Resolução adotada em março de 2026 consagra 1º de outubro como celebração global; setor movimenta bilhões e sustenta milhões de pequenos agricultores no mundo
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Foto: Arquivo

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, em 10 de março de 2026, a resolução A/Res/80/249, que torna o 1º de outubro o Dia Internacional do Café. Uma conquista liderada pelo Brasil e apoiada por 97 países copatrocinadores, o maior número de adesões registrado em um projeto de resolução na 80ª sessão da AGNU.

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A resolução relaciona diretamente o café aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, destacando sua contribuição para a geração de emprego e renda, a igualdade de gênero e o desenvolvimento rural. Para o diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, reconhecer o valor do setor cafeeiro aumentará a conscientização sobre sua importância socioeconômica e fortalecerá sua contribuição para a erradicação da pobreza.

Uma data que já existia e agora ganhou peso institucional

Embora o Dia Internacional do Café já fosse celebrado desde 2015 por iniciativa da Organização Internacional do Café (OIC), a resolução da ONU legitima a data no calendário internacional, fortalecendo a relevância global do setor. Agora, a celebração passa a ter respaldo oficial da maior organização multilateral do mundo.

A resolução enfatiza que o café não é apenas um importante produto agrícola. Mas também possui profundo valor cultural e social, intimamente ligado à vida e às tradições de muitos países.

O peso social por trás de cada xícara

Os números evidenciam a dimensão humana do setor: cerca de 25 milhões de famílias no mundo dependem do café para sobreviver. E aproximadamente 80% delas são pequenos agricultores que operam em propriedades geralmente inferiores a cinco hectares. No Brasil, mais de 300 mil famílias dedicam-se à cafeicultura, distribuídas principalmente em Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Bahia.

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A resolução também prevê um novo impulso para que países, organizações internacionais e demais agentes fortaleçam a cooperação, apoiem agricultores e comunidades produtoras, promovam a inovação e o desenvolvimento sustentável da indústria cafeeira, contribuindo para a implementação da Agenda 2030.

Brasil: liderança no campo e na diplomacia

O Brasil chegou a esta conquista como protagonista incontestável. O país é responsável por cerca de 35% de toda a produção mundial de café. E liderou as negociações que reuniram 18 países no grupo central da proposta. A iniciativa percorreu instâncias da FAO antes de chegar à Assembleia Geral, reunindo apoio de nações da América Latina, África e Ásia.

Em 2025, o Brasil exportou 40,04 milhões de sacas de 60 kg, e a receita bateu recorde histórico: US$ 15,586 bilhões. Um aumento de 24,1% em relação ao ano anterior e o maior valor registrado desde 1990, quando o Cecafé iniciou o levantamento. O resultado impressiona ainda mais considerando que o volume exportado caiu em relação a 2024. O que significa que o café brasileiro valeu mais, mesmo com menos quantidade embarcada.

Mercado em ebulição: preços recordes e desafios climáticos

A oficialização da data pela ONU coincide com um dos momentos mais turbulentos do mercado cafeeiro global. Os preços atingiram níveis máximos no início de 2025, com o índice de preços composto da OIC chegando a 310,12 centavos de dólar por libra em janeiro. Mais de 75% acima do registrado no mesmo período de 2024, configurando o maior patamar desde abril de 1977.

A escalada tem origem em fatores climáticos: condições adversas no Brasil e no Vietnã provocaram uma quebra significativa na oferta global, pressionando os estoques mundiais para níveis críticos. No segmento de cafés especiais, a valorização se intensificou ainda mais. O café arábica chegou a bater US$ 3,6945 por libra em 29 de janeiro de 2025, um marco para a formação de preço global.

Por que o 1º de outubro importa além da celebração

A criação de um Dia Internacional pela ONU vai além do simbolismo. Segundo a diplomata brasileira Carla Barroso Carneiro, que liderou a proposta junto à FAO, quando uma data internacional é estabelecida, o produto em questão ganha visibilidade global. O que se traduz em acesso a mercados, maior conscientização e potencial de aumento de renda para os produtores.

Para o setor cafeeiro, a conquista chega em um momento em que sustentabilidade, adaptação climática e comércio justo estão no centro do debate. A indústria do café tem passado por uma verdadeira revolução nos últimos anos, com crescimento expressivo dos cafés especiais (grãos com notas acima de 80 pontos em critérios como acidez, aroma e sabor) que se tornaram protagonistas nas cafeterias e feiras internacionais.

Com o café consolidado como símbolo econômico, cultural e social, o 1º de outubro ganha, a partir de agora, um peso que vai muito além da xícara.

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