O Brasil mantém a liderança mundial nas exportações de algodão e ampliou os embarques em contêineres no primeiro semestre de 2026. Segundo levantamento da Datamar, o país exportou 152.581 TEUs de algodão entre janeiro e julho, alta de 28,6% na comparação com o mesmo período de 2025.

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Esse desempenho ocorre depois de o Brasil superar os Estados Unidos como maior exportador mundial no ano comercial 2023/24. Além disso, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta que o país continuará na liderança em 2026/27, com exportações estimadas em 15 milhões de fardos, cerca de 3,2 milhões de toneladas.

China amplia compras do algodão brasileiro

A China liderou os destinos do algodão brasileiro entre janeiro e julho de 2026. De acordo com a Datamar, o país asiático recebeu 29.193 TEUs no período, aumento de 232,1% sobre os sete primeiros meses de 2025.

Na sequência, Bangladesh apareceu com crescimento de 43,9% nos embarques brasileiros. Com isso, os dois mercados reforçam a importância da indústria têxtil asiática para o comércio internacional da fibra produzida no Brasil.

A China também ocupa posição central no consumo mundial. Nesse cenário, o USDA estima que o país responderá por 34% do consumo global de algodão em 2026/27, o que ajuda a explicar o peso do mercado chinês nas exportações brasileiras.

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Mercado global reduz estoques

O cenário internacional também aumenta a atenção dos compradores para a oferta disponível. Para 2026/27, o USDA projeta aumento de 1,5% no consumo industrial mundial de algodão, para 122,9 milhões de fardos. Ao mesmo tempo, a produção global deve recuar 4%, para 117,3 milhões de fardos.

Com isso, os estoques globais devem cair cerca de 5,5 milhões de fardos, ou 7%, em relação à temporada anterior. Dessa forma, a diferença entre oferta e consumo tende a aumentar a importância da regularidade de fornecimento para os compradores internacionais.

Andrew Lorimer, CEO da Datamar, relaciona esse cenário à importância da disponibilidade, dos preços e da confiabilidade das entregas para os compradores internacionais.

“Segundo as projeções do USDA divulgadas em agosto de 2026, a expectativa é que, no ano comercial 2026/27, o consumo industrial mundial supere a produção pela primeira vez em três anos, enquanto os estoques finais globais tendem a cair para o menor nível desde 2011/12. Nesse ambiente, compradores internacionais passam a atribuir ainda mais valor à regularidade de oferta, à qualidade da fibra e à capacidade logística dos fornecedores”, afirma Lorimer.

Competitividade depende de produção e logística

O avanço das exportações brasileiras não depende apenas da quantidade produzida. Além da produção, o relatório do USDA também destaca fatores como a qualidade do algodão brasileiro e a competitividade do produto no mercado internacional.

A agência prevê que o Brasil exportará 15 milhões de fardos na temporada 2026/27. Assim, o país deve manter uma posição de destaque no comércio internacional da fibra.

Ao mesmo tempo, a logística ganhou espaço na trajetória recente do algodão brasileiro. O crescimento de 28,6% nos embarques em contêineres registrado pela Datamar mostra que o país continua ampliando a movimentação internacional do produto.

Nesse ponto, é importante observar que TEU não representa toneladas de algodão. A sigla corresponde a Twenty-foot Equivalent Unit e mede a capacidade de transporte equivalente a um contêiner de 20 pés. Por esse motivo, o número de 152.581 TEUs indica a movimentação logística registrada pela Datamar, e não o peso total da fibra exportada.

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O Conselho Consultivo Internacional do Algodão (ICAC) atribui o avanço brasileiro a fatores como produção recorde, preços competitivos, maior acesso a mercados e menor disponibilidade de algodão dos Estados Unidos no comércio internacional, segundo o levantamento apresentado pela Datamar.

Além disso, a rastreabilidade aparece como um requisito cada vez mais presente nas negociações da cadeia têxtil. Segundo Lorimer, marcas, varejistas e indústrias avaliam, além de preço e disponibilidade, aspectos relacionados à regularidade do fornecimento e à comprovação de práticas sustentáveis.