Técnicos da União Europeia (UE) iniciam nesta segunda-feira (24) uma missão de duas semanas no Brasil para avaliar os sistemas de produção, processamento e fiscalização de carne de aves e mel. A visita acontece a poucos dias da entrada em vigor de uma medida que pode interromper parte das exportações brasileiras de produtos de origem animal ao bloco.
O principal foco da missão será verificar como o Brasil controla o uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas. A avaliação poderá pesar no processo para que o país volte a integrar a lista de fornecedores considerados aptos a exportar esses produtos para o mercado europeu.
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A medida europeia passa a valer em 3 de setembro e alcança categorias como carne bovina, carne de aves, pescado e mel. A decisão de retirar o Brasil da lista foi tomada em maio e posteriormente formalizada em regulamento publicado pela Comissão Europeia. O bloco alegou não ter recebido garantias suficientes sobre o cumprimento das exigências relacionadas ao uso de determinados medicamentos antimicrobianos.
Em julho, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que as negociações técnicas continuavam e afirmou que o Brasil não havia pedido flexibilização das normas sanitárias europeias, mas buscava demonstrar o cumprimento integral das exigências do mercado.
Setor de aves espera resultado positivo
Entre representantes da cadeia de aves, a expectativa é de que a auditoria transcorra sem grandes problemas.
Segundo fontes ouvidas sob reserva, as empresas que vendem para a Europa já adotam há bastante tempo procedimentos específicos para esse mercado, incluindo a segregação dos animais destinados à UE e a não utilização de antimicrobianos como promotores de crescimento.
A inspeção, portanto, será uma oportunidade para que os técnicos europeus acompanhem essas práticas diretamente nas unidades brasileiras.
Ainda assim, um eventual retorno do país à lista de exportadores autorizados dependerá exclusivamente de uma nova decisão das autoridades europeias.
Exportações podem ser interrompidas em setembro
Mesmo com a presença da missão no país, existe a possibilidade de os embarques serem interrompidos a partir de 3 de setembro, ainda que temporariamente.
Equipes oficiais que atuam nos frigoríficos já receberam orientação para não certificar, a partir dessa data, mercadorias que não estejam em conformidade com os requisitos europeus referentes ao uso de antimicrobianos.
A legislação que retira o Brasil da relação de fornecedores habilitados tem aplicação prevista justamente para 3 de setembro de 2026.
Para que o país volte à lista, será necessária uma decisão do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (Scopaff), ligado à Comissão Europeia. Reuniões extraordinárias podem ser convocadas, mas o próximo encontro regular está previsto apenas para novembro, segundo fonte a par das negociações.
Mercado europeu movimenta milhões para o frango brasileiro
O impasse ocorre em um mercado relevante para a avicultura nacional.
Em 2026, o Brasil já exportou 226,2 mil toneladas de carne de frango para a União Europeia, com faturamento próximo de US$ 680 milhões, segundo dados do Agrostat, plataforma do Ministério da Agricultura.
Somente em julho, os embarques alcançaram 36,8 mil toneladas, movimentando aproximadamente US$ 104,2 milhões.
Uma interrupção nas vendas, portanto, pode afetar frigoríficos habilitados para atender ao mercado europeu, mesmo que a paralisação seja revertida posteriormente.
Missão vai visitar empresas em três estados
A agenda dos técnicos europeus começa com reuniões com representantes do Ministério da Agricultura em Brasília.
Na sequência, a equipe deve visitar quatro empresas de carne de aves habilitadas a exportar para a União Europeia, localizadas no Paraná e em Mato Grosso do Sul.
A missão também inclui inspeções em apiários paranaenses, uma indústria de processamento de mel no interior de São Paulo e agências estaduais de defesa agropecuária.
Os representantes europeus permanecem no Brasil até 4 de setembro, quando está prevista uma reunião de encerramento em Brasília.