Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputarão a Presidência da República no segundo turno das eleições de 2026, marcado para 25 de outubro. Com 99,99% das urnas apuradas, o candidato do PL recebeu 47,03% dos votos válidos, o equivalente a pouco mais de 56,1 milhões de votos. Lula, que busca a reeleição, obteve 45,16%, com mais de 53,8 milhões de votos.
Com a disputa definida, os candidatos terão os próximos dias para conquistar apoios e reforçar suas propostas de governo. Entre os setores que acompanham essa movimentação está o agronegócio, que responde por quase 25% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e conta com uma bancada expressiva no Congresso Nacional.
Saiba o que cada um promete ao setor.
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Segundo turno
Esta será a sétima eleição presidencial consecutiva decidida no segundo turno, em uma sequência iniciada ainda em 2002. Em 1998, a disputa terminou no primeiro turno.
Nas seis eleições seguintes, nenhum candidato que chegou à segunda etapa em desvantagem conseguiu reverter o resultado. José Serra (PSDB), Geraldo Alckmin (então no PSDB), Aécio Neves (PSDB), Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PL) passaram por essa situação.
Flávio Bolsonaro
Seguro rural, armazenagem e irrigação
O candidato do PL propõe ampliar a política de seguro rural e incorporar ferramentas de securitização e reorganização das dívidas dos produtores.
Seu plano de governo também prevê aumentar a capacidade de armazenagem das safras para garantir melhores preços ao produtor rural. Outra proposta é apoiar a produção nacional de fertilizantes a partir das reservas minerais do país.
Na questão fundiária, Flávio Bolsonaro promete ampliar a segurança jurídica no campo, sem o que chama de relativização do direito de propriedade.
Além disso, o candidato também defende retomar a política de titulação de terras e regularização de propriedades rurais, especialmente as dos pequenos agricultores.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro propõe ainda ampliar a área irrigada no Brasil e implementar metas de adoção de combustíveis sustentáveis de aviação. A inclusão de incentivos à produção de biomassa no Plano Safra também está entre os compromissos apresentados.
Na área ambiental, o programa prevê consolidar o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o pagamento por serviços ambientais.
Lula
Crédito rural, agricultura familiar e apoio à produção
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) propõe ampliar os recursos do Plano Safra, com juros compatíveis com a rentabilidade da atividade agropecuária. O programa prioriza financiamentos para máquinas, equipamentos, irrigação e tecnologias voltadas ao aumento da produtividade. Também prevê simplificar o acesso ao crédito e diversificar o financiamento por meio do mercado de capitais e de títulos do agronegócio.
No seguro rural, o candidato promete fortalecer a cobertura e discutir com os produtores um mecanismo de proteção contra perdas generalizadas causadas por quebras severas de safra. A proposta inclui integrar o seguro a instrumentos de comercialização e proteção financeira.
Para enfrentar os riscos climáticos, Lula propõe ampliar áreas irrigadas, incentivar a conservação do solo e o plantio direto e modernizar o monitoramento meteorológico. O plano também prevê fortalecer a Embrapa, desenvolver cultivares resistentes a pragas e secas e acelerar a produção nacional de fertilizantes.
Na pecuária, as propostas incluem recuperar pastagens degradadas, apoiar o melhoramento genético e a nutrição de precisão e ampliar a rastreabilidade individual do rebanho, do nascimento ao abate. Na proteção à produção, prevê reforçar o Garantia-Safra e ampliar o acesso ao seguro rural.
Para as exportações, o candidato defende agregar valor aos produtos brasileiros, diversificar os destinos das vendas e ampliar missões comerciais.