Flor das Gerais leva prata na França e garante as duas únicas medalhas do Brasil em concurso de bebidas orgânicas
Foto: Divulgação

A cachaça orgânica Flor das Gerais, produzida em Felixlândia, na região Central de Minas Gerais, acaba de garantir mais um troféu internacional. Pelo segundo ano consecutivo, a destilaria recebeu premiação no Concours International des Produits Biologiques, realizado na França e considerado um dos mais importantes do segmento de bebidas orgânicas do mundo. O reconhecimento chega às vésperas do Dia Mineiro da Cachaça, celebrado em 21 de maio.

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Desta vez, a medalha de prata foi para a Porto Douro, rótulo extra premium da marca. A bebida passa dez anos em tonéis de carvalho europeu e termina o envelhecimento em barris que armazenaram vinho do Porto.

O feito tem peso histórico: o Brasil acumula apenas duas medalhas nesse concurso, ambas da Flor das Gerais. Em 2025, a destilaria já havia levado ouro com a Dorna Única, envelhecida quatro anos em amburana.

Trajetória de premiações

Lançada no ano passado, a Porto Douro já soma conquistas nacionais e internacionais. Entre as mais recentes estão uma medalha de ouro no Concurso de Qualidade da Cachaça da Emater-MG e o reconhecimento do alambique entre os cinco mais sustentáveis do Brasil, segundo o Mapa da Cachaça.

Para o engenheiro agrônomo Daniel Duarte, responsável técnico da empresa, o prêmio valida décadas de trabalho. “O concurso adota critérios rigorosos para avaliar bebidas produzidas sem agrotóxicos, reunindo vinhos, cervejas e destilados de diversos países”, explica.

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A Porto Douro integra uma estratégia da Flor das Gerais para crescer no segmento extra premium, iniciada em 2017 com pesquisas acadêmicas, análises sensoriais e estudos sobre envelhecimento. O primeiro resultado foi o lançamento da Dorna Única, em 2022. Um terceiro rótulo especial já está em desenvolvimento, com previsão de chegada ao mercado entre 2028 e 2029.

Pioneira no orgânico

Representante da quarta geração da família, Daniel Duarte destaca o compromisso ambiental como diferencial central da marca. A Flor das Gerais foi a primeira cachaça certificada como orgânica em Minas Gerais, com selo do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) desde 2009.

A transição ao orgânico começou há mais de 20 anos, quando a fazenda abandonou o modelo convencional. Hoje, a produção elimina agrotóxicos no cultivo da cana-de-açúcar e adota práticas de preservação ambiental e desenvolvimento social para os trabalhadores.

Mais de um século de história

A Flor das Gerais tem raízes que atravessam gerações. Na Fazenda Mourões, um engenho de madeira tracionado a bois, construído em 1912 pelo bisavô de Daniel Duarte, ainda faz parte da operação.

A produção atual ocupa 60 hectares e inclui um projeto próprio de envelhecimento sustentável, com cultivo das espécies usadas na fabricação dos barris. A iniciativa visa compensar a madeira consumida hoje e garantir autonomia futura na produção dos tonéis.

A destilaria produz cerca de 10 mil litros por ano e chega a triplicar o número de funcionários durante a safra, entre maio e setembro. Daniel credita parte da credibilidade da marca ao trabalho dos pais, Adão e Lúcia Duarte, responsáveis pela operação da fazenda e pela transmissão do conhecimento entre gerações.

O concurso

Criado em 1996 pelo jornalista e especialista Pierre Guigui, o Concours International des Produits Biologiques et en conversion, também chamado de Concurso Amphore, é uma das principais premiações internacionais exclusivas para bebidas orgânicas.

Na edição mais recente, cerca de 500 amostras receberam avaliação de aproximadamente 80 jurados internacionais em degustações às cegas, sob condições controladas. O evento tem certificação ISO 9001 e supervisão das autoridades francesas.

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