Projeto reúne universidades para estudar genética, reprodução e manejo de jumentos e avaliar o potencial econômico da criação no Semiárido
jumentos
Reprodução: Proteção Animal Mundial.

Uma fazenda no sertão da Bahia transformou a criação de jumentos em objeto de pesquisa científica. O projeto Jegue Land reúne universidades para estudar genética, reprodução, nutrição, sanidade e bem-estar dos animais, além de avaliar o potencial econômico da atividade no Semiárido.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

A iniciativa conta com pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Na propriedade, as equipes pretendem testar tecnologias e práticas de manejo adaptadas às condições da Caatinga.

Além da pesquisa, o projeto avalia possibilidades de aproveitamento econômico dos animais. Entre elas estão a produção de leite de jumenta e derivados, como queijos, além de estudos relacionados a cosméticos e outros produtos. No entanto, essas atividades ainda fazem parte da avaliação do projeto e não representam uma cadeia produtiva consolidada.

Pesquisa avança na genética dos animais

A reprodução animal ocupa um espaço importante dentro da Jegue Land. Os pesquisadores estudam técnicas como inseminação artificial, produção de embriões in vitro, criopreservação de sêmen e embriões e transferência de embriões.

Em setembro, uma equipe ligada ao projeto coletou 50 oócitos de fêmeas para processamento na UFV. A atividade integra os estudos voltados à reprodução e ao melhoramento genético dos asininos.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Segundo a médica-veterinária e pesquisadora da UFV Yamê Fabres, a área ainda apresenta lacunas de conhecimento. Por isso, os estudos podem contribuir tanto para a conservação genética quanto para a seleção de animais com características de interesse.

Manejo também entra na pesquisa

A Jegue Land organiza os trabalhos em cinco áreas: conservação e genética; nutrição e uso de forragens do Semiárido; manejo reprodutivo e sanitário; bem-estar animal; e viabilidade econômica da cadeia produtiva.

Na prática, os pesquisadores acompanham diferentes etapas da criação. Eles avaliam indicadores como fertilidade, nascimento, crescimento, ganho de peso, alimentação, qualidade dos produtos e custos de produção.

A nutrição de asininos também recebe atenção. A equipe pretende testar recursos disponíveis na região para identificar alternativas que possam atender às necessidades dos animais e, ao mesmo tempo, se encaixar na realidade de pequenos produtores.

Dessa forma, o projeto busca aproximar a pesquisa acadêmica do cotidiano das propriedades rurais.

Universidades querem levar tecnologia ao produtor

A participação das universidades pretende ampliar o acesso dos criadores a técnicas de reprodução, alimentação, ordenha e manejo.

O professor e pesquisador da UFAPE Jorge Lucena afirma que o conhecimento produzido na fazenda precisa chegar aos produtores por meio da extensão rural. Assim, os resultados dos experimentos podem orientar novas práticas caso os estudos confirmem sua viabilidade.

Já o professor e pesquisador da UFRPE Gustavo Carneiro defende a formação de um polo dedicado à ciência, tecnologia e inovação para os asininos. A proposta inclui pesquisas em reprodução, genética, sanidade, nutrição e comportamento.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

O administrador e zootecnista Alex Bastos, responsável pela iniciativa, também destaca a relação entre conservação e desenvolvimento econômico. Segundo ele, o projeto pretende valorizar o jumento sem deixar de lado as características biológicas e o bem-estar da espécie.

Viabilidade econômica ainda está em avaliação

Embora a Jegue Land estude produtos como leite, queijo e cosméticos, o projeto ainda precisa produzir dados que comprovem a viabilidade econômica dessas atividades.

Esse ponto merece atenção porque a iniciativa também recebeu questionamentos de entidades de proteção animal. O Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal levantou dúvidas sobre informações como tamanho do rebanho, origem dos animais, rastreabilidade e comprovação da viabilidade econômica do modelo.

Por outro lado, os trabalhos científicos já avançaram para atividades práticas, como a coleta de oócitos para pesquisas de reprodução. Os resultados desses estudos deverão indicar quais tecnologias podem ser aplicadas na criação e quais oportunidades econômicas realmente apresentam condições de avançar.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Assim, a Jegue Land começa a estruturar uma experiência que combina pesquisa, conservação genética e produção animal. O principal desafio agora é transformar os resultados obtidos em campo em informações que possam ser avaliadas e, se comprovadamente viáveis, utilizadas por produtores do Semiárido.