Resumo da notícia
- O mel de Capanema, no Sudoeste do Paraná, recebeu a Denominação de Origem e integra a lista de produtos brasileiros com Indicação Geográfica, valorizando a produção regional e o turismo rural.
- O reconhecimento do INPI destaca a apicultura familiar local, que utiliza a flora nativa da Mata Atlântica, produzindo cerca de 60 toneladas de mel por ano para mercados regionais e outros estados.
- A certificação impulsiona o turismo rural em Capanema, com visitas guiadas aos apiários que aproximam consumidores da produção e fortalecem a economia local por meio da diversificação da renda.
O mel de Capanema, produzido no Sudoeste do Paraná, conquistou o reconhecimento de Denominação de Origem (DO) e passou a integrar a lista de produtos brasileiros com Indicação Geográfica (IG). Além de valorizar a produção regional, a conquista abre novas oportunidades para os apicultores e fortalece o turismo rural no município.
O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu o registro em 20 de outubro de 2026. Com isso, o Paraná chegou a 29 produtos reconhecidos com Indicação Geográfica, ampliando sua presença nesse segmento.
A certificação reconhece características do mel relacionadas aos fatores naturais e humanos da região. Dessa forma, o registro valoriza a identidade local e diferencia a produção de Capanema no mercado.
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Apicultura familiar fortalece a produção regional
A apicultura em Capanema tem uma trajetória de mais de 50 anos e está ligada à agricultura familiar. Nesse contexto, o trabalho dos produtores se beneficia da interação das abelhas com a flora nativa da Mata Atlântica, preservada no Parque Nacional do Iguaçu, na fronteira entre Brasil e Argentina.
Segundo as informações divulgadas pelo Governo do Paraná, os produtores vinculados à Associação de Apicultores de Capanema e Região (Apic) mantêm cerca de 5 mil colmeias e produzem aproximadamente 60 toneladas de mel por ano.
Além de abastecer o mercado regional e estabelecimentos de serviços do entorno do Parque Nacional do Iguaçu, os apicultores comercializam o produto para outros estados, como São Paulo e Rio Grande do Sul.
Nesse cenário, a Indicação Geográfica pode contribuir para ampliar a visibilidade do mel, valorizar sua origem e fortalecer a presença dos produtores no mercado. Ao mesmo tempo, o reconhecimento ajuda a destacar a relação entre o produto e o território onde ele é produzido.
Reconhecimento abre espaço para o turismo rural
Além de valorizar o produto, a certificação pode impulsionar atividades turísticas ligadas à produção de mel. Em Capanema, alguns apiários já recebem visitantes interessados em conhecer o trabalho dos apicultores e as etapas de produção.
Durante as visitas guiadas, os turistas podem acompanhar atividades nos apiários, observar as colmeias e conhecer os processos de extração e tratamento do mel. Assim, a experiência aproxima os consumidores da produção rural e cria oportunidades para diversificar a renda das famílias.
Irapuan Cortes, diretor-presidente do Viaje Paraná, destaca a relação entre o reconhecimento de origem e a valorização dos destinos turísticos.
“A Indicação Geográfica tem tudo a ver com o turismo, porque ela representa o senso de pertencimento regional e traz visibilidade aos produtos típicos dos nossos municípios. Isso aconteceu com Antonina e suas balas de banana, por exemplo, transformando aquele produto em parte de um passeio, agregando valor a um roteiro e criando senso de pertencimento na cidade, que reconhece a sua cultura local naquele item”, afirma.
Visitas a apiários ampliam a experiência turística
A organização dos produtores também contribui para aproximar o público da atividade. De acordo com Cleiton Lagemann, presidente da Associação de Apicultores de Capanema e Região, a entidade já organiza atividades para apresentar a produção aos visitantes.
“Durante as visitações proporcionamos acompanhamento técnico aos visitantes em apiários locais. As pessoas podem conhecer como é feito o processo de extração do mel, conhecer as colmeias, e o tratamento do produto. Já fazemos parte da rota turística do município e a tendência é que com a Indicação Geográfica essa atividade seja cada vez mais ampliada”, explica.
A proprietária do Apiário Manchini, Salete Manchini, também vê no turismo uma oportunidade de ampliar a renda dos produtores.
“É uma atividade que pode ajudar na renda de muitas famílias e produtores, então vale a pena investir no turismo. No nosso caso, estamos nos preparando para ampliar essa oferta turística, porque é um passeio diferente, que transmite conhecimento através de uma produção local”, conta.
Portanto, a combinação entre produção de mel e turismo rural pode ampliar as possibilidades de comercialização, aproximar o público da agricultura familiar e valorizar os atrativos locais.
Denominação de Origem valoriza as características do mel
A Indicação Geográfica é um reconhecimento concedido pelo INPI a produtos ou serviços associados a uma determinada região. Entre suas modalidades está a Denominação de Origem, que identifica produtos cujas características ou qualidades estão relacionadas aos fatores naturais e humanos do território.
No caso do mel de Capanema, o registro reconhece a relação entre o produto e as condições específicas da região. Por isso, a certificação pode ajudar a destacar a procedência e as características que diferenciam a produção local.
Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, ressalta a importância do reconhecimento para os pequenos negócios e a agricultura familiar.
“Para os pequenos produtores e para a agricultura familiar da região, esse registro fortalece a organização produtiva, protege a procedência no mercado e abre canais comerciais com compradores que exigem conformidade e diferenciação comprovadas”, diz.
Além disso, o Sebrae apoia produtores de diferentes atividades na obtenção de Indicações Geográficas. Esse trabalho busca valorizar produtos regionais e ampliar suas oportunidades de inserção nos mercados nacional e internacional.
Paraná amplia número de produtos reconhecidos
Com a inclusão do mel de Capanema, o Paraná chegou a 29 Indicações Geográficas. Conforme os dados divulgados pelo Governo do Estado, o INPI contabiliza 183 registros no Brasil, entre Indicações de Procedência e Denominações de Origem.
Somente em 2026, o Paraná conquistou sete novos reconhecimentos. Além do mel de Capanema, receberam registros as cervejas artesanais de Guarapuava, o pão no bafo de Palmeira, o couro de peixe de Pontal do Paraná, o ginseng de Querência do Norte, o café da Serra de Apucarana e as tortas de Carambeí.
O estado também reúne outros produtos tradicionais reconhecidos, como o mel de Ortigueira, o mel do Oeste do Paraná, os cafés especiais do Norte Pioneiro, a bala de banana de Antonina e a erva-mate de São Mateus do Sul.
Dessa maneira, as certificações ajudam a destacar a diversidade da produção paranaense e a relação entre os produtos e suas regiões de origem.
Produção de mel destaca o Paraná no cenário nacional
Além das certificações, os dados de produção reforçam a importância da atividade para a economia paranaense. Segundo números da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) divulgados na publicação oficial, o Paraná foi o segundo maior produtor de mel do Brasil em 2025, com 10,7 mil toneladas, alta de 7,1% em relação ao ano anterior.
No valor da produção, o estado ocupou a primeira posição nacional, com R$ 217,7 milhões, crescimento de 17,1%. De acordo com os dados estaduais citados na divulgação, esse resultado correspondeu a 17,9% do valor total registrado no país.
Nesse contexto, o reconhecimento do mel de Capanema acrescenta valor à produção regional e cria novas possibilidades para os apicultores. Ao unir identidade territorial, agricultura familiar e turismo, o município pode fortalecer a divulgação de seu produto e ampliar as oportunidades para as famílias que vivem da atividade.


