Com polpa cremosa e aroma marcante, espécie reúne compostos bioativos e características que despertam pesquisas sobre alimentação, fruticultura e controle de pragas
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Foto: Pikorazi/Flickr

O biribá (Annona mucosa) ainda ocupa um espaço discreto entre as frutas brasileiras, mas já chama a atenção da ciência por diferentes motivos. A espécie produz frutos de polpa macia, doce e aromática e também apresenta substâncias investigadas em laboratório. Pertencente à família Annonaceae, a mesma de graviola, pinha e atemoia, a planta também aparece em trabalhos antigos com o nome Rollinia mucosa, considerado sinônimo de Annona mucosa.

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Além da polpa destinada à alimentação, pesquisadores analisam sementes, folhas e outros tecidos da planta em estudos sobre compostos bioativos, controle de insetos e atividade antimicrobiana.

Um fruto de sabor e aparência marcantes

O biribá apresenta casca formada por pequenas saliências e polpa branca ou creme, macia e suculenta. O consumo ocorre principalmente com a fruta fresca, mas a polpa também pode entrar em sucos, sorvetes, sobremesas e outras preparações.

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Foto: Bahamut Chao/Flickr

A combinação de doçura, aroma intenso e textura cremosa ajuda a explicar o interesse pelo fruto. Quando amadurece, porém, ele fica mais delicado e pode sofrer perdas durante o transporte, sobretudo em trajetos longos.

Pesquisa revela diversidade entre os frutos

O biribá também varia em tamanho, formato e outras características. Um estudo publicado em 2023 no periódico PeerJ analisou populações hexaploides da espécie na Amazônia brasileira e encontrou ampla diversidade fenotípica.

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A pesquisa teve participação de Giulia Melilli Serbin, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Diego Sotero de Barros Pinangé, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), e outros pesquisadores. O trabalho relacionou as características dos frutos à domesticação da espécie e indicou que a seleção realizada por populações humanas pode ter contribuído para a diversidade observada atualmente.

Para a fruticultura, esse conhecimento ajuda a compreender a variabilidade existente dentro da espécie e pode orientar futuras pesquisas de conservação e seleção de materiais.

Acetogeninas colocam a espécie no radar científico

A composição química amplia o interesse pelo biribá. Pesquisadores investigam substâncias presentes em folhas, ramos e sementes, entre elas as acetogeninas, compostos naturais encontrados em espécies da família Annonaceae.

Uma das principais linhas de investigação envolve o caruncho-do-milho (Sitophilus zeamais). Em estudo publicado em 2013 no Journal of Stored Products Research, Leandro do Prado Ribeiro e colaboradores avaliaram extratos de folhas, ramos e sementes de Annona mucosa. Participaram pesquisadores ligados à Universidade de São Paulo, especialmente à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (USP/ESALQ), e à Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

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Foto: Ramesh Thadani/Flickr

Os extratos das sementes apresentaram maior atividade entre os materiais avaliados. As frações bioativas continham alcaloides e acetogeninas, indicando a presença de substâncias capazes de interferir no desenvolvimento do inseto em condições experimentais.

A investigação avançou em 2020, quando Ribeiro e colaboradores estudaram a rolliniastatina-1, uma acetogenina isolada das sementes. Os testes contra S. zeamais apontaram efeitos sobre a sobrevivência do inseto, a formação de descendentes e os danos aos grãos.

Os resultados reforçaram o interesse pelas sementes como fonte de moléculas bioativas, mas não permitem recomendar seu uso direto na lavoura. Uma eventual tecnologia agrícola exigiria novos estudos de eficiência, segurança, formulação e regulamentação.

UERJ investigou potencial antimicrobiano

Outra frente avaliou a ação de extratos contra microrganismos. Em 2015, Thiago José de Souza Barboza, Andréa Fonseca Ferreira, Ana Claudia de Paula Rosa Ignacio e Norma Albarello, pesquisadores vinculados à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), analisaram extratos de Annona mucosa obtidos de plantas cultivadas em condições naturais e de material produzido por cultura in vitro.

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O estudo identificou atividade contra microrganismos em testes experimentais. Pesquisadores também avaliaram o potencial antileishmanial de extratos da espécie em modelos animais. Esses resultados ampliam as possibilidades de investigação, mas não permitem apresentar o consumo da fruta ou de seus extratos como tratamento contra infecções ou leishmaniose.

A mesma cautela vale para possíveis efeitos metabólicos. Não há evidência clínica suficiente para afirmar que o consumo de biribá reduza o colesterol em pessoas. Os resultados com extratos, moléculas isoladas, células ou animais representam etapas diferentes da pesquisa científica e não equivalem a benefícios comprovados em humanos.

Cultivo ainda enfrenta desafios

Apesar do potencial, o biribá não alcançou a mesma escala comercial de frutas tropicais mais conhecidas. A espécie aparece em cultivos regionais e sistemas de produção familiares, mas a expansão depende de disponibilidade de mudas, manejo, padronização dos frutos e acesso ao mercado.

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Foto: Pikorazi/Flickr

O pós-colheita também limita a comercialização. Depois de amadurecer, o fruto fica mais sensível ao transporte e ao armazenamento, enquanto danos físicos podem comprometer rapidamente a qualidade da polpa. Por isso, ampliar a venda para mercados distantes depende de técnicas capazes de preservar o fruto por mais tempo.

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As sementes também participam das pesquisas de propagação do biribá. Conhecer a germinação e a formação de mudas ajuda a ampliar a disponibilidade de plantas para conservação, pesquisa e produção. Ao mesmo tempo, a diversidade encontrada entre populações reforça a necessidade de conservar diferentes materiais da espécie.

Uma fruta com espaço para novas pesquisas

Os estudos realizados até agora mostram que o biribá reúne diferentes frentes de interesse. A polpa tem importância alimentar, a diversidade dos frutos ajuda a compreender a domesticação e as sementes concentram pesquisas sobre compostos bioativos.

Equipes do INPA, UFAM, USP/ESALQ, UFSCar e UERJ contribuíram para ampliar o conhecimento sobre a espécie. Muitos resultados ainda estão em estágio experimental, mas o conjunto de pesquisas revela uma fruta amazônica com potencial para a alimentação, a diversificação da fruticultura e novas investigações científicas.