Resumo da notícia
- A PUCPR investirá R$ 4 milhões em um hub de inovação na Fazenda Experimental Gralha Azul para desenvolver e testar tecnologias agrícolas em condições reais de campo.
- O hub contará com espaços de trabalho, laboratórios modulares e áreas experimentais, integrando empresas, startups e pesquisadores para acelerar inovações no agronegócio.
- O projeto, gerido pela HOTMILK, será inaugurado em 2027 e já atrai o interesse de nove empresas do setor, que poderão aprimorar soluções antes da aplicação comercial.
Uma fazenda experimental de 200 hectares, localizada em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, servirá como laboratório para o desenvolvimento e a avaliação de novas tecnologias voltadas ao agronegócio. A Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) anunciou um investimento de R$ 4 milhões na criação de um hub de inovação que reunirá empresas, startups e pesquisadores.
O projeto prevê a inauguração da estrutura em março de 2027, enquanto a conclusão de todas as instalações deverá ocorrer até 2028.
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A iniciativa ficará sob responsabilidade da HOTMILK, ecossistema de inovação da universidade, e utilizará a estrutura da Fazenda Experimental Gralha Azul (FEGA), vinculada à Escola de Medicina e Ciências da Vida da PUCPR.
A proposta é permitir que empresas desenvolvam, testem e aprimorem tecnologias em condições reais de campo, antes de avançarem para outras etapas de aplicação comercial.
Fazenda experimental permitirá testar tecnologias agrícolas
Um dos principais desafios das empresas de tecnologia agrícola é transformar soluções desenvolvidas em ambientes controlados em ferramentas capazes de funcionar nas propriedades rurais.
Equipamentos, sistemas digitais e outras tecnologias precisam passar por avaliações que considerem fatores como condições climáticas, características do solo e diferentes situações de manejo, conforme sua finalidade.
É nesse processo que a fazenda experimental poderá contribuir.
Segundo a PUCPR, o novo hub permitirá que empresas realizem experimentos, acompanhem resultados e coletem dados diretamente nas áreas destinadas à pesquisa.
A estrutura terá três ambientes principais: um prédio com espaços de trabalho e integração, uma praça de contêineres com laboratórios modulares e um laboratório vivo formado pelas áreas experimentais da fazenda.
A combinação permitirá aproximar pesquisadores e desenvolvedores das condições encontradas na produção agropecuária.
“O grande diferencial desse projeto é criar uma ponte efetiva entre o desenvolvimento de tecnologia e a realidade do campo. Ter um hub integrado a uma fazenda experimental permite que as empresas não apenas desenvolvam suas soluções, mas testem, validem e aprimorem essas tecnologias em um ambiente real. Queremos transformar a FEGA em um ponto de conexão entre academia, empresas e produtores. Atraindo soluções de diferentes regiões do país e contribuindo para acelerar a inovação no agronegócio”, afirma Anderson Szejka, diretor de tecnologia e inovação da HOTMILK PUCPR.
Apesar da proposta, a universidade ainda não detalhou quais tecnologias terão prioridade nos experimentos nem os critérios para participação das empresas.
Projeto já atrai interesse de empresas do agronegócio
Mesmo antes do início das atividades, o projeto já registra interesse de organizações ligadas ao setor agropecuário.
De acordo com a PUCPR, nove empresas apresentaram cartas de intenção para participar da iniciativa, enquanto outras 13 estão em negociação.
Entre as organizações mencionadas pela universidade estão a fabricante de máquinas agrícolas CNH, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a agtech GoGenetic, que atua na área de biotecnologia.
A instituição, entretanto, não informou quais dessas organizações já formalizaram sua participação. As cartas de intenção também não representam, necessariamente, contratos definitivos.
O objetivo é atrair empresas de diferentes regiões brasileiras e aproximar negócios de tecnologia, pesquisadores, produtores rurais e investidores.
Para as startups, a possibilidade de utilizar uma estrutura experimental pode representar uma oportunidade de obter dados técnicos sobre o desempenho de suas soluções.
A validação em campo é uma etapa importante para identificar limitações, realizar ajustes e reunir informações que auxiliem na avaliação de novas tecnologias.
Agronegócio do Paraná movimentou R$ 212,6 bilhões em 2025
A escolha do Paraná ocorre em um estado que mantém forte participação na produção agropecuária brasileira.
Segundo dados preliminares do Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) estadual alcançou R$ 212,6 bilhões em 2025.

O resultado representa crescimento nominal de 13% em relação aos R$ 188,3 bilhões registrados em 2024. Descontada a inflação, o avanço foi de 9%.
O VBP corresponde ao valor bruto gerado pela produção agropecuária e considera aproximadamente 350 produtos, entre grãos, carnes, frutas, hortaliças e produtos florestais.
Esse indicador não equivale ao Produto Interno Bruto (PIB), mas ajuda a dimensionar a atividade econômica dentro das propriedades rurais.
A dimensão da produção paranaense oferece um contexto para o desenvolvimento de soluções voltadas às necessidades do campo, especialmente aquelas que dependem de experimentação e avaliação técnica.
Investimento será realizado até 2028
A PUCPR prevê aplicar R$ 4 milhões na implantação do hub, que terá execução gradual.
A primeira etapa deverá entrar em funcionamento em março de 2027. Já a conclusão integral do projeto está prevista para 2028.
A universidade pretende integrar as atividades acadêmicas e científicas da Fazenda Experimental Gralha Azul ao ambiente empresarial da HOTMILK.
“Este projeto traduz uma forma de pensar a universidade: ao mesmo tempo que produz conhecimento, transforma esse conhecimento em soluções concretas para a sociedade. O Paraná tem no agronegócio uma de suas grandes forças. E acreditamos que uma universidade como a PUCPR deve contribuir formando excelentes profissionais e ajudando a construir o futuro desse setor. O Hub Agrotech nasce exatamente com essa vocação. Conectar conhecimento científico, tecnologia e experiência de campo para gerar inovação com impacto”, afirma o decano da Escola de Medicina e Ciências da Vida da PUCPR, professor José Knopfholz.
A instituição ainda não divulgou o calendário de seleção de empresas, os custos de utilização dos laboratórios ou as condições de acesso à estrutura por produtores rurais interessados em participar das atividades experimentais.