O uso de enxertos e variedades mais resistentes também ajuda a sustentar a produtividade.

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Preços sobem e devem acumular alta de 7% no ano

Os efeitos da oferta limitada já aparecem nas prateleiras. No início de fevereiro, segundo o Cepea, os preços do tomate longa vida se mantiveram estáveis nos atacados de São Paulo e Belo Horizonte, mas dispararam 34% no Rio de Janeiro e 11% em Campinas. No Rio, a caixa chegou a R$ 134,12 — valor bem acima dos R$ 109,75 registrados em Campinas em fevereiro de 2024, o maior patamar do período anterior.

Com oferta restrita e custos de produção elevados, a FGV Ibre projeta alta acumulada de cerca de 7% para o tomate ao longo de 2026.

Goiás, São Paulo e Minas Gerais lideram a produção nacional

No Brasil, Goiás, São Paulo e Minas Gerais concentram a maior parte da produção nacional. O Paraná ocupa a quarta posição no ranking. A produção divide em dois segmentos principais: o tomate de mesa, voltado ao consumo in natura, que representa em média 60% do total, e o tomate industrial, destinado à fabricação de molhos e derivados.

No cenário internacional, China, Índia e países da União Europeia lideram a produção mundial. O mercado global do tomate movimentou US$ 217,03 bilhões em 2025 e deve alcançar US$ 273,84 bilhões em 2030, com crescimento anual composto (CAGR) de 4,76% no período, segundo a Mordor Intelligence.