Chuvas atrapalham a colheita da cana, reduzem a oferta e aumentam a pressão sobre os preços do açúcar e do etanol
Cana-de-açúcar destinada à produção de etanol e açúcar em usina brasileira
Foto: Embrapa - Gustavo Porpino

As chuvas frequentes no Centro-Sul começam a mexer com o mercado de açúcar e etanol. O excesso de umidade dificulta o avanço das máquinas no campo, atrasa o transporte da matéria-prima e reduz o ritmo de moagem nas usinas.

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Com isso, a disponibilidade de produtos diminui justamente em um período importante para o encerramento da safra. Além disso, qualquer atraso na colheita pode alterar o volume de cana-de-açúcar que as unidades industriais ainda conseguirão processar.

Chuva interfere no ritmo da safra

No campo, o solo encharcado limita a entrada dos equipamentos e dificulta o trabalho das equipes. Ao mesmo tempo, as condições adversas prejudicam o deslocamento dos caminhões que levam a matéria-prima até as unidades de processamento.

Por consequência, as usinas ajustam o ritmo das operações. Quando a moagem perde velocidade, a indústria recebe menos cana e reduz a quantidade de derivados disponível para comercialização.

Esse movimento ajuda a explicar a firmeza observada no mercado de açúcar cristal. Com menor disponibilidade no mercado spot, compradores encontram menos produto para negociações imediatas, o que favorece a sustentação das cotações.

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Açúcar ganha força no mercado

O cenário também envolve a decisão das usinas sobre o destino da matéria-prima. As unidades podem direcionar a cana para a fabricação de açúcar ou para a produção de etanol, de acordo com as condições de mercado.

Assim, qualquer mudança no ritmo de moagem pode repercutir nos dois segmentos. Uma oferta mais restrita de açúcar tende a sustentar os valores, enquanto o mercado acompanha de perto o volume que ainda chegará às indústrias.

Nesse contexto, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal registrou valorização em setembro, refletindo a combinação entre menor disponibilidade e dificuldades provocadas pelo clima.

Etanol também sente a pressão

O mercado de etanol também recebe os efeitos das condições no campo. Quando a chuva impede a colheita ou reduz a entrada de cana nas usinas, a indústria dispõe de menos matéria-prima para transformar em biocombustível.

Ainda assim, o comportamento das cotações não depende apenas da oferta. A necessidade de caixa das usinas, os estoques e o ritmo das vendas também influenciam as negociações.

Por isso, os dois mercados podem apresentar movimentos diferentes mesmo diante das mesmas condições climáticas. Enquanto o açúcar encontra sustentação com a oferta mais limitada, o combustível pode oscilar conforme as estratégias comerciais adotadas pelas unidades produtoras.

Produtores e usinas acompanham o clima

Agora, o comportamento das chuvas ganha peso nas decisões do setor sucroenergético. Produtores precisam avaliar as condições para avançar com a colheita, enquanto as usinas acompanham a chegada da matéria-prima e definem o melhor destino para cada volume processado.

Além disso, o ritmo das operações nas próximas semanas poderá influenciar a disponibilidade dos derivados e o comportamento das cotações.

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Para o consumidor, uma eventual valorização do etanol também merece atenção, já que os preços praticados pelas usinas influenciam as etapas seguintes da cadeia de distribuição.

Dessa forma, a continuidade das chuvas pode limitar o avanço da colheita e reduzir o volume de matéria-prima processado no fim da safra. O mercado, por sua vez, acompanha esse ritmo para avaliar como a menor disponibilidade poderá afetar açúcar e etanol nas próximas semanas.