Resumo da notícia
- A produção de azeite brasileiro atingiu recorde histórico em 2026, com 1,434 milhão de litros, mas pode recuar em 2027 devido ao aumento esperado de chuvas na primavera no Rio Grande do Sul.
- O Rio Grande do Sul responde por 81% da produção nacional, e chuvas acima da média no trimestre de outubro a dezembro podem prejudicar o florescimento e o desenvolvimento das oliveiras.
- O setor busca reduzir a oscilação entre safras por meio de pesquisas e avanços tecnológicos para garantir maior estabilidade produtiva no futuro.
A produção de azeite brasileiro pode recuar em 2027 depois de atingir o maior volume da história em 2026. Segundo o Ibraoliva (Instituto Brasileiro de Olivicultura), a próxima safra tende a ser menor diante da expectativa de maior volume de chuvas no Rio Grande do Sul durante a primavera, período importante para o desenvolvimento das oliveiras.
O cenário chama atenção porque o estado concentra a maior parte da produção de azeite brasileiro. Em 2026, por exemplo, o Rio Grande do Sul respondeu por cerca de 81% do volume produzido no país, segundo o Ibraoliva.
Além disso, a previsão climática do INMET reforça essa preocupação. O instituto projeta chuvas acima da média na Região Sul durante o trimestre de outubro a dezembro de 2026, com destaque para o Rio Grande do Sul. Ainda assim, essa previsão não determina o tamanho da próxima safra, que dependerá das condições registradas ao longo do ciclo.
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Recorde de produção aumenta o contraste
A olivicultura brasileira alcançou 1,434 milhão de litros de azeite em 2026. Com isso, o volume ficou 496,75% acima dos 240,3 mil litros produzidos em 2025 e superou em 123,98% o recorde anterior, de 640.228 litros, registrado em 2023.
O Rio Grande do Sul liderou esse resultado, com aproximadamente 1,17 milhão de litros. Na sequência, a Serra da Mantiqueira produziu 250 mil litros. Santa Catarina, por sua vez, registrou 10 mil litros, enquanto Paraná e Espírito Santo produziram 2,5 mil litros e 1,5 mil litros, respectivamente.
A recuperação veio depois de duas safras prejudicadas pelo excesso de chuvas. Segundo o Ibraoliva, melhorias no manejo, adaptação às condições climáticas e avanços na colheita e no processamento ajudaram a elevar a produtividade.
Agora, portanto, o desafio do setor é reduzir a diferença entre anos de produção alta e baixa.
Chuva preocupa durante o florescimento
A relação entre chuva e produção merece atenção porque a primavera coincide com uma fase importante do ciclo da oliveira. De acordo com estudos da Embrapa sobre a cultura no Rio Grande do Sul, o excesso de chuva nessa época pode prejudicar a atividade, especialmente durante o florescimento.
Isso, porém, não significa que toda chuva provoque perdas. Na prática, a resposta das plantas depende da intensidade e da distribuição das precipitações, das condições do solo, do manejo e de outros fatores climáticos registrados ao longo do ciclo.
Por esse motivo, a previsão do INMET representa um sinal de atenção para os produtores. Ao mesmo tempo, ela não deve ser interpretada como uma estimativa definitiva da safra de azeite de 2027.
Tecnologia entra na estratégia do setor
Para o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, a principal meta agora é diminuir a oscilação entre as safras. “Vamos ampliar a pesquisa para reduzir as oscilações na produção. Nós temos que acabar com essa montanha-russa e precisamos ter uma estabilidade produtiva. Por isso, estamos cada vez mais aliados à tecnologia e às universidades como a Universidade Federal de Santa Maria, a Universidade Federal de Pelotas”, afirmou.
Atualmente, o Brasil possui cerca de 10,3 mil hectares de oliveiras distribuídos por oito estados. Além disso, a cadeia reúne mais de 620 produtores e 77 lagares, unidades responsáveis pelo processamento das azeitonas e pela extração do azeite, em aproximadamente 280 municípios.
No Rio Grande do Sul, a atividade ocupa cerca de 7,1 mil hectares e reúne aproximadamente 390 olivicultores. Entre os principais polos estão Encruzilhada do Sul, Canguçu, Pinheiro Machado, Bagé e Cachoeira do Sul.
A Serra da Mantiqueira, que engloba áreas produtoras de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, aparece como o segundo principal polo nacional. Por outro lado, Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo também apresentam espaço para ampliar o cultivo.
Setor busca mais competitividade
Além de melhorar a produtividade, o Ibraoliva defende maior organização comercial para ampliar a presença do azeite brasileiro no mercado. A entidade pretende, ainda, estimular a venda cooperativada entre marcas e ampliar a divulgação do produto nacional.
Com essa estratégia, o setor busca aumentar a escala de comercialização e fortalecer a cadeia diante da concorrência dos produtos importados.
O mercado brasileiro também passou por uma mudança tarifária em 2025. Naquele ano, em março, o Gecex reduziu de 9% para zero a alíquota do Imposto de Importação para o azeite de oliva extravirgem classificado na NCM 1509.20.00.
Dessa forma, a próxima safra terá peso importante para a cadeia. Depois do recorde de 2026, os produtores precisarão lidar com um ambiente climático mais úmido na primavera. Ao mesmo tempo, produtores e instituições de pesquisa buscam ampliar o uso de tecnologia e melhorar o manejo para reduzir a influência das condições de cada ciclo sobre a produção de azeite.