Resumo da notícia
- Pesquisadores identificaram que a presença de moscas-sirfídeo está correlacionada com a dinâmica do pulgão-do-sorgo em lavouras, sugerindo contribuição para o controle biológico natural.
- O estudo, realizado em Minas Gerais, mostrou que o pulgão Melanaphis sorghi foi o mais abundante, representando 97,41% dos afídeos coletados, com joaninhas e sirfídeos como principais predadores naturais.
- Condições climáticas, especialmente a precipitação, influenciam significativamente a população de pulgões, indicando que fatores ambientais devem ser considerados no manejo das pragas nas lavouras.
Pesquisadores identificaram uma relação entre a presença de moscas-sirfídeo e a dinâmica do pulgão-do-sorgo (Melanaphis sorghi) em lavouras de sorgo forrageiro em Minas Gerais. O estudo acompanhou duas safras, comparou áreas com e sem aplicação de inseticidas e avaliou também a influência das condições climáticas e de outros inimigos naturais.
A pesquisa foi conduzida pela Embrapa Milho e Sorgo, pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), em áreas de produção de sorgo forrageiro em Inhaúma (MG). Os resultados foram publicados em 2026 na Revista Brasileira de Entomologia.
O levantamento identificou o M. sorghi como o pulgão mais abundante entre as espécies encontradas. Ao todo, os pesquisadores coletaram 181.803 indivíduos da família Aphididae. Desse total, 172.037 pertenciam à espécie M. sorghi, que representou 97,41% dos afídeos registrados.
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Além dos pulgões, a equipe encontrou 594 insetos predadores. Entre eles estavam 280 indivíduos da família Coccinellidae, que reúne as joaninhas, e 154 da família Syrphidae, representada pelas moscas-sirfídeo.

Sirfídeos participam da dinâmica dos pulgões
As moscas-sirfídeo, também conhecidas como moscas-das-flores, pertencem à família Syrphidae. Na fase larval, algumas espécies predam pulgões e podem contribuir para o controle biológico natural nas lavouras.
Durante o estudo, os pesquisadores observaram uma correlação positiva entre a população de M. sorghi e a presença de Syrphidae. Na safra de 2020/2021, por exemplo, a população do pulgão atingiu um pico durante o estágio vegetativo V8/V9. Depois desse período, os pesquisadores também observaram aumento na presença de predadores.
Esse resultado, porém, não permite afirmar que os sirfídeos, sozinhos, provocaram a redução dos pulgões. A pesquisa avaliou uma dinâmica que envolve diferentes fatores, entre eles a presença de outros predadores, as condições ambientais e o uso de inseticidas.
As joaninhas também apareceram entre os principais grupos de inimigos naturais registrados no levantamento. Dessa forma, o estudo mostra como diferentes organismos podem participar da dinâmica das populações de pragas dentro da lavoura.

Chuva também interfere na dinâmica das pragas
As condições climáticas tiveram papel importante no comportamento dos insetos. Durante as duas safras, os pesquisadores acompanharam variáveis como temperatura e precipitação e relacionaram esses dados à ocorrência dos pulgões.
O pulgão-do-milho (Rhopalosiphum maidis), outra espécie encontrada no sorgo, apresentou maior ocorrência no segundo ciclo avaliado. Os pesquisadores observaram relação entre essa variação e as condições de precipitação registradas durante a safra.

A precipitação também apresentou associação com a dinâmica de M. sorghi em uma das áreas avaliadas. Por isso, o produtor precisa considerar o clima ao acompanhar a evolução das populações de pulgões, sem atribuir as oscilações a um único fator.
Na prática, esse acompanhamento ajuda a interpretar melhor o risco de infestação e evita decisões baseadas apenas na presença de alguns insetos.
Inseticidas alteram a comunidade de insetos
A comparação entre áreas tratadas e não tratadas também revelou diferenças importantes na quantidade de insetos encontrados.
Na safra de 2020/2021, a área sem aplicação de inseticida registrou 155.919 indivíduos de M. sorghi, enquanto a área tratada apresentou 14.599. No mesmo período, os pesquisadores encontraram 267 indivíduos de Coccinellidae na área sem inseticida e oito na área tratada.
Para Syrphidae, o levantamento registrou 71 indivíduos na área sem aplicação e 81 na área tratada.
Esses resultados mostram diferenças na composição e na quantidade de insetos entre os tratamentos. No entanto, os números não permitem atribuir todas essas variações exclusivamente ao efeito dos inseticidas, já que outros fatores também influenciam as populações no campo.
Por isso, o manejo integrado de pragas combina monitoramento, avaliação das condições ambientais e diferentes métodos de controle. Quando a aplicação química se torna necessária, a escolha de produtos seletivos pode ajudar a preservar organismos benéficos presentes na lavoura.
Monitoramento ajuda a identificar a infestação
O acompanhamento frequente das plantas ajuda a identificar o avanço do pulgão-do-sorgo antes que a população alcance níveis elevados. Como os insetos podem se concentrar na parte inferior das folhas, uma inspeção superficial pode não mostrar a dimensão real da infestação.
Em populações altas, os pulgões produzem melada, uma substância açucarada que favorece o desenvolvimento de fumagina sobre as folhas. O fungo forma uma camada escura na superfície vegetal, reduz a área disponível para a fotossíntese e pode comprometer a qualidade da silagem.
Por isso, o monitoramento deve incluir diferentes partes da planta e acompanhar a evolução da população ao longo do ciclo.
O trabalho também reforça a importância de conhecer as plantas que podem servir de hospedeiras para M. sorghi. Essa informação ajuda a compreender como a praga pode permanecer na área entre os períodos de cultivo e orienta novas pesquisas sobre seu manejo.
Outro ponto relevante envolve a escolha das estratégias de controle. Ao considerar os inimigos naturais, o clima e a evolução da população de pulgões, o produtor consegue tomar decisões mais direcionadas e evitar intervenções desnecessárias.
O estudo mostra, portanto, que o controle do pulgão-do-sorgo depende da observação conjunta de diferentes fatores. Monitoramento, condições climáticas e presença de inimigos naturais formam uma base importante para o manejo da praga em lavouras de sorgo forrageiro.