Resumo da notícia
- O Brasil firmou memorando com a OCP Nutricrops para ampliar oferta de 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados, representando 76% do déficit previsto para a safra 2026/2027.
- O documento, assinado pelo ministro André de Paula, ainda não é uma compra contratada; condições comerciais devem ser negociadas entre empresas brasileiras e OCP.
- Além do fornecimento, o acordo prevê cooperação técnica em agricultura sustentável, desenvolvimento de biofertilizantes e intercâmbio de informações sobre o setor.
O Brasil formalizou um memorando de entendimento com a OCP Nutricrops, braço do grupo marroquino OCP voltado à nutrição de plantas, para ampliar a oferta de fertilizantes fosfatados ao mercado brasileiro. O documento estabelece como referência o fornecimento de 3,8 milhões de toneladas a operadores brasileiros a partir deste ano.
O volume representa 76% do déficit de 5 milhões de toneladas projetado pelo governo para a safra 2026/2027. No entanto, o memorando ainda não representa uma compra contratada. As empresas brasileiras e a OCP terão de negociar as condições comerciais antes de efetivar as aquisições.
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, assinou o documento na sexta-feira (18), durante visita à unidade da OCP Nutricrops em Jorf Lasfar, no Marrocos.
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O que é a OCP
A OCP é um grupo marroquino especializado na exploração e transformação de rocha fosfática, matéria-prima utilizada na fabricação de fertilizantes. A empresa atua em diferentes etapas da cadeia, desde a produção de fosfatos até a fabricação de fertilizantes e soluções para nutrição de plantas.
A atuação da companhia no Marrocos ganha importância porque o país possui grandes reservas de rocha fosfática. Por isso, o país ocupa uma posição relevante no mercado internacional de produtos derivados do fosfato.
A OCP Nutricrops integra esse grupo e mantém atividades voltadas ao desenvolvimento e à comercialização de soluções de nutrição vegetal. A empresa também possui operações no Brasil.
Volume previsto representa parcela importante do déficit
O fornecimento previsto ganhou relevância diante da dependência brasileira do mercado internacional de fertilizantes. Segundo o Ministério da Agricultura, cerca de 85% dos fertilizantes utilizados no país são importados.
Nesse cenário, a ampliação de fornecedores pode ajudar a diversificar as fontes de abastecimento. Ainda assim, o memorando não elimina a dependência externa nem garante, por si só, que as 3,8 milhões de toneladas chegarão ao mercado brasileiro.
Os fertilizantes fosfatados fornecem principalmente fósforo às plantas, nutriente que participa do desenvolvimento das raízes, da transferência de energia e de processos ligados à formação e ao enchimento de grãos. Assim, a disponibilidade desse tipo de fertilizante tem relação direta com o planejamento da adubação das lavouras.
Além do fornecimento, o documento prevê cooperação técnica em agricultura de baixa emissão de carbono, mapeamento de solos, bioinsumos, biofertilizantes e desenvolvimento de soluções adaptadas às condições brasileiras.
As partes também poderão identificar oportunidades de investimento em produção, transformação, armazenamento e logística de fertilizantes. Da mesma forma, o memorando prevê intercâmbio de informações sobre oferta, demanda e perspectivas para o setor.
Compras ainda dependem de negociação
O memorando funciona como uma etapa preliminar da cooperação entre Brasil e Marrocos. Na prática, a OCP e os operadores brasileiros ainda precisam definir preços, volumes efetivos, condições de venda e demais aspectos comerciais.
Assim, os 3,8 milhões de toneladas representam uma referência estabelecida no documento, e não um volume já comprado ou contratado.
A OCP Nutricrops está instalada em Jorf Lasfar, um dos principais complexos industriais e portuários do Marrocos. Segundo informações divulgadas sobre a unidade, o complexo tem capacidade para produzir até 15 milhões de toneladas de fertilizantes por ano.
A localização também tem importância logística. Jorf Lasfar reúne instalações industriais e portuárias utilizadas para o processamento e o embarque de produtos derivados de fosfatos. Dessa forma, a estrutura permite à empresa atender diferentes mercados internacionais.
Brasil também busca ampliar produção nacional
Paralelamente à busca por fornecedores internacionais, o governo trabalha para ampliar a produção brasileira de fertilizantes.
Em 3 de setembro, foi sancionada a Lei nº 15.496/2026, que criou o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert). A iniciativa estabelece mecanismos para estimular a produção nacional de fertilizantes e matérias-primas.
Com isso, o governo pretende reduzir a dependência externa e ampliar a segurança do abastecimento no longo prazo.
A estratégia combina, portanto, duas frentes: a diversificação de fornecedores para atender à demanda no curto prazo e o estímulo à produção dentro do país para reduzir a vulnerabilidade às importações.
Para os produtores, o próximo ponto de atenção será a transformação do memorando em negociações comerciais e, posteriormente, em volumes efetivamente adquiridos e entregues ao mercado brasileiro.


